Guia de vinhos para iniciantes: saiba como apreciar a grande variedade de rótulos

Sommeliers dão dicas para que mesmo quem não entende nada de vinho consiga harmonizar diferentes tipos de espumantes, brancos e tintos

Escrito por Tais Romanelli
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Quem deseja explorar o magnífico e delicioso mundo dos vinhos deve começar “do zero”, entendendo melhor o que é esta bebida que, com sua grande variedade, agrada a maioria das pessoas.

O vinho é obtido pela fermentação alcoólica do mosto da uva sã, fresca e madura, e que resulta em uma graduação alcoólica de 8,6% a 14% em volume. A fermentação, por sua vez, é um processo biológico natural que ocorre quando a levedura (micro-organismos que se encontram na fruta) transforma o açúcar da uva em álcool (vinho) e anidrido carbônico (as bolhinhas ou borbulhas).

O anidrido carbônico – se foi aproveitado ou devolvido à natureza – é que define se o vinho será espumante (com bolhinhas) ou tranquilo (como são chamados os sem bolhinhas).

Vale destacar que a uva é a única fruta que dá origem ao vinho. Embora, popularmente algumas pessoas falem em vinho de laranja, vinho de jabuticaba, vinho de abacaxi etc. , a Lei nº 7.678/1988 – Lei do Vinho – protege esse termo, reservando-o exclusivamente ao resultado da fermentação da uva. As outras bebidas só podem ser chamadas de fermentados (fermentado de laranja, fermentado de jabuticaba, fermentado de abacaxi), mas nunca de vinho.

13 tipos de vinhos e como harmonizá-los

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Diferentemente do que muita gente pensa, não é necessariamente a uva que dá nome a um vinho. “Ele pode ser classificado por diversos fatores (fino/de mesa, seco/doce/demi-sec, tranquilo/espumante/fortificado etc.), e cada uma dessas categorias, de certa forma, dá ‘nome’ ao vinho”, explica o sommelier Maurício Roloff, do Instituto Brasileiro do Vinho (Ibravin).

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“Usar o nome das uvas para nomear um vinho é um tipo de categorização. Vale para os rótulos varietais, ou seja, que usam prioritariamente uma variedade de uva – Cabernet Sauvignon, Merlot, Chardonnay, etc. Mas os vinhos também podem ser de corte (que usam diferentes uvas numa mesma garrafa), e nem por isso eles ficam sem nome”, destaca o sommelier.

Abaixo você conhece melhor diferentes tipos de vinhos (entre espumantes, brancos e tintos) e confere dicas das sommelières Carolina Corrêa Ribeiro, da Adega Canto do Vinho (Vitória – ES), e Ana Paula Pereira, de Campinas (SP), e do consultor de vinhos do Verdemar, Carlos Arruda, sobre como harmonizá-los da melhor maneira possível. Afinal, vinho e gastronomia sempre andaram de mãos dadas!

ESPUMANTES

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1. Brut

“É um espumante complexo, com excelente acidez, aromas de frutas secas e um leve toque cítrico. Em sua produção geralmente são utilizadas as uvas: Chardonnay, Riesling, Pinot Noir, Glera (Prosecco), Semmillon, e para champagne, Pinot Meunier. Mas isso não impede que sejam utilizadas outras uvas como Malbec e Sauvignon Blanc”, diz Ana Paula.

Teor de açúcar: o teor de açúcar não ultrapassa 3,1g/l.

Como servir: de acordo com Carolina, a forma correta de servir espumante ou Champagne (esse apenas quando produzido na região de Champagne, na França) é com uma temperatura de 6°C a 8°C. “A taça adequada é que chamamos de flute ou flauta, para que se possa preservar por mais tempo sua perlage. Seu armazenamento deve ser feito em ambiente longe de luz e calor, preservando assim a qualidade da bebida”, diz.

