Insônia na gravidez: veja possíveis causas e dicas para combater

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Em 29.04.20

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A gestação é uma fase de muitas mudanças na vida da mulher. Entre elas, a insônia na gravidez é um relato frequente, que costuma gerar bastante incômodo e até certa preocupação. Afinal, “será que é normal”? Confira a resposta para essa questão e veja possíveis causas para a dificuldade da gestante de adormecer, permanecer adormecida ou ambos os casos.

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É normal perder o sono durante a gravidez?

A ginecologista e obstetra Karina Tafner (CRM-SP 118066), especialista em Endocrinologia Ginecológica e Reprodução Humana e em Reprodução Assistida, responde que sim. “Os distúrbios do sono são muito comuns na gravidez e, dentre eles, a insônia é um dos mais frequentes, experimentada por mulheres grávidas, afetando, aproximadamente, 78% das gestantes”, diz.

Causas possíveis

Karina destaca que a duração e as alterações na qualidade do sono relacionadas à gravidez podem ocorrer devido a diversos mecanismos inter-relacionados, dentre os quais cita resumidamente:

  • Alterações hormonais;
  • Alterações fisiológicas;
  • Alterações metabólicas;
  • Alterações psicológicas;
  • Alterações posturais.

As mulheres podem sentir insônia durante todas as fases da gravidez, conforme destaca Karina, mas ela tende a ser mais comum no primeiro e no terceiro trimestre.

Insônia no primeiro trimestre

A ginecologista explica que os problemas e as mudanças nos padrões de sono começam durante o primeiro trimestre da gravidez, provavelmente influenciados pelas rápidas mudanças hormonais. “Na gravidez humana, a hipersonolência é uma queixa comum durante o primeiro trimestre devido, principalmente, ao aumento da progesterona, hormônio que também pode causar diminuição do tônus muscular, aumento do risco de apneia do sono, ronco e interrupções do sono”, comenta Karina.

Insônia no segundo e terceiro trimestre

Karina destaca que o tempo total de sono noturno diminui no final do segundo trimestre (23-24 semanas de gestação). “A maioria das mulheres experimenta problemas de sono no terceiro trimestre, com mais de 98% relatando despertares noturnos devido ao desconforto geral causado por dor nas costas, frequência urinária aumentada, movimentos fetais, DRGE (Doença do Refluxo Gastroesofágico), falta de ar e desconforto nas pernas, como câimbras”, explica.

Outro ponto a ser considerado é que a ansiedade é muito comum durante a gestação, conforme comenta a ginecologista, com pensamentos e preocupações em relação ao trabalho de parto, como será a nova vida com a chegada do bebê, etc. “Esses pensamentos podem manter a gestante acordada à noite”, diz.

A insônia na gravidez prejudica o bebê?

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“Para qualquer que seja o motivo da insônia na gravidez, é importante entender que ela não é prejudicial ao bebê, mas sim à gestante”, considera Karina. A insônia causa hipersonia durante o dia, fadiga e alterações de humor. “Também pode afetar negativamente o relacionamento com o parceiro e interferir no vínculo mãe-bebê”, explica a ginecologista.

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Além disso, os distúrbios do sono no terceiro trimestre estão associados ao aumento da percepção da dor do parto. “Pacientes com insônia têm citocinas pró-inflamatórias altas, que também são observadas na depressão pós-parto, parto prematuro e outras complicações da gravidez”, explica. “Os médicos devem abordar os distúrbios do sono imediatamente, porque estes aumentam o risco de complicações como depressão no final do terceiro trimestre ou após o nascimento da criança”.

16 dicas para combater a insônia na gravidez

Para tratar o problema, Karina explica que é importante que o médico indague sobre dificuldades no início do sono, manutenção ou despertar e entenda os fatores ambientais e comportamentais. “A obtenção de um histórico médico completo, incluindo fatores de risco, é essencial para o diagnóstico e tratamento, e recomenda-se a intervenção precoce”. De acordo com a ginecologista, algumas medidas que podem ser utilizadas para combater a insônia na gestação são:

  1. Use luzes noturnas escuras no banheiro: a luz brilhante pode dificultar o retorno ao sono.
  2. Tome cuidado com os líquidos: beba bastante líquido durante o dia, mas limite a ingestão após as 17h para diminuir o despertar frequente para urinar.
  3. Evite cafeína e chocolate: esses alimentos devem ser evitados especialmente no final da tarde ou à noite.
  4. Evite alimentos que causam azia: comidas apimentadas, pesadas e fritas contribuem para a azia.
  5. Tire cochilos diurnos: prefira cochilos pela manhã, se for necessário.
  6. Faça exercícios: se for clinicamente apropriado, exercite-se 30 minutos todos os dias, de preferência de 4 a 6 horas antes do momento de dormir.
  7. Mantenha o ambiente confortável: é importante que o quarto propicie o conforto necessário para uma boa noite de sono.
  8. Evite outras atividades quando estiver na cama: comer, assistir TV, jogar videogame ou fazer longas ligações podem tirar o seu sono.
  9. Evite o celular: pelo menos uma hora antes de dormir, evite o tempo de tela (especialmente celular).
  10. Cuide da posição: dormir deitada no lado esquerdo, com os joelhos e quadris dobrados e com travesseiros entre os joelhos, abaixo do abdômen e atrás das costas, ajuda a reduzir a pressão na região lombar.
  11. Tenha uma rotina: tente dormir e acordar no mesmo horário todos os dias, para redefinir seu relógio interno.
  12. Utilize técnicas de relaxamento: uma delas é o relaxamento muscular progressivo (PMR), que inclui contração e relaxamento alternados de diferentes músculos, antes de cada período de sono.
  13. Cuide da respiração: utilize a respiração profunda abdominal com pensamentos relaxantes antes de dormir.
  14. Use a cama apenas para dormir: adote esse hábito e não use a cama para deitar em outros momentos do dia ou para assistir televisão, por exemplo.
  15. Faça coisas estimulantes: se não conseguir dormir, levante-se e faça algo minimamente estimulante, como tomar um banho quente, fazer tricô, ler um livro leve, etc. Ficar na cama e se preocupar perpetua a insônia.
  16. Utilize terapia cognitiva: ela deve ser direcionada à ansiedade, ao pensamento catastrófico relacionado ao não dormir e ao desenvolvimento de expectativas realistas sobre a duração do sono.

Karina destaca que auxiliares do sono são frequentemente considerados seguros para uso ocasional durante a gravidez. “No entanto, você nunca deve tomar nenhum remédio para dormir ou outro medicamento durante a gravidez (prescrição, venda sem receita ou ervas), a menos que este tenha sido prescrito ou aprovado pelo seu médico”, alerta. O mesmo vale para chás de camomila, valeriana ou erva-cidreira, que possuem propriedades calmantes que ajudam a relaxar.

Controlar a ansiedade é essencial para evitar a insônia na gravidez. A gestação é uma fase que gera dúvidas e anseios, mas estes devem ser levados ao médico obstetra para que ele possa esclarecer tais questões e, assim, elas não te façam “perder o sono”. Conheça também os sintomas da infecção urinária na gravidez.

As informações contidas nesta página têm caráter meramente informativo. Elas não substituem o aconselhamento e acompanhamentos de médicos, nutricionistas, psicólogos, profissionais de educação física e outros especialistas.

Assuntos: Bem-Estar, Gravidez