O mito do hímen rompido é uma mentira e não tem base científica

Pesquisadoras explicam que, diferente da crença popular, o hímen não se rompe e não sangra na primeira relação sexual

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Em 06.05.22 às 11:59

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Em 06.05.22 às 11:59

O mito do hímen rompido é uma ideia presente na sociedade. De acordo com esse imaginário, na primeira relação sexual vaginal o hímen se rompe causando sangramento e a perda da virgindade. Segundo esse mito, também seria possível observar quando uma mulher é virgem ou não.

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No entanto, a virgindade é uma farsa, como explicam as pesquisadoras Ellen Støkken Dahl e Nina Dølvik Brochmann, norueguesas autoras do livro “Viva a Vagina – Tudo o que você sempre quis saber”. Dahl defende, em entrevista à BBC News Mundo, que esse mito é prático para uma sociedade que quer controlar a sexualidade das mulheres.

Ao invés de se romper, a pesquisadora explica que o hímen funciona mais como um elástico, como os que são usados para prender cabelo ou, então, como uma goma elástica, que possui um orifício no meio. Esse imaginário ainda é, muitas vezes, acompanhado da ideia que o hímen pode ser rompido em situações como inserindo absorvente interno ou andando de bicicleta, ideias que não possuem nenhum fundamento científico.

Dessa forma, ele não sofre danos ao fazer relação sexual com penetração vaginal e sua aparência varia de acordo com o corpo de cada mulher, sendo tão diverso quanto clitóris e vulvas.

Além do mito do hímen, outra presença no imaginário sobre a perda da virgindade da mulher é o sangramento na primeira relação sexual com penetração. A maioria das mulheres não sangra na primeira vez e quando isso acontece não se deve ao chamado rompimento do hímen, mas, sim, a uma lesão na mucosa vaginal, que pode ser causada pela falta de conhecimento do funcionamento do corpo.

Quais as implicações de propagar esse mito?

Propagar esse mito pode trazer um grande desconforto para mulheres que não sangram em sua primeira relação sexual, fazendo com que elas pensem que existe algo de errado com elas. E as implicações da perpetuação dessa ideia vão muito além.

Mesmo com a Organização das Nações Unidas (ONU) e a Organização Mundial da Saúde (OMS) considerando como uma violação dos direitos humanos os testes de virgindade, que são exames vaginais para verificar se o hímen está intacto, eles ainda são praticados em mais de 20 países.

A listagem inclui países que são considerados desenvolvidos, como Estados Unidos da América e o Reino Unido. Além disso, são oferecidos procedimentos cirúrgicos para “reparar o hímen”, ainda que seja falso que ele se rompa.

O mito também possui impacto na medicina forense, uma vez que ainda existem práticas em que uma mulher que denuncia ter sido abusada é examinada para verificar se seu hímen continua inteiro, e nesses casos duvidam do que ela diz.

De todas essas formas, a existência do mito do hímen rompido é prejudicial para a liberdade sexual das mulheres. Informar-se mais sobre esse tema e importante, então confira curiosidades sobre o hímen e informações a respeito da vagina.

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