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Harmonização: churrasco, feijoada, canapés, saladas, risotos neutros (queijo, frango), frutos do mar. Carolina destaca que os espumantes são verdadeiros curingas para harmonização, capazes de acompanhar bem a maioria dos pratos. “O lado gastronômico dos espumantes se dá principalmente à sua acidez, pois dá estrutura ao vinho, aumenta a salivação e destaca o sabor dos alimentos. Eles acompanham desde frutos do mar, embutidos, risotos, bem como carnes de todos os tipos. Ideal para climas mais quentes, como o nosso. Ideal para momentos de confraternização, como casamentos, aniversários etc.”.

Sugestões de vinhos: Cave Geisse Blanc de Blanc Bru; Giuseppe Garibaldi Brut.

2. Brut Rosé

“Geralmente produzido apenas com uvas tintas, os espumantes rosés apresentam frescor, baixo teor de açúcar, aromas intensos de cerejas, rosas e violetas”, diz Ana Paula.

Teor de açúcar: o teor de açúcar não ultrapassa 4,0g/L.

Como servir: Carolina destaca que o Brut Rosé tem as mesmas características do Brut. Sua temperatura, forma de armazenamento e taça são as mesmas.

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Harmonização: Bobó de camarão, camarão, salmão. De acordo com Carolina, eles harmonizam com diversos pratos, como feijoada, por exemplo.

Sugestões de vinhos: Rio Sol Rosé.

3. Moscatel

“Os vinhos produzidos com a uva moscatel geralmente apresentam um teor de açúcar mais elevado, com aromas de frutas como pêssego, abacaxi, maça verde e lichia. Também apresentam citrínos e um toque floral (que varia de acordo com terroir)”, diz Ana Paula.

Teor de açúcar:teor de 60,1%. Doce.

Como servir: “a forma correta de servir espumante é com uma temperatura de 6°C a 8°C. A taça adequada é que chamamos de flutê ou flauta, para que possa preservar por mais tempo sua perlage. Seu armazenamento deve ser feito em ambiente longe de luz e calor, preservando assim a qualidade da bebida”, destaca Carolina.

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Harmonização: Pudim de leite, pannacota, sorvete de creme, patê de fígado de ganso. Carolina acrescenta que é ideal para acompanhar sobremesas, como sorvete de creme com calda de frutas vermelhas, creme de mamão com cassis. E para momentos de confraternização, como casamentos, aniversários etc.

Sugestões de vinhos: Cave Amadeu Moscatel.

BRANCOS

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4. Chardonnay

Uma das uvas mais populares do mundo, é produzida em diversas regiões. Seu caráter versátil e a facilidade de seu cultivo explicam o porquê de ela ser tão disseminada.

Teor de açúcar: o teor de açúcar gira em torno de 3,5 g/l, sendo considerado seco.

Como servir: Carolina orienta servir na temperatura entre 10°C a 12°. “A taça ideal para vinho branco é a de corpo menor que a usada para o tinto, pois deve ser consumido gelado, e, portanto, em recipiente menor, permite menos troca de calor com o ambiente. Seu armazenamento deve ser em local longe de luz e calor”, diz.

Harmonização: Queijos, massas de molho branco, risotos neutros (queijo, frango), lombo de porco. Carolina explica que ele harmoniza muito bem com frutos do mar em geral, como risoto de camarão, filé de peixe grelhado, ostras gratinadas etc. “Os brancos no geral são excelentes para o clima do Brasil, pois sua temperatura é mais baixa. Pode ser tomado no dia a dia, bem como em ocasiões especiais, como casamentos e festas feitas durante o dia”, diz.

Sugestões de vinhos: Dona Lucia Gran Reserva Chardonnay.

5. Sauvignon Blanc

A sommelier Ana Paula explica que os vinhos produzidos com a uva Sauvignon Blanc são bem conhecidos por sua acidez, que remete um excelente frescor e seus aromas minerais, vegetais e toques frutados que variam um pouco de acordo com a região.

