Mastite na amamentação: saiba o que é, como prevenir e tratar

O quadro é causado, de forma geral, pelo acúmulo de leite, que pode levar a um processo inflamatório

Escrito por Tais Romanelli

Foto: iStock

Mamas avermelhadas, endurecidas, doloridas e quentes. Estes são os sintomas mais conhecidos da mastite – um processo inflamatório mamário, que pode ser acompanhado ou não de infecção.

De acordo com Livia Daia, ginecologista obstetra e mastologista da clínica Daia Venturieri, a mastite tem incidência de 2,6 até 33% nas mulheres e varia conforme a causa.

A mais conhecida é a puerperal (mastite na/da amamentação), provocada pelo acúmulo de leite e a contaminação deste por meio de bactéria que consegue adentrar a mama, por exemplo, através de fissuras nos mamilos.

Uma dúvida muito comum é: a mulher deve parar de amamentar o bebê se tiver mastite neste período? Abaixo você confere o esclarecimento para esta e outras questões importantes sobre o assunto!

O que é a mastite na amamentação e quais são as causas?

Foto: iStock

Erica Mantelli, médica especialista em Ginecologia e Obstetrícia, pós-graduada em Medicina Legal e Perícias Médicas e Sexologia/Sexualidade Humana pela Universidade de São Paulo (USP), explica que, de forma geral, a mastite é causada por um acúmulo de leite que fica parado na mama, que pode levar a um processo inflamatório e contaminação bacteriana.

Leia também: 15 fatos interessantes sobre amamentação

“A principal causa é quando há um empedramento do leite, ele fica parado por muito tempo, quando a produção é excessiva e não está correspondendo à demanda e, principalmente, pela pega incorreta do bebê – que pode levar a uma fissura nas mamas principalmente nos mamilos, sendo isso um portal de entrada para bactérias”, destaca Erica.

“Um trauma, ou seja, bater as mamas após uma queda, por exemplo, pode levar a um processo de mastite, e também o desmame repentino – quando o bebê para de mamar ou a mãe por algum outro motivo precisa fazer este desmame – pode ocasionar a mastite”, acrescenta a especialista.

Devo parar de amamentar se tiver mastite?

Foto: iStock

Esta é a principal dúvida quando o assunto é mastite na amamentação. E, diferentemente do que muita gente pensa, a resposta é: não.

“Não aconselhamos a interrupção da amamentação devido à grande importância do aleitamento materno, além de que o esvaziamento mamário faz parte do tratamento para melhorar a mastite”, responde a mastologista Livia.

Erica ressalta que a mulher não deve parar de amamentar. “O primeiro passo é: se notar alguma alteração na mama – como um aumento muito grande, com a alteração da coloração ou vermelhidão, dor intensa, saída de pus, machucados ou qualquer dor –, isso tem que ser avisado ao médico imediatamente, para que ele possa avaliar e prescrever os medicamentos adequados e orientar adequadamente em relação à amamentação”, explica.

Leia também: 20 fotos emocionantes de mães amamentando seus bebês

“E as consultoras de aleitamento podem ajudar muito nesta fase também, então é importante buscar ajuda, mas não parar de amamentar, porque, se parar, o processo pode piorar”, acrescenta Erica.

Como prevenir a mastite na amamentação

Foto: iStock

“No caso da mastite puerperal, não devemos deixar as mamas cheias de leite (chamado de engurgitamento mamário) para evitar a estase. E uma boa pega evita fissuras nos mamilos (que é o que facilita a entrada de agentes bacterianos)”, responde Livia.

A ginecologista e obstetra Erica reforça que a prevenção da mastite se dá principalmente pela pega adequada do bebê. “O bebê tem que mamar não só o bico do peito, tem que abocanhar toda a auréola, é assim que ele consegue fazer a pega correta. É preciso observar se a boca do bebê está aberta adequadamente e o queixo está encostando no peito da mãe… Então, a pega e a posição da mamada são muito importantes”, diz.

“Alguns problemas também da cavidade oral do bebê podem afetar se a pega está correta, então, às vezes, é importante um acompanhamento com um fonoaudiólogo”, acrescenta Erica.

Além da pega correta, destaca Erica, se a mama estiver muito cheia na hora de dar o peito para o bebê, é importante fazer uma ordenha leve: fazer um gotejamento desse primeiro leite pra depois colocar na boca do bebê. “Com isso, a mama fica mais macia e o leite vai sair de uma maneira mais fácil. Quando a mama está muito urgida, muito cheia, o bebê tenta mamar, mas, com a mama muito dura, o leite demora mais pra sair. Assim, muitas vezes o bebê fica irritado, começa a sugar cada vez mais forte e, numa pega incorreta, pode levar ao machucado. Levando ao machucado, ele é uma porta de entrada para possíveis bactérias”, explica.

Leia também: Aleitamento materno: tire dúvidas e confira as dicas e relatos de mães

É importante ainda, de acordo com Erica: a mãe higienizar bem as mãos antes do momento da amamentação e evitar o uso de conchas (pois pode-se acumular leite ali e este é um meio de cultura que pode levar também à mastite).

Vale ressaltar ainda que a mãe com mastite deve continuar amamentando para que, assim, o bebê promova o esvaziamento da mama e o quadro possa, então, evoluir para melhora.

Como tratar a mastite na amamentação?

Foto: iStock

Como é feito o tratamento? Existem formas de amenizar as dores provenientes da mastite?

Livia responde que, de forma geral, o tratamento inclui: acalmar a mãe e os familiares; promover o esvaziamento mamário manual ou através da amamentação do lactente (sempre com orientação); o uso de compressas frias, analgésicos e anti-inflamatórios, que vão ajudar a amenizar a dor, além de antibióticos quando necessário. “Em alguns casos mais complicados, há necessidade de tratamento cirúrgico”, diz a mastologista.

A ginecologista e obstetra Erica reforça que o primeiro passo é a avaliação médica. “O tratamento depende desta avalação. Muitas vezes é prescrito antibiótico e, em casos mais graves, é preciso fazer procedimentos cirúrgicos para a drenagem do pus acumulado no interior das mamas. É possível também, para os machucados, o tratamento tópico e a utilização do laser. Tudo isso vai ajudar também a reestabelecer a pele e aliviar as dores, propiciando assim um maior conforto para as mamadas”, explica.

Leia também: Alergia à proteína do leite de vaca: dicas e receitas práticas

É importante saber que a mastite é um caso localizado nas mamas, porém, quando não tratado corretamente, a demora do diagnóstico e do início da medicação podem agravar o quadro, fazendo com que esta infecção – em vez de ficar só nas mamas – se espalhe. “Isso pode levar à assepsia, que é uma infecção generalizada, e a casos muito graves, em que muitas vezes é necessário internação em UTI para o antibiótico, e isso pode colocar em risco a vida da mulher”, explica Erica.

“Então, a mastite é uma infecção inicialmente nas mamas, que tem tratamento e tem resolução rápida, mas que, caso não seja tratada, pode prejudicar a mãe e levar a um quadro muito mais grave”, finaliza Erica Mantelli.

Para evitar a mastite na amamentação, vale ressaltar, é importante que as mamas sejam corretamente esvaziadas pela sucção do seio e, quando isto não for possível ou suficiente, pela ordenha do excesso de leite. É necessário ainda evitar fissuras nos mamilos, tendo atenção à pega correta do bebê na hora da mamada. No caso de qualquer alteração na mama e/ou dificuldade em promover a pega correta, é essencial procurar orientação profissional o quanto antes.

Assuntos: Bebês

Para você