Skincare íntimo é um cuidado necessário ou mais uma pressão estética?

Ginecologista esclarece que o skincare íntimo é mais uma questão estética e dá recomendações para a saúde da mulher

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Atualizado em 31.05.22

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Em 28.05.22 às 14:30

Quando falamos em skincare logo vem à mente os cuidados com a pele do rosto e até mesmo com a pele do bumbum. No entanto, uma nova tendência está fazendo sucesso entre as mulheres: o skincare íntimo. A rotina de cuidados para a região íntima feminina já virou febre no exterior e movimenta o mercado de produtos voltados para esse fim.

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Porém, embora os fabricantes garantam que esses produtos não alteram o pH vaginal e são dermatologicamente testados, será que podem prejudicar a saúde intima da mulher? Ou melhor, o skincare íntimo é necessário ou trata-se apenas de mais uma pressão estética sofrida pelas mulheres?

Em conversa com o Dicas de Mulher, a ginecologista, obstetra e mastologista Dra. Mariana Rosário, membro do corpo clínico do Hospital Albert Einstein, falou sobre o assunto e esclareceu essas dúvidas.

Afinal, o skincare íntimo é necessário?

Segundo a médica, “o skincare íntimo é uma nova onda que está surgindo” e que “precisamos usar alguns tipos de produtos para lidar com a nossa região íntima”, mas há algumas ressalvas.

Nos Estados Unidos, por exemplo, existem produtos como VV Cream, da marca Perfect V, para hidratar a pele entre as depilações e esfoliar levemente para evitar que os folículos encravem. E o bálsamo em bastão Feminine Lips Stick, da marca V’magic, que promete recuperar a umectação natural dos lábios vulvares, uma vez que combinam ativos naturais, como óleo de avocado e cera de abelha.

No entanto, a ginecologista pontuou que o skincare íntimo é um procedimento realizado mais por questões estéticas do que por necessidade. “Teoricamente, a vagina é autolimpante, só precisamos lavar externamente e o uso excessivo de cremes e tratamentos podem prejudicar o pH vaginal”.

Além disso, a profissional enfatizou que por mais que alguns produtos sejam testados, podem ser prejudiciais, principalmente se forem formulados com perfumes. Portanto, o skincare íntimo é um procedimento não indicado por ela.

O que a ginecologista recomenda

Em consultório, normalmente, a Dra. Mariana orienta as mulheres a usar produtos básicos para higienizar a região íntima. “Eu recomendo o sabonete de glicerina neutro para as minhas pacientes e existem algumas manipulações com calêndula, melaleuca e óleo de aveia que também indico”.

Além disso, cita o óleo de coco, uma vez que o produto é antifúngico, antibacteriano, hidrata e melhora a lubrificação vaginal. Então, “eu oriento as minhas pacientes a fazerem bolinhas pequenas de óleo de coco, colocarem no freezer e colocar uma bolinha na vagina”.

Já em alguns casos onde a mulher sofre com vaginismo, por exemplo, pode ser indicado procedimentos, como aplicação de botox para tratar a disfunção. Outra situação é utilizar laser para pacientes que sofrem com os efeitos da menopausa ou com atrofia no pós-parto.

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Além disso, com o passar do tempo é comum haver ressecamento vaginal e incontinência urinária. Então, procedimentos a laser podem ajudar e ser “preventivos para não ter problema na bexiga e todos esses problemas que podemos ter no envelhecimento”, informou a ginecologista.

Contudo é válido ressaltar que alguns procedimentos nem sempre são feitos, unicamente, para o bem-estar íntimo feminino e, sim por motivos estéticos. É importante enfatizar que não existe um padrão de beleza para a vulva, pois cada corpo feminino é único. O fundamental é cuidar da saúde e bem-estar da mulher sempre.