Teor de açúcar: podem ser encontrados nas versões seco (4,0g/L); meio seco, meio doce ou demi-sec (15,1g/L) e doce ou suave (25,1g/L).

Como servir: de acordo com Ana Paula, o Sauvignon Blanc é um vinho indicado para clima quente por ser fresco e a temperatura de serviço ser mais baixa.

Harmonização: peixes grelhados, frango assado ao molho de maracujá, lombinho suíno, camarão com gengibre, quiche de alho-poró, comida tailandesa, queijo de cabra e comida japonesa. Arruda destaca que acompanha bem ostras, frutos do mar, pratos picantes da cozinha oriental, sashimis e sushis.

Sugestões de vinhos: Viña Mar Reserva Sauvignon Blanc (seco); Angaro Sauvignon Blanc (suave).

6. Moscato

“A uva moscato, moscatel ou muscat é bem interessante, tem algumas variações e é bem aromática. Ela produz vinhos secos raros, vinhos de sobremesa e seu principal destino no Brasil é para a produção de espumante doces. Dependendo da região seu nome muda, como, por exemplo: Moscatel Branca, Moscatel da Alexandria ou de Setubal, Zibibbo ou Moscatel Gorda Branca, Moscatel Rosa, Muscat Rosé ou Muscat Rouge, Moscatel Negra, Black Muscat, ou Moscatel de Hamburgo , oscatel Laranja, Moscatel Flor de Laranja, ou Moscatel de Jesus e Moscatel Ottonel”, explica Ana Paula.

Teor de açúcar: podem ser secos, doces ou suaves, espumantes doces e frisantes.

Como servir: “a temperatura de serviço para vinhos brancos secos ou meio secos varia entre 6º e 12º. A taça é a bordeaux. Para espumantes, temperatura de 4º a 10º, taça flute ou tulipa. Os vinhos e espumantes devem ser armazenados em adega climatizada ou local com temperatura constante”, diz Ana Paula.

Harmonização: saladas, peixes leves sem molhos, frutas, salmão cru, pratos apimentados, sobremesas com frutas frescas e secas.

Sugestões de vinhos: Frisante Moscato D’Asti – Itália; Espumante Casa Valduga Reserva Moscato; Casa Perini Jota Pe Moscato Seco.

7. Riesling

Os vinhos mais famosos produzidos com a uva Riesling, de acordo com Ana Paula, originam da França (Alsace), Alemanha (Rheingau) e Áustria. “Normalmente são complexos e aromáticos, tendo como principal característica o aroma mineral (querosene). Mas, também encontramos vinhos simples com aromas florais como os produzidos com riesling itálico e geralmente secos.”

Teor de açúcar: podem ser seco ou doce. “Teor de açúcar entre 4,0 e 25,1 dependendo do estilo, pois na Alemanha e na Áustria se produz os Trokennbeerenauslese, vinho que possui o maior teor de açúcar da categoria Prädikatstswein”, explica Ana Paula.

Como servir: Carolina orienta servir com temperatura de 8°C a 10°C, com uma taça um pouco menor do que a usada para os tintos, devido à temperatura.

Harmonização: “ideal para carnes brancas em geral. Harmoniza bem com sushis, sashimis, moqueca capixaba, entre outros. Um vinho para ser tomado em ocasiões festivas ou em um simples almoço de domingo”, diz Carolina. Arruda acrescenta que os Riesling acompanham muito bem frutos do mar, peixes frescos ou defumados, carnes brancas, queijos duros.

Sugestões de vinhos: Vinho Alemão Anselmann Riesling Trocken; Volratz 1953 – Alemanha; Hugel & Fills Riesling.

TINTOS


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8. Pinot Noir

Arruda explica que Pinot Noir é uma elegantíssima uva tinta originária da fria Borgonha, no norte da França, onde se produzem vinhos sutis, complexos, longevos e de alto preço. “São vinhos de cor leve, delicados, ditos femininos, sempre secos”.

