A luta pelo reconhecimento e visibilidade do futebol feminino

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Atualizado em 06.04.22

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A origem do futebol feminino é repleta de lutas e retrocesso: as mulheres eram proibidas de praticar esportes devido a suas condições físicas. Alvo de muita controvérsia até os dias de hoje, o futebol feminino conquistou seu espaço e mostrou que não existe proibição e preconceito que impeça essas mulheres de fazerem história.

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O começo do futebol feminino

A presença feminina no futebol tem seus primeiros registros no final do século XIX, como uma atração de circo. As mulheres se apresentavam ao jogar bola durante os espetáculos. A primeira equipe feminina foi fundada na Inglaterra, berço do futebol, por uma ativista feminista em 1894, e recebeu o nome de British Ladies Football Club.

A primeira partida oficial desse time aconteceu no ano seguinte e reuniu cerca de 10 mil torcedores que, na verdade, não foram para torcer e sim vaiar as jogadoras em campo. Em relação às seleções, o registro histórico indica que a primeira partida aconteceu ente Inglaterra e Escócia em 1898.

A história do futebol feminino no Brasil

Com uma presença tímida nos anos 20 e 30, as mulheres começaram a aparecer no cenário do futebol nacional em estados como Rio de Janeiro, São Paulo e Rio Grande do Norte. Os poucos registros da época mostram uma partida realizada no Estádio Pacaembu em 1940 que, ao invés de visibilidade, gerou revolta da população.

No ano seguinte veio a proibição do futebol feminino através do Conselho Nacional de Desportos. Com a chegada da ditadura militar em 1964, as leis se intensificaram e proibiram as mulheres de realizar qualquer prática esportiva “incompatíveis com as condições de sua natureza”.

Primeiros clubes e conquistas

A evolução chega com a revogação da lei em 1979. Somente quatro anos depois uma regulamentação é feita, criando calendários, utilizando estádios e permitindo que os times se profissionalizassem. Os primeiros clubes que apostaram no futebol feminino no Brasil foram o Radar, do Rio de Janeiro em 1981 e o Saad, de São Paulo em 1985.

Em 1988, a FIFA organizou um Torneio Experimental na China e a primeira competição internacional que a seleção feminina participaria. As jogadoras selecionadas eram da base de alguns poucos times e nem uniforme receberam: utilizaram a sobra dos homens. Conquistaram o terceiro lugar em uma disputa de pênaltis.

Em 1991 acontece a primeira Copa do Mundo feminina. Entre as maiores conquistas da seleção brasileira feminina: segundo lugar (2007) e terceiro (1999) em Copas do Mundo e duas pratas em Jogos Olímpicos (2004 e 2008).

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O impacto da mulher no futebol

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A presença da mulher no esporte sempre foi alvo de preconceitos. Mesmo no país do futebol, ainda parece inconcebível uma menina preferir a bola a uma boneca. O futebol não é um esporte masculino, ele é apenas um ambiente hostil às mulheres, algo que precisa ser mudado, visto que não existe mais lei que proíba a presença feminina.

As ligas femininas já existem, mas em muitos países, como o Brasil, ainda são incipientes. Falta um incentivo externo, o patrocínio, para que as equipes se fortaleçam. O projeto do futebol feminino precisa ser implantado em grandes clubes, visando um projeto a longo prazo, e não uma forma de competir com os lucros do masculino ou até o suprir déficit dele.

É importante que meninas e mulheres tenham a oportunidade de tornar o futebol uma profissão. Mulheres como Marta, Cristiane e Formiga chegaram ao topo e se tornaram ídolas, mas muitas meninas precisaram desistir no meio do caminho por falta de investimento.

Após a eliminação na Copa do Mundo da França em 2019, Marta deu uma entrevista com os olhos marejados: “Eu queria estar sorrindo ou até chorando de alegria. Mas para isso precisamos querer mais, treinar mais e se cuidar mais. A gente tem que estar pronta pra jogar mais 90, 30 minutos, o quanto for. É isso que eu peço pras meninas. Não vai ter Marta, Cristiane e Formiga para sempre. E o futebol feminino depende das meninas e dos torcedores para sobreviver. Então, pense nisso, valorize mais. Chore no começo para sorrir no fim”.

