Diafragma: como usar o método contraceptivo, quais suas vantagens e riscos

Ginecologista explica passo a passo o funcionamento, fala dos pontos positivos e negativos e outros detalhes importantes

Escrito por Mariana Bueno

O diafragma é considerado um método contraceptivo de barreira. O ginecologista e obstetra Vander Guimarães Silva, professor titular da Faculdade de Medicina de Petrópolis (RJ), explica que se trata de um dispositivo de látex ou silicone, no formato de capuz, cuja borda é um anel flexível.

Antes de cada relação ele deve ser inserido pela própria mulher, após uma consulta prévia de avaliação com o ginecologista, que utilizará anéis medidores para determinar o tamanho ideal para cada paciente – medida que deve ser reavaliada após cada parto ou ganho/perda de peso.

Na vagina, o dispositivo apoia-se no fundo de saco posterior da vagina, obstruindo o colo uterino e impedindo que a gravidez aconteça.

O profissional explica melhor como o método funciona, lista seus pontos positivos e negativos, além de outros detalhes importantes para as mulheres que fazem uso do diafragma.

Como funciona e para quem é indicado

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Ao ser colocado na vagina, geralmente associado ao espermicida (colocado em sua parte côncava), o diafragma oclui o orifício externo do colo do útero, dificultando a ascensão de espermatozoides que tenham sido liberados na vagina pelo coito e sua chegada até o óvulo, impedindo assim a fecundação.

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Por não ser um método hormonal, o diafragma não apresenta interferência no ciclo menstrual e pode ser utilizado por mulheres que tenham alguma restrição ao uso de hormônios. “Todas as mulheres que queiram utilizar um método contraceptivo, tendo ou não restrição ao uso de métodos hormonais, podem utilizar o diafragma, desde que não apresentem contraindicações”, esclarece o ginecologista.

Vantagens e desvantagens do diafragma

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Assim como qualquer método contraceptivo, o diafragma possui vantagens e também desvantagens, que devem ser analisadas por cada mulher, em conjunto com o seu médico, para que se chegue a uma conclusão a respeito do seu uso. O ginecologista lista algumas:

Vantagens:

  • É um método não hormonal;
  • Tem baixo custo;
  • Sua eficácia é razoável;
  • Não apresenta riscos;
  • A associação com o espermicida pode proteger contra o câncer de colo do útero.

Desvantagens:

  • Requer habilidade da mulher para sua inserção;
  • Deve ser colocado antes e retirado após o coito, o que pode causar desconforto durante a relação sexual;
  • Necessita um tempo maior de permanência na cavidade vaginal após o sexo, o que pode gerar certo desconforto para algumas mulheres;
  • Não se recomenda seu uso no período menstrual;
  • Não protege a mulher contra as ISTs (Infecções Sexualmente Transmissíveis).

De acordo com o médico Vander Guimarães Silva, a possibilidade de falha do diafragma e o risco de uma gravidez indesejada são raras e estão geralmente associadas à inabilidade de inserção e ao uso incorreto.

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Como usar o diafragma?

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O ginecologista explica que o diafragma deve ser colocado na vagina até 2 horas antes da relação sexual e permanecer no local até 6 a 8 horas após. Em caso de relações sucessivas, o espermicida deverá ser reaplicado. Ele lista o passo a passo:

  • Inicialmente urinar e lavar bem as mãos;
  • Aplicar a geleia espermicida na parte côncava do dispositivo;
  • Dobrar o diafragma e introduzi-lo no fundo da vagina;
  • Ajustar com o dedo indicador o anel do diafragma na borda do osso da pube, que se apresenta na parede anterior, ao fundo da vagina.

Diafragma x DIU: qual o melhor?

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Cada um dos dois métodos apresenta suas vantagens e suas desvantagens, com um perfil de paciente indicado para seu uso. “No que diz respeito à eficácia, o DIU apresenta números um pouco mais satisfatórios, com índices de gravidez indesejada de aproximadamente 0,2 a 2 gestações/mulheres/ano de uso”, afirma o médico.

Mas vale lembrar que essa não é uma escolha que cabe somente à mulher. É necessário consultar um ginecologista, que irá indicar o método mais adequado para cada paciente, depois de uma avaliação individual.

Onde comprar

O diafragma pode ser comprado em lojas físicas que vendem produtos médicos ou mesmo on-line, em empresas que fazem este mesmo tipo de comércio. Os preços podem variar entre 150 e 200 reais a unidade.

Para comprar, é necessário ter indicação médica. “O ginecologista é quem irá definir se este é um método adequado para o seu caso, além de indicar qual é o tamanho ideal e orientar sobre como usá-lo de forma correta”, diz.

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Diafragma no SUS

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O médico explica ainda que são poucos os ambulatórios de Planejamento Familiar vinculados ao SUS que oferecem este dispositivo como método contraceptivo. “As mulheres que optam pelo diafragma normalmente têm que procurar a medicina privada ou de convênio para obtê-lo”, diz.

Contraindicações do diafragma contraceptivo

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Apesar de apresentar muitas vantagens, o diafragma não pode ser usado por todas as mulheres. Existem algumas contraindicações, que, de acordo com o ginecologista, são:

  • Pacientes virgens;
  • Presença de infecções vaginais;
  • Doença inflamatória pélvica;
  • Mulheres com alterações anatômicas do canal vaginal e do colo uterino;
  • Alergia ao látex.

O diafragma não é descartável e pode ser utilizado por até três anos. A durabilidade dependerá do cuidado no manuseio, higienização correta e acondicionamento adequado após o uso. Quando usado corretamente, sua eficácia pode variar entre 90 e 98%.

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