Teor de açúcar: seco.

Como servir: Carolina orienta servir de 14°C a 18°C, e a taça ideal é a de formato balão.

Harmonização: “ideal para se comer com coq au vin, massas, carnes não muito fortes. É um dos poucos tintos que harmonizam bem com frutos do mar, pelo fato de, no geral, se tratar de um vinho leve. É uma boa uva par quem está iniciando no mundo dos vinhos, e também uma boa opção de tinto para dias mais quentes”, diz a sommelier.

Sugestões de vinhos: Vinho Chileno Casa Viva Pinot Noir; Vinho Argentino Tinto Trapiche Pinot Noir; Côtes de Beaune; Nuit-Saint-Georges; Gevrey-Chambertin; Échezeaux; La Tache; Romenée-Conti.

9. Merlot

Arruda explica que esta aveludada uva tinta é nativa de Bordeaux, na França, e faz par com sua prima Cabernet nos famosos tintos ali originados. “Porém, vinhos de Merlot, sozinha ou mesclada com outras uvas, são sempre macios, agradáveis, saborosos e convidativos”.

Teor de açúcar: o teor de açúcar é no máximo 4,0g/L. Seco.

Como servir: “servir na temperatura de 14°C a 18°C, utilizando de preferência a taça bordeaux, que é ideal para abrigar vinhos mais encorpados e ricos em tanino”, diz Carolina.

Harmonização: massa com molho de azeitonas, carne vermelha grelhada, caldos e cremes, pizza com cobertura à base de carne. De acordo com Carolina, harmoniza bem com carnes como rosbife, medalhão de mignon etc. É um vinho ideal para o dia a dia e também para ocasiões especiais.

Sugestões de vinhos: Dona Lucia Reserva Merlot; Château Pétrus.

10. Cabernet Sauvignon

A uva Cabernet Sauvignon produz vinhos de alta qualidade e é o resultado do cruzamento das uvas Cabernet Franc e Sauvignon Blanc, conforme explica Ana Paula. “Possui produção em praticamente todo o mundo, tem taninos marcantes, cor rubi intenso, aromas complexos de frutos como ameixa e cassis, algumas vezes, de azeitona, amora silvestre e pimentão.”

Teor de açúcar: teor de açúcar geralmente de 4,0g/L. Seco.

Como servir: Carolina orienta servir em taça bordeaux, em temperatura de 14°C a 18°C.

Harmonização: churrascos, massa ao molho de funghi, carnes estruturadas. Carolina indica combiná-lo com carnes com molhos vermelhos, queijos mais curados etc.

Sugestões de vinhos: Chateau St. Michelle Indian Wells Cabernet Sauvingnon.

11. Cabernet Franc

Cabernet Franc é uma das progenitoras da Cabernet Sauvignon, porém, apresenta menos corpo (taninos), apresentando mais leveza e harmonia. Aromas de frutas tropicais e especiarias que se diferem de acordo com o terroir”, diz Ana Paula.

Teor de açúcar: geralmente de 4,0g/L. Seco.

Como servir: servem-se bem frescos em taças médias de bojo largo, de acordo com Arruda.

Harmonização: Arruda acrescenta que seus sabores frescos e terrosos são ótimo acompanhamento para carnes de aves domésticas e de caça, vitelo, peixes de couro, embutidos finos e terrines típicas.

Sugestões de vinhos: Perez Cruz Carbenet Franc Limited Edition.

12. Syrah

A uva é originária da França, mas se destacou mesmo na Austrália, tornando-se a uva emblemática do país. “Também cultivada em outros países, é conhecida por sua estrutura e aromas que remetem especiarias. Um fato curioso é que a Syrah tem se destacado bem no Vale do São Francisco, no sul de Minas Gerais, e em São Paulo, na cidade de Espírito Santo do Pinhal, com vinhos diferentes que já foram premiados, como exemplo temos o Guaspari Vista do Chá”, diz Ana Paula.

