90 anos do voto feminino no Brasil, mas com pouca representatividade

O voto feminino foi essencial para o avanço da política brasileira e essa conquista completa 90 anos, mas ainda há pouca representatividade

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Em 24.02.22 às 14:48

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Em 24.02.22 às 14:48

O direito ao voto nem sempre foi igualitário. Historicamente, o ambiente político é masculino, basta olhar para as civilizações Gregas que não consideravam mulheres como cidadãs. Tudo começou com o movimento sufragista na Inglaterra no final do século XIX, em que buscava alcançar direitos de cidadania à população feminina. Além do direito ao voto, as sufragistas lutavam a favor da abolição da escravatura, do direito à escolarização e do regime republicano.

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No dia 24 de fevereiro de 2022, o Brasil celebra 90 anos da conquista do voto feminino. Esse direito foi incorporado à constituição no ano de 1934, apesar de o direito estar em vigor desde 1932. O Decreto 21.076 permitiu que mulheres pudessem votar e serem votadas e também criou a Justiça Eleitoral, além de promulgar o voto secreto.

O primeiro partido feminino foi criado por Leolinda de Figueiredo Daltro. Graças a ela, em 1920 criou-se o Partido Republicano Femino. Leolinda pressionava os parlamentares para institucionalizar o voto feminino. Além dessa, houve outra mulher importante à frente desse movimento, Bertha Lutz, segunda mulher a ocupar um cargo público no país, organizou o primeiro Congresso Feminista do Brasil e fundou a Federação Brasileira pelo Progresso Feminino.

Lutz criou a Federação Brasileira pelo Progresso Feminino, considerada a primeira sociedade feminista brasileira. Mas, essa conquista só foi possível, pois na década de 1920 houve diversas movimentações, assim como a Semana de Arte Moderna em 1922, que questionava a realidade dos direitos civis e principalmente do direito das mulheres.

Representatividade e participação das mulheres na política

Em ranking de 192 países, o Brasil aparece em 140 na participação de mulheres na política. A cota mínima para cada partido é de 30% e todos os partidos brasileiros atingiram ou superaram esse valor, mas ainda é uma parcela não muito significativa de mulheres atuantes na política.

A deputada Tereza Nelma (PSDB-AL) lamenta para Agência Câmara de Notícias: “Somos apenas 15% dos integrantes na Câmara Federal. E o Brasil perde para quase todos os países da América Latina em percentuais de participação política de mulheres”. Isso quer dizer que ainda estamos muito longe de alcançar uma equidade de gênero na política brasileira.

Dilma, única mulher presidente do país e sofreu impeachment

Em 2010, Dilma Rousseff ganhou as eleições para a Presidência do Brasil, sendo assim a primeira mulher a ser eleita para esse cargo no Brasil. Reeleita em 2014, foi destituída de seu cargo em 2016, no meio do mandato, por meio de um processo de impeachment que ainda é questionado por uma parcela da população.

Durante seu discurso de impeachment, Dilma disse: “Estamos a um passo de um verdadeiro Golpe de Estado. O que está em jogo no processo do impeachment, não é apenas meu mandato, o que está em jogo é o respeito às urnas. O que está em jogo são as conquistas, os ganhos da população, das pessoas mais pobres.”

Vítima do machismo, em seu emocionante discurso e sessão de julgamento de seu impeachment no Senado em 29 de agosto de 2016, Dilma ainda acrescenta: “Tem sempre um componente de misoginia e de preconceito contra as mulheres nas ações que ocorreram contra mim”.

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