4 sintomas de vaginismo e como tratar a disfunção

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Em 26.10.21

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Em 26.10.21

Ter uma vida sexual saudável é importante para mulheres, porém para quem sofre com vaginismo, isso pode ser um pouco mais complicado, o que não significa impossível. Isso porque essa condição impede a penetração, pode gerar fissura vaginal, além de mexer bastante com a autoestima das mulheres. Para entender mais sobre o assunto, a ginecologista Leila Wessler (CRMSC 20666) explicou o que é essa disfunção, quais são os sintomas, as causas e um pouco mais sobre o tratamento.

Índice do conteúdo:

O que é o vaginismo

Segundo Leila, “o vaginismo é uma condição ginecológica rara, que acomete em torno de 6% das mulheres sexualmente ativas. Ele é caracterizado por uma não penetração vaginal, seja na relação sexual, espéculo ginecológico ou qualquer outro objeto. A mulher tem uma contração involuntária da musculatura vaginal externa que impede essa penetração, de forma recorrente e persistente.”

Quais são os principais sintomas do vaginismo?

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A profissional comenta que um sintoma muito comum é quando a mulher não consegue permitir a penetração de qualquer objeto ou órgão sexual devido à dor intensa. Veja exemplos a seguir:

  • Dor ao fazer exames ginecológicos: Leila comenta que mulheres com vaginismo sentem muito desconforto ou não toleram fazer exame ginecológico.
  • Não conseguir ter relações com penetração: não consegue ter relação sexual com parceiro com penetração vaginal ou a tem à custa de muita dor e, muitas vezes, precisa parar o ato sexual.
  • Dor a qualquer penetração vaginal: segundo a ginecologista, pacientes com vaginismo não toleram penetração vaginal com objetos sexuais.
  • Passa, posteriormente, a ter dores e dificuldades de penetração: Leila explica que existem casos em que a mulher “já teve relação no passado, mas em algum dado momento, após um trauma talvez, passou a não tolerar mais a penetração vaginal”.

Além disso, a profissional ressalta que “o diagnóstico de vaginismo é feito pelo ginecologista através de uma boa conversa”.

As principais causas do vaginismo

Segundo a profissional, “o vaginismo tem como causa ser decorrente de traumas sexuais, principalmente infantis.”

  • Leila explica “o histórico de educação sexual rígida, seja moral, religiosa ou ambas, é o mais comum. Existe também relação significativa de histórico de abusos sexuais na infância e estupro em qualquer fase da vida antes de desenvolver o vaginismo”.
  • Ela comenta ser comum também um passado de “lua de mel” traumática: primeira relação sexual insatisfatória, dolorosa e/ou forçada.
  • Outra causa do vaginismo, segundo a médica, é vir como uma negação à homossexualidade nas mulheres que insistem em ter relações heterossexuais.
  • Por fim, Leila esclarece que “pode iniciar após relacionamentos abusivos, entre outras causas psicológicas que podem afetar a sexualidade da mulher”.

É importante ressaltar que o vaginismo não está ligado à frigidez ou é culpa da mulher. Por ser uma contração involuntária da musculatura vaginal e que também pode ter causas psicológicas, as mulheres que sofrem com essa disfunção precisam de apoio e tratamento adequado para superá-la.

Como é feito o tratamento

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A médica comenta que o tratamento para o vaginismo é um tripé: psicoterapia + ginecologia + fisioterapia pélvica.

Leila também explica que “a psicoterapia é um pilar muito importante do trabalho. Geralmente, a mulher e seu parceiro precisam de auxílio de psicoterapia para iniciar o tratamento.”

Ela também ressalta que hoje, com a fisioterapia pélvica super desenvolvida, são feitos geralmente exercícios de períneo com as pacientes. Inicialmente com os moldes, depois os exercícios de biofeedback e entre outros.

Além disso, no tratamento também são utilizados dilatadores, que serão introduzidos na vagina de forma semanal e vão aumentando de tamanho. A profissional ainda explica que em algum dado momento, é orientado a fazer massagem com um dos dedos na vagina, seja pela paciente ou parceiro. “Geralmente, nessa fase se orienta a não tentar relação com penetração”, diz Leila.

Por fim, a ginecologista também comenta que “o tratamento dura de três a seis meses da parte psicológica e física, especialmente para perder a fobia da penetração”. Após isso, segundo ela, podem ser iniciadas as tentativas de novas relações sexuais.

Como visto, o vaginismo é uma disfunção sexual que se manifesta de forma física como contração da musculatura, mas pode estar ligada a causas emocionais. Para superá-la, é necessário procurar tratamento adequado, com ginecologista, fisioterapeuta pélvica e psicólogo. Aproveite e saiba mais sobre a fisioterapia pélvica.

As informações contidas nesta página têm caráter meramente informativo. Elas não substituem o aconselhamento e acompanhamentos de médicos, nutricionistas, psicólogos, profissionais de educação física e outros especialistas.