Teor de açúcar: teor de açúcar não ultrapassa 4,0g/L. Seco.

Como servir: Carolina orienta servir em taça bordeaux, com temperatura de 14°C a 18°C.

Harmonização: filé a poivre, cordeiro assado, hambúrguer de picanha com molho barbecue e outras carnes. Arruda acrescenta que acompanham principalmente aves, assadas ou em molhos de cogumelos. “Seus sabores picantes apontam para pratos com especiarias”.

Sugestões de vinhos: Elderton Barossa Shiraz; Guaspari Vista do Chá.

13. Tannat

“Originária do sul da França, a Tannat se adaptou melhor no Uruguai, mais necessariamente nas regiões de Canelones e San José; no Brasil, na Serra Gaúcha e Campanha. Possui grande intensidade de cor e aromas intensos de frutas escuras e chocolate. Cardiologistas a recomendam pelo grande nível de antioxidantes”, destaca Ana Paula.

Teor de açúcar: menor que 4,0g/L. Seco.

Como servir: usar taça bordeaux e servir com temperatura de 14°C a 18°C.

Harmonização: ideal para churrasco, carnes condimentadas e com gordura. Bom para tempos mais frio, de acordo com Carolina.

Sugestões de vinhos: Vinho Don Pascual Tannat.

O sommelier Roloff ressalta que, para combinar vinhos com uma ocasião específica, vale o mesmo raciocínio que se faz com comida. “Situações mais leves e informais pedem rótulos mais descontraídos, enquanto encontros formais ou sofisticados requerem vinhos complexos. O mesmo vale para o contrário: um jantar de pratos elaborados vai casar melhor com vinhos estruturados, brancos ou tintos, dependendo da receita a ser servida. A lógica também se aplica à estação do ano. No verão, sempre se buscam produtos refrescantes, enquanto que no frio a pedida são os tintos mais encorpados ou brancos que funcionem bem com caldos, cremes ou tábuas de queijos”, diz.

Vinhos: referência teor de açúcar

Entenda como funciona a classificação do vinho relacionada ao teor de açúcar, de acordo com a cartilha Vinhos do Brasil – Qualidade na Taça:

  • Seco: até 4g/L
  • Meio seco/demi-sec: de 4g/L a 25g/L
  • Suave: acima de 25g/L

Espumantes: referência teor de açúcar

Os espumantes também são divididos em categorias de acordo com a quantidade de açúcar por litro de vinho. Porém, os padrões usados para classificar esses produtos são diferentes dos aplicados aos vinhos tranquilos.

  • Nature: até 4g/L
  • Extrabrut: de 4g/L a 25g/L
  • Brut: acima de 25g/L
  • Sec/Seco: de 15g/L a 20g/L
  • Demi-sec/ Meio seco/ Meio Doce: de 20g/L a 60g/L
  • Doce: acima de 60g/L

Dicas básicas que todo apreciador de vinhos precisa saber

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Abaixo, Roloff explica como armazenar, abrir e servir o vinho, entre outras informações importantes para quem é ou quer se tornar um bom apreciador de vinho.

Como armazenar?

“O mais importante ao guardar vinhos em casa é mantê-los em um lugar com pouca variação de temperatura, de preferência em torno dos 15ºC. Então, se o armário onde ficam as garrafas está exposto ao sol ou em cima do fogão, melhor transferi-las para outro armário, mais arejado. Se não tiver nada assim em casa, vale investir numa adega climatizada”, explica o sommelier Roloff.

Como abrir e servir?

