“Procuro sempre promover o acolhimento da mulher em situação de violência”

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Atualizado em 27.04.22

Paula Apoloni

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Em 15.03.22 às 11:06

Paula Felix Apoloni é escrivã da polícia, ativista pelo direito das mulheres e idealizadora do projeto Patrulha do Batom, que promove palestras e ações que visam erradicar a violência doméstica. Enquanto mulher, Paula sempre busca deixar seu círculo social mais acolhedor para as meninas que virão. Já em seu trabalho na delegacia, pontua que:

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“procuro sempre promover o acolhimento da mulher em situação de violência e desenvolver projetos, junto aos órgãos municipais e estaduais que ajudem na promoção da igualdade”.

Para que isso aconteça, a escrivã da polícia defende que não basta buscar a erradicação da violência doméstica, mas também fazer com que o agressor reflita sobre seus atos.

Projetos para uma sociedade acolhedora para mulheres e meninas

Em 2019, em uma parceria entre profissionais voluntários e a Comarca de Astorga-PR, deu vida ao projeto “Paz sem voz é medo”. Trata-se de um grupo de reflexão com homens que praticam violência contra mulher, um espaço fundamental que fomenta a diálogo acerca de temas como machismo, papéis atribuídos a homens e mulheres e formas possíveis de construir uma sociedade mais justa.

Já em seu trabalho com o Patrulha do Batom, leva seus conhecimentos como mulher e policial a diversos públicos e locais, no intuído de combater a violência doméstica e promover a igualdade de gênero. Além disso, na página do Instagram, dá dicas para evitar ou identificar situações machistas e perigosas para mulheres.

Como ser a mulher que busco ser nessa sociedade?

Paula comenta ser muito difícil, no Brasil, ser a mulher que se busca ser. Defende que é algo complexo, visto que nossas vidas podem ser interrompidas a qualquer momento.

“O país é o quinto no mundo onde mais mulheres são mortas em razão de serem mulheres. Entre os 15 e 44 anos é mais fácil morrer por causa do meu gênero do que de câncer, malária, acidente de trânsito ou guerra”.

A policial também fala de pressão estética como uma das dificuldades para se viver do jeito que se é, sem obedecer a padrões de beleza. “Segundo dados da OMS, o país é o primeiro no ranking mundial em cirurgia plástica”. Assim, “viver como se quer e do jeito que se é uma tarefa difícil”. E finaliza dizendo que viver e se amar nesse contexto é revolucionário!

Para que esse processo seja mais leve e possível, Paula busca fortalecimento em outras mulheres. Suas referências vão desde sua mãe, Maria Piedade, uma mulher sábia, firme e, ao mesmo tempo, doce e gentil, até grandes nomes, como Malala, a mais jovem ganhadora do Nobel, que usa a educação como “a arma mais transformadora do mundo”.

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Claro que essa mulher potente não deixaria de lado todas as mulheres policiais que vieram antes dela: “pelas quais eu nutro um profundo respeito e admiração, pois deixaram o meu caminho um pouco menos difícil”.

Além saber da trajetória da Paula Apoloni, que tal conferir histórias de mais mulheres de luta, que fazem a nossa vida mais leve e igualitária? Conheça também Sara Araujo, mulher negra e militante dos direitos humanos, e Paula Mariá Riemer, taróloga e mãe LGBTQI+.

Assuntos: Entrevistas