Como ajudar uma pessoa com depressão: veja 4 dicas para apoiar quem precisa

Escrito por Ananda Almeida

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É sempre muito difícil ver alguém que a gente ama com algum problema e sentir que não há nada que possamos fazer para ajudar. Ainda mais no caso da depressão, quando a origem da tristeza e do sofrimento da pessoa nem sempre fica clara para nós, a sensação de impotência pode ser ainda mais devastadora.

De fato, em casos de depressão, somente profissionais da área da saúde, como psicólogos e psiquiatras, serão capazes de tratar efetivamente o problema. No entanto, saber como lidar com a pessoa em depressão também é fundamental. Muitas vezes, na ânsia de ajudar, a gente pode, inclusive, contribuir para a piora do quadro.

Estude a depressão

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Ninguém em sã consciência diria a um paciente com alguma doença grave que o problema está em sua cabeça e que basta um pouquinho de força de vontade para que a doença vá embora. No entanto, é exatamente isso que acontece quando o assunto é depressão, sendo que uma das principais culpadas por isso é a desinformação.

É que, apesar de o termo depