Inseminação artificial: veja como ela é feita e quais são as chances de sucesso

Nessa técnica, pode-se dizer que a medicina apenas facilita a fecundação do óvulo pelo espermatozoide quando o casal está com dificuldade de engravidar

Escrito por Tais Romanelli

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Você provavelmente já ouviu falar sobre infertilidade, mas sabe, de fato, qual é a definição da palavra? Ou ainda, a partir de que momento um casal pode ser considerado infértil?

Infertilidade é definida como a incapacidade de um casal em idade reprodutiva engravidar dentro de um ano, mantendo relações sexuais ao menos seis vezes por mês sem o uso de contraceptivos.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) estima que aproximadamente 20% dos casais tenham algum problema de infertilidade. De acordo com pesquisas, 30% desses problemas são das mulheres, 30% dos homens, 30% dos dois e 10% são sem causa determinada.

Os dados apresentados mostram que o que para a maioria dos casais é uma descoberta maravilhosa, para outros pode ser um processo demorado e, em alguns casos, bastante difícil…

A notícia de que a mulher está grávida muitas vezes demora a chegar e algumas pessoas que estão decididas a ter filhos precisam recorrer a algum método médico para gerar um bebê.

A boa notícia, porém, é que, hoje, a medicina apresenta um grande número de tratamentos reprodutivos destinado a esses casais e há muitos profissionais preparados para atendê-los em todo o país.

Dentre os tratamentos destinados aos casais que pretendem engravidar, um nome é bastante conhecido: a inseminação artificial (ou inseminação intrauterina). Porém, pouca gente sabe, de fato, em que consiste este tratamento, em quais casos é indicado, como ele é feito etc. Dúvidas estas que serão esclarecidas abaixo pelo médico especialista em Reprodução Humana, Marcello Valle, diretor da Clínica Origen.

O que é inseminação artificial?

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Marcello Valle explica que inseminação artificial é uma modalidade de tratamento de reprodução assistida de alta complexidade, realizada naqueles casais que apresentam dificuldades para engravidar, mas ainda não têm indicação médica de fertilização in vitro.

Nessa técnica, pode-se dizer, a medicina apenas facilita a fecundação do óvulo pelo espermatozoide em casos em que a fecundação pode não estar ocorrendo de forma adequada.

Como é feita a inseminação artificial?

Ainda de acordo com o especialista, a inseminação artificial consiste na preparação do sêmen no laboratório e na colocação deste sêmen dentro do útero, através de um cateter (haste fina e flexível que dá acesso à cavidade uterina). Veja o vídeo demonstrativo em 3D:

Em quais casos a inseminação artificial é indicada?

Valle explica que a inseminação artificial geralmente está indicada para casais em que as mulheres tenham a função ovariana e tubárea preservadas, mas o colo uterino dificulte a entrada dos espermatozoides. “Ou, mais comumente, quando existem discretas alterações no sêmen, que comprometam a motilidade (habilidade de se mover espontânea ou ativamente) desses espermatozoides”, diz.

Sêmen do parceiro X sêmen do doador

Outra dúvida bastante comum a respeito do assunto é: quando é utilizado sêmen do próprio parceiro e quando é utilizado sêmen de um doador?

De forma geral, se utiliza o sêmen do parceiro na inseminação artificial nas seguintes situações:

  • Existem casos em que as mulheres produzem um muco hostil à passagem do espermatozoide e, então, é necessário transpassar essa barreira para que os espermatozoides possam nadar livremente em direção ao óvulo.
  • Em casos em que a ovulação não ocorre de forma regular ou os hormônios não são liberados no momento e na quantidade ideais para ocorrer a ovulação. Dessa forma, é preciso induzir e monitorar a ovulação, assim como colocar os espermatozoides próximos ao óvulo.
  • Em casos em que é necessário disponibilizar espermatozoides saudáveis no interior do útero, próximo às trompas, para facilitar o processo de fertilização.
  • Em casos de endometriose – doença que acomete 35% das mulheres em idade fértil –, devido à inflamação, o encontro do óvulo com o espermatozoide pode ficar prejudicado. Dessa forma, muitas vezes, a otimização dessa interação por meio da inseminação intrauterina resolve o problema.
  • Em casos em que anticorpos antiespermatozoides interferem na fertilização, o preparo do sêmen pode liberar os espermatozoides de boa parte desses anticorpos aderidos.

Já o sêmen de um doador é utilizado, de forma geral, quando:

  • Há ausência de espermatozoides.
  • A mulher não possui um parceiro e deseja engravidar.
  • Ocorreu abortamento de repetição por fator genético.
  • Quando o casal é HIV sorodiscordante (uma pessoa com HIV e uma pessoa sem HIV).

Quanto tempo dura o tratamento? Veja o passo a passo do processo

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Marcello Valle explica que o tratamento tem duração de um ciclo menstrual, “algo em torno de 28 dias, do início das medicações, passando pela inseminação, até a data do teste de gravidez”, diz.

