Síndrome do pânico: saiba o que são os ataques e como é o tratamento

Escrito por Tais Romanelli

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Embora o termo seja conhecido, nem todo mundo sabe exatamente o que é a síndrome do pânico. Crises inesperadas de desespero, medo intenso de que algo ruim aconteça (ainda que sem motivo aparente) e aceleração da frequência cardíaca são alguns sinais desta síndrome, que é considerada um tipo de transtorno de ansiedade.

As pessoas que sofrem com a síndrome do pânico tendem a ser bastante ansiosas, exigentes com elas mesmas e se sentem, muitas vezes, “desprotegidas”. Têm, por exemplo, medo de morrer, medo de terem outra crise de pânico e/ou de perderem o controle. Tudo isso pode afetar significativamente a qualidade de vida da pessoa, por isso, é tão importante buscar tratamento adequado quando o problema é diagnosticado.

O que a síndrome do pânico?

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O Prof. Dr. Mario Louzã, médico psiquiatra, doutor em Medicina pela Universidade de Würzburg (Alemanha) e Membro Filiado do Instituto de Psicanálise da Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo, explica que a síndrome do pânico caracteriza-se pelos ataques de pânico, associados ou não à agorafobia (medo de estar em lugares nos quais pode ocorrer um ataque de pânico).

Isso porque, as crises de pânico geralmente ocasionam a preocupação constante com a possibilidade de novos ataques; ou seja, formando um “ciclo vicioso”, que dificulta o dia a dia da pessoa que a passa a ter, por exemplo, medo de ter um ataque do coração, de enlouquecer, de perder o controle ou morrer.

Vale destacar que as crises não são, necessariamente, desencadeadas unicamente pela exposição a uma determinada situação, mas, sim, de forma imprevisível.

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Além disso, os ataques de pânico costumam vir acompanhados de alguns sintomas físicos, como tremores, sensação de frio ou calor, coração acelerado, sensação de desmaio, entre outros.

Causas

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As causas da síndrome de pânico são desconhecidas, destaca Louzã. “Sabemos que alguns fatores desencadeiam um ataque de pânico. O estresse é um dos principais motivos”, diz.

Neste sentido, Louzã cita exemplos de fatores que podem desencadear um ataque de pânico:

  • Sobrecarga de trabalho, de responsabilidades e tarefas;
  • Muitos problemas de uma vez;
  • Ansiedade excessiva;
  • Enfrentar situações que causam muito medo (por exemplo, uma pessoa com fobia de voar ter que pegar um avião);
  • Drogas ilícitas.

Vale destacar que esses são apenas exemplos e somente um médico poderá diagnosticar o quadro avaliando as particularidades de cada caso.

Sintomas da síndrome do pânico

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A síndrome do pânico se caracteriza pelos ataques de pânico. Louzã explica que um ataque de pânico começa, em geral, abruptamente, com ansiedade intensa, uma sensação de morte iminente ou de um “ataque cardíaco”.

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O médico psiquiatra destaca que essa ansiedade intensa é acompanhada de sintomas físicos, como:

  • Aceleração da frequência cardíaca;
  • Falta de ar;
  • Sudorese excessiva;
  • Vertigem;
  • Tontura;
  • Náusea;
  • Tremores, entre outros.

“Algumas pessoas falam sobre a sensação de ‘perda de controle’ ou de ‘sair de si mesmo’. Os ataques usualmente duram de 10 a 15 minutos”, explica Louzã.

Como prevenir um ataque de pânico?

Louzã comenta que o primeiro ataque de pânico, geralmente, leva a pessoa a um pronto-socorro, devido à intensidade dos sintomas. “Uma vez que a pessoa recebe o diagnóstico de transtorno de pânico, sabendo que aquelas sensações são passageiras, ela pode “mentalmente” tentar se controlar, sabendo que, apesar de muito desagradáveis, os sintomas não colocam sua vida em risco e diminuem ou desaparecem em minutos”, responde o médico psiquiatra.