10 jogadoras importantes para a história do esporte

Eleitas as melhores em suas posições e colecionadoras de títulos, essas mulheres fizeram história em seus clubes e suas seleções. Conheça as jogadoras que deixaram sua marca no esporte:

1. Marta

É impossível falar de futebol feminino e não lembrar de Marta Vieira da Silva. Seis vezes eleita a melhor jogadora do mundo, duas vezes medalha de prata em Jogos Olímpicos, campeã de Champions League, Libertadores e a maior artilheira da história das Copas, a alagoana de Dois Riachos é a maior representação do esporte no Brasil e no mundo.

2. Formiga

Miraildes Maciel Mota, ou melhor, Formiga é a jogadora com maior número de participações em Copas do Mundo e em Jogos Olímpicos, contabilizando 7 edições de cada. Ela é hexacampeã da Copa América e é a jogadora com mais partidas vestindo a camiseta da seleção brasileira.

3. Cristiane Rozeira

Completando o trio mais bem-sucedido do futebol feminino brasileiro, Cristiane Rozeira é a maior artilheira em Jogos Olímpicos com 14 gols. Cris chegou a ser indicada ao prêmio de melhor jogadora do mundo em duas ocasiões (2007 e 2008), mas ficou com a terceira colocação em ambas.

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4. Carli Lloyd

A norte-americana Carli Lloyd tem em seu currículo dois títulos de Copa do Mundo (2015 e 2019), duas medalhas de ouro olímpicas (2008 e 2012) e dois prêmios de melhor jogadora do mundo (2015 e 2016). É considerada uma das jogadoras mais decisivas da história. Aposentou-se em 2021 sendo a terceira maior goleadora da seleção estadunidense.

5. Alexia Putellas

Capitã do time feminino do Barcelona, Alexia Putellas conquistou a tríplice coroa em 2021 com o time catalão faturando o título da Liga dos Campeões, Copa da Rainha o Campeonato Espanhol. Levou seu time ao mais alto patamar do futebol e consagrou-se a melhor jogadora do mundo em 2021.

6. Megan Rapinoe

Destaque dentro e fora de campo, Megan Rapinoe esteve presente na conquista da Copa do Mundo de 2015, mas seu sucesso veio mesmo na Copa do Mundo de 2019. A norte-americana ficou no topo da atilharia com 6 gols e conquistou o título de melhor jogadora do mundo de 2019. Megan é conhecida por seu ativismo, tendo recusado a encontrar o presidente Donald Trump após a conquista do título. Ela usa sua voz para defender movimento antirracistas, LGBTQIA+ e pela igualdade de gênero.

7. Birgit Prinz

Birgit Prinz levou a Alemanha ao topo do mundo conquistando duas Copas do Mundo consecutivas (2003 e 2007) e cinco títulos de Eurocopa. Foi premiada como a melhor jogadora do mundo por três anos consecutivos, além das três medalhas de bronze em Jogos Olímpicos. Disputou seu primeiro jogo pela seleção alemã aos 17 anos e aposentou-se em 2011 aos 33 anos.

8. Hope Solo

A goleira norte-americana Hope Solo consagrou-se a goleira titular da seleção em 2005 e a partir de então colecionou bicampeonato olímpico, além do prêmio Luva de Ouro na Copa do Mundo feminina de 2011.

9. Sun Wen

Renomada ex-futebolista chinesa, Sun Wen estreou na seleção de seu país aos 17 anos e foi vice-campeã da Copa do Mundo de 1999 e medalhista de prata nas Olimpíadas de 1996. Em 2000, foi eleita Jogadora do Século da FIFA, prêmio que dividiu com a estadunidense Michelle Akers, além de ser a primeira mulher a ser indicada ao prêmio de melhor atleta do ano da Confederação Asiática de Futebol.

10. Ada Hegerberg

Ada Stolsmo Hegerberg

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A primeira ganhadora do prêmio Bola de Ouro de melhor jogadora foi a norueguesa Ada Hegerberg em 2018. Ela já havia sido a artilheira da Liga dos Campeões em 2015 – 16, além de ter sido premiada a melhor jogadora da temporada. Hegerberg é atacante do Olympique Lyonnais e foi quatro vezes consecutiva campeã europeia.

O futebol feminino ainda precisa de muita visibilidade para se fortalecer, principalmente no Brasil. Descubra mais sobre mulheres que se destacam em outros esportes, como os de inverno, e fique sabendo sobre os destaques das Olímpiadas de Inverno.