Abaixo você confere, de forma resumida, o passo-a-passo do tratamento:

  1. A inseminação artificial tem início com as medicações que visam estimular a ovulação.
  2. Essa fase dura aproximadamente 10 dias e é monitorada por exames de ultrassom que informarão ao profissional a data correta para a aplicação de outro medicamento que induzirá a ruptura dos folículos para a liberação dos óvulos. Dessa forma, será possível estabelecer o dia e o horário da ovulação, quando será realizada a inseminação.
  3. No dia da inseminação, horas antes do horário estipulado, o parceiro deverá comparecer ao local do tratamento para a coleta do sêmen.
  4. Os espermatozoides mais rápidos serão selecionados e colocados em um meio com composição semelhante ao fluido que fica nas trompas.
  5. Os espermatozoides, nesse meio, serão colocados em um cateter acoplado a uma seringa.
  6. No horário determinado, o cateter é introduzido no útero e aqueles espermatozoides são depositados no ambiente uterino, próximo às trompas – onde irão se encontrar com os óvulos liberados pelos ovários, como na fertilização natural.
  7. Cerca de 16 dias depois é realizado o teste de gravidez e, caso a paciente não engravide, um novo ciclo poderá ser iniciado logo em seguida.

Vale destacar que esse é um resumo geral de como ocorre a inseminação artificial. Todas as informações e orientações são passadas pelo médico responsável pelo procedimento.

Quais são as chances de engravidar com a inseminação artificial?

De acordo com Marcello Valle, o sucesso deste tratamento depende muito da idade da mulher, mas geralmente a chance é de 10% a 25%.

Cuidados antes e após a inseminação artificial

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O especialista Valle cita, de forma geral, os cuidados que o casal deve ter:

  • O casal deverá fazer uma série de exames antes do tratamento para afastar outras doenças que comprometam o sucesso da técnica.
  • Após a realização da inseminação, enquanto aguarda o resultado, recomenda-se que o casal evite relações sexuais.
  • Recomenda-se ainda que o casal mantenha hábitos saudáveis de vida e que a paciente use regularmente as medicações prescritas pelo médico.

Existem contraindicações da inseminação artificial?

Marcello Valle explica que está contraindicada a inseminação artificial naqueles casais que já têm indicação clara de fertilização in vitro, como no caso das doenças tubáreas, idade avançada da mulher e causas masculinas severas, entre outras.

Existem riscos na inseminação artificial?

Esta é outra dúvida comum: a inseminação artificial oferece riscos?

Marcello Valle explica, porém, que a inseminação artificial é uma técnica com baixíssimos riscos para a mulher. “Assim como na fertilização in vitro, pode haver um risco aumentado de gravidez múltipla e hiperestímulo ovariano – condição que pode levar à internação hospitalar e cuidados médicos intensivos. O percentual destas condições ainda permanece muito baixo”, destaca o especialista.

Inseminação artificial x fertilização in vitro

Marcello Valle destaca que essas são técnicas completamente distintas. “Na inseminação, apenas preparamos o sêmen e o colocamos dentro do útero”, diz.

“Já na fertilização in vitro, realizamos a coleta dos óvulos e do sêmen, fertilizamos cada óvulo com um único espermatozoide em laboratório, acompanhamos o desenvolvimento inicial do embrião – por 2 a 6 dias – e finalmente colocamos o embrião dentro da cavidade uterina também através de um cateter”, destaca o especialista em Reprodução Humana. Confira a demonstração:

Depoimentos de quem já fez inseminação artificial

Naiane Melo, 29 anos, bancária, conta que, alguns anos após ter tido 2 abortos, procurou um especialista para ver a possibilidade de inseminação artificial, já que ela e o marido queriam muito ter um filho. “Tentei três ciclos seguidos e, agora no último, recebi a boa notícia! Foi tudo muito tranquilo e estou grávida de 13 semanas”, diz.

Já no caso de Tamara Falcão, 31 anos, secretária, a inseminação artificial não foi o suficiente e ela e o marido tiveram que apostar na fertilização in vitro (FIV). “Nos 2 primeiros anos de casamento, eu já não utilizava nenhum método contraceptivo e não controlava meu período fértil. Sem conseguir engravidar, passei a me preocupar”, relata.

Com ajuda médica e exames, Tamara conta que ela e o marido foram encaminhados a um especialista em Reprodução Humana para tratamento de coito programado, por cerca de 6 meses. “Não conseguimos engravidar, partimos para mais algumas séries, com injeções mais fortes, por mais 4 meses. Sem sucesso, em janeiro de 2013, decidimos pela inseminação artificial, e mais uma vez o resultado foi negativo”, conta.

A última aposta foi a FIV e, numa segunda tentativa, finalmente, o resultado foi positivo, para a alegria do casal. “Foram muitas tentativas, mas posso garantir que valeu a pena. Ainda bem que hoje existem esses tratamentos que podem ajudar os casais que precisam de uma ‘forcinha’ para realizar o sonho de serem pais”, finaliza a moça que hoje já é mãe.

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Agora você já tem boas informações sobre a inseminação artificial, mas vale lembrar que somente um profissional poderá indicar qual é o tratamento indicado para um casal que esteja com dificuldades para engravidar.

Dessa forma, se este for o seu caso, não hesite em procurar ajuda médica e se informar sobre os tratamentos que existem com esse objetivo.

Assuntos: Gravidez

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