Fatores de risco

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Louzã destaca, primeiramente, que a síndrome do pânico é mais comum entres as mulheres. “Embora muitos ataques de pânico ocorram em situações de estresse, às vezes, a pessoa tem o primeiro ataque numa situação na qual não se espera que isso aconteça, por exemplo: na hora de dormir ou mesmo durante o sono”, diz.

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Mas, de forma geral, alguns fatores considerados de risco são:

  • Situações de muito estresse;
  • Adoecimento ou morte de uma pessoa próxima;
  • Mudanças radicais na rotina/vida;
  • Alguma experiência traumática (por exemplo, um acidente ou assalto).

Louzã ressalta que, se os sintomas persistem, a pessoa deve buscar ajuda de um psiquiatra, que irá analisar o quadro do paciente e avaliar a necessidade de prescrever alguma medicação e indicar uma possível terapia.

Tratamentos para a síndrome do pânico

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Após o diagnóstico do transtorno – feito preferencialmente por um médico psiquiatra – o paciente deverá receber as orientações sobre os tratamentos possíveis.

Louzã destaca que o tratamento para a síndrome do pânico, de forma geral, baseia-se na associação de medicações (antidepressivos e ansiolíticos) e psicoterapia.

Medicamentos

O médico explica que os antidepressivos mais indicados são os inibidores de recaptação da serotonina. “Esses medicamentos costumam levar cerca de duas semanas para começar a fazer efeito. Seu uso pode ser por um período mais prolongado, dependendo de como o paciente responde aos efeitos da medicação”, diz.

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Já os ansiolíticos, são indicados apenas para os momentos de crise do pânico, pois eles têm atuação imediata, causando sensação de tranquilidade logo que consumidos.

“O acompanhamento médico é fundamental para garantir o sucesso do tratamento e o uso adequado das medicações”, frisa o psiquiatra.

Psicoterapia

Geralmente associada aos medicamentos entra a psicoterapia. “Em geral, é utilizada a terapia cognitivo comportamental, a qual procura ensinar o paciente a controlar a ansiedade e também os ataques de pânico”, destaca Louzã.

“Muitas vezes, os ataques de pânico pioram em função da ansiedade gerada pelos próprios ataques, criando um círculo vicioso. Um dos objetivos da terapia cognitivo comportamental é romper este círculo vicioso”, explica o médico.

Frequentemente, pessoas com síndrome do pânico têm também questões pessoais ligadas à dificuldade de lidar com situações de estresse. “Nestes casos, as psicoterapias psicodinâmicas estão indicadas para auxiliar o paciente a lidar com sua maneira de controlar o estresse”, acrescenta Louzã.

A “agorafobia” (medo de estar em lugares nos quais a pessoa acredita que pode ocorrer um ataque de pânico) também pode ser desenvolvida secundariamente. “Isso limita enormemente a vida do paciente. Então, abordar as questões ligadas à agorafobia é fundamental para que o problema não vá progressivamente limitando sua vida”, ressalta o médico psiquiatra.

Geralmente, o acompanhamento psicológico possibilita um bom processo de autoconhecimento para o paciente, além de estimular exercícios de relaxamento e respiração, importantes para lidar com os momentos de crise.

Para que o tratamento da síndrome do pânico seja realmente eficaz, é importante ainda que o paciente sinta-se confiante e tenha real vontade de lidar com suas questões internas. Ou seja, que ele esteja “disponível” para o tratamento, acredite e queira melhorar.

Agora você já sabe que a síndrome do pânico é um quadro sério, que deve ser tratado para não prejudicar a qualidade de vida do paciente. No caso de identificação com os sintomas, o ideal é procurar um médico psiquiatra que poderá diagnosticar o caso e indicar o tratamento mais adequado (provavelmente, com a associação de psicoterapia e medicamentos).

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