“Busque um saca-rolhas simples, o chamado dois estágios ou duas fases, pois é fácil de usar e cabe em qualquer gaveta, ou mesmo no bolso. Para evitar pingos, há alguns acessórios chamados corta gotas que ajudam, ou você pode usar um guardanapo mesmo: dobre o papel em triângulo e envolva o gargalo, torcendo as pontas para firmar na garrafa. Para espumantes não é necessário saca-rolhas, mas, cuidado com a abertura, pois ao soltar a rolha ela pode saltar da garrafa, devido à pressão. Em relação a quantidades, os brancos e tintos devem ocupar até um terço da taça. Espumantes podem preencher até metade ou dois terços do cálice (respeitando os modelos indicados para cada tipo de produto)”, explica o sommelier.

Como e por que decantar?

A decantação tem a função de acumular os sedimentos que podem ter se formado num vinho ou deixar um líquido que passou muito tempo engarrafado respirar brevemente antes do serviço. “Ou seja, se reserva a rótulos mais antigos, que passaram por envelhecimento. O instrumento para isso é o decanter, garrafa de bojo amplo que aumenta a superfície de contato do vinho com o ar. Basta transferir a bebida lentamente para o decanter com cuidado e dar tempo à aeração. Esse tempo vai depender do tipo de vinho e da sua maturidade”, destaca Roloff.

Como pedir vinho em um restaurante?

O sommelier destaca que vinho bom é aquele que a gente gosta. “A dica para não errar é buscar referências já conhecidas, principalmente entre os iniciantes. Mas uma das maiores diversões do mundo do vinho é descobrir novos rótulos. Então peça ajuda ao garçom, maitre ou sommelier. E não se preocupe em gastar muito. Não é o preço que faz um vinho ser melhor ou pior. Apenas obedeça seu gosto pessoal”, diz.

Como calcular a quantidade de vinho para um jantar ou evento maior?

Roloff explica que depende muito do perfil dos convidados e do evento. “Em banquetes e coquetéis para muitas pessoas, o indicado é uma garrafa para cada seis ou sete pessoas. Jantares mais intimistas, com amigos e familiares, costumam consumir mais garrafas”, destaca.

Os países que produzem os melhores vinhos

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Conheça um pouco mais as particularidades dos principais países que produzem vinhos:

Chile

O Chile é um grande produtor de vinho e, conforme destacam Marcos Marcon e Bruno Cidade Neves, editores do Vem da Uva, apresenta várias regiões com diferentes particularidades. “O mercado chileno chamou a atenção com a variedade Carmenère que se extinguiu na Europa, e reapareceu no Chile há anos atrás. A partir de então, eles passaram a diversificar sua produção e grandes vinícolas apareceram.”

São muitas as vantagens encontradas no Chile, de acordo com os editores do Vem da Uva: pela maioria das regiões serem próximas a deserto, os produtores não têm muitas dificuldades climáticas para enfrentarem, não há muita chuva, o que evita doenças fúngicas em suas vinhas. “E, caso achem o clima seco, a irrigação controlada pode ser uma fácil solução. Os terrenos em sua maioria são planos, que facilitam a automação de colheitas e tratos culturais. A sua indústria produz barris, tanques para fermentação, garrafas, logo não necessitam importarem tudo isso para dar seguimento no processo produtivo. Tudo isso além da diferença de carga tributária aplicada. Esses fatores em conjunto fazem com que possam produzir com um menor custo, e, assim, o vinho pode ser mais barato”, explicam.

França

Os vinhos franceses possuem muito tempo de mercado e história. “São mais de 500 anos produzindo vinhos para o mundo todo, o que faz com que estes sejam referência”, dizem os editores do Vem da Uva.

“Um diferencial de seus vinhos são as quantidades. Apesar da maioria das variedades ser originária deste país, como a Pinot Noir na Borgonha, a Cabernet Sauvignon em bordeaux, eles subdividem cada região em regiões menores, e cada região dessa menor possui várias pequenas propriedades que dividem sua produção em várias linhas, o que leva alguns produtores a produzirem apenas 1000 garrafas de um único vinho em uma safra boa. Como todos procuram os vinhos franceses, e você anuncia apenas 1000 garrafas de um vinho com cuidados específicos, de uma região que é referência, a grande procura eleva o preço”, explica Marcon.

Quanto a vinhos típicos, de acordo com Neves, são inúmeros. “Mas você deve saber que as principais regiões produtoras são: Bordeaux, Bourgogne e Champagne; depois há outras regiões importantes para o país, como Alsace, Vale du Loire, Provence, por exemplo.”

“Em Bordeaux, geralmente você encontrará os vinhos tintos provenientes de assemblages entre Cabernet Sauvignon, Merlot, Cabernet Franc, alguns com Malbec e Petit Verdot. Quanto aos brancos, de uvas como Sémillon e Sauvignon Blanc”, explica Neves.

“Em Bourgogne, os tintos de Pinot Noir e os brancos da sub-região de Chablis, onde encontram-se os Chardonnay mais renomados no mundo. E Champagne dispensa apresentações!”, acrescenta Neves.

Alemanha

Na Alemanha, as principais regiões produtoras encontram-se mais ao nordeste do país, onde divide fronteira com a Alsácia, região produtora de alguns vinhos na França. “Dos vinhos alemães, pode-se destacar os vinhos da variedade Riesling e Gewüztraminer, que são brancos. Na Alemanha também se produz o Ice Wine, geralmente de Riesling”, explica Marcon.

Portugal

Portugal se diferencia pelas inúmeras variedades encontradas no país, e também por importantes regiões produtoras, como o Vale do Douro, Alentejo e outros. Dentre seus vinhos mais conhecidos estão os Vinhos do Porto e o Vinho Verde, de acordo com os editores do Vem da Uva.

Brasil

A história vitivinícola brasileira data do século 16, apesar disso, pode-se dizer que a produção moderna dos vinhos brasileiros e seu ingresso no mercado internacional ainda são recentes.

O Brasil conta com 83,7 mil hectares de produção, concentrados em 6 principais regiões: Serra Gaúcha, Campanha, Serra do Sudeste e Campos de Cima da Serra, no Rio Grande do Sul; Planalto Catarinense, em Santa Catarina; e Vale do São Francisco, no Nordeste do país.

Regiões localizadas nos estados de Minas Gerais, São Paulo, Goiás, Espírito Santo e Paraná também têm mostrado potencial como produtoras vitivinícolas.

Devido ao tamanho, à diversidade climática e às condições de solo, o Brasil consegue dar origem a vinhos de grande personalidade.

A história do Champagne

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O Champagne é um vinho espumante elaborado na região de mesmo nome, na França. “Seu processo produtivo consiste na produção de um vinho base, tranquilo, sem borbulhas, com variedades como Chardonnay e Pinot Noir, produzidas naquela região sob regras pré-determinadas. Em seguida, esse vinho é engarrafado junto de novas leveduras para uma segunda fermentação que é a responsável pela formação das borbulhas, através da produção de gás-carbônico que acontece durante esse processo. Esse método de produção é chamado de Champenoise ou Tradicional”, explica Marcon.

De acordo com Neves, o Champagne é um vinho que combina com vários pratos, acompanha desde entradas, saladas, peixes, frutos do mar, pizzas, até sobremesas doces. “O que vale é que, quando o Champagne for Brut, dê-se preferência para pratos como saladas, frutos do mar, entre outros. Quando sobremesas, o Chamapagne deve ser mais doce que a sobremesa em questão”, orienta.

Confira na galeria abaixo exemplos de Champagnes:

Champagne Taittinger Nocturne Sec por R$478,68 na <a href="http://www.todovino.com.br/champagne-taittinger-nocturne-sec-750-ml-1139.aspx/p" target="blank_">TodoVino</a>
Champagne Taittinger Brut Millésimé 2007 por R$568,68 na <a href="http://www.todovino.com.br/champagne-taittinger-brut-millesime-2007-750-ml-1140.aspx/p" target="blank_">TodoVino</a>
Champagne Armand de Brignac Blanc de Blancs por R$ 4.756,68 na <a href="http://www.todovino.com.br/champagne-armand-de-brignac-blanc-de-blancs-750-ml-1254.aspx/p" target="blank_">TodoVino</a>
Champagne Veuve Clicquot Brut por R$329,90 na <a href="http://www.casadabebida.com.br/champagne/champagne-veuve-clicquot-brut/" target="blank_">Casa da Bebida</a>
Champagne Cristal Brut por R$2.499,90 na <a href="http://www.casadabebida.com.br/champagne/champagne-cristal-brut/" target="blank_">Casa da Bebida</a>
Champagne Veuve Clicquot Demi-Sec por R$369,90 na <a href="http://www.casadabebida.com.br/champagne/champagne-veuve-clicquot-demi-sec/" target="blank_">Casa da Bebida</a>
Champagne Veuve Clicquot Brut por R$349,90 na <a href="http://www.casadabebida.com.br/champagne/veuve-clicquot-brut-com-cartucho/" target="blank_">Casa da Bebida</a>
Champagne Montaudon Brut por R$140 na <a href="https://www.wine.com.br/vinhos/champagne-montaudon-brut/prod3170.html" target="blank_">Wine</a>
Champagne Jacquart Rosé Mosaïque por R$260 na <a href="https://www.wine.com.br/vinhos/champagne-jacquart-rose-mosaique/prod14557.html" target="blank_">Wine</a>
Champagne Dom Ruinart 1998 por R$1080 na <a href="https://www.wine.com.br/vinhos/champagne-dom-ruinart-1998/prod4190.html" target="blank_">Wine</a>

Vale destacar que vinhos Espumantes e Moscatel são opções para “substituir” os bruts e extrabruts, no caso de quem não gosta do teor seco, mas aprecia a característica espumante. “Os vinhos espumantes Moscatéis, de processo Asti, Prosseco, podem possuir a leveza e frescor, suavidade que alguns paladares não percebem ainda nos Espumantes Bruts”, finaliza Marcon.

Vinho bom é sinônimo de vinho caro?

Esta é uma dúvida comum entre muitas pessoas. Marcon destaca que vinho bom não é necessariamente vinho caro. “No entanto, há coisas que indicam quando um vinho possui um maior valor agregado. Uma garrafa que irá custar mais caro para a vinícola, rolhas de cortiça, até mesmo as cápsulas, são detalhes que são importantes para algumas vinícolas demonstrarem o cuidado que tiveram na produção de seu vinho, o que pode fazer com que este alcance um valor maior na hora da venda”, diz.

“Contudo há vários estilos de vinho. Há vinhos que são para serem consumidos jovens, que fermentam apenas em tanque de inox, com características mais leves, que não deixam de ser ótimos vinhos, que não possuem nenhum defeito na produção e podem estar em suas refeições diárias… Vinhos encontrados na casa dos R$30, por exemplo. Entretanto, há vinhos mais ‘elaborados’, com períodos de amadurecimento em carvalho e garrafa, produzidos de variedades de difícil cultivo, produções limitadas, que nesse caso são vinhos ‘premiuns’. Podem ser vinhos para guarda de alguns anos no caso dos tintos, que podem ser encontrados a partir dos R$50 até valores astronômicos, como alguns franceses que possuem um valor histórico-cultural agregado, o que o levam a preços inimagináveis, por exemplo”, acrescenta o editor do Vem da Uva.

“Por fim, não vale a regra vinho caro, vinho bom. O que realmente vale é você desconstruir dogmas e arriscar conhecer novos produtores e novos vinhos”, finaliza Marcon.

Lembre-se ainda que vinho é uma bebida para ser degustada. Moderação é palavra-chave. E, se beber, não dirija!

Com informações da cartilha Vinhos do Brasil – Qualidade na Taça

Assuntos: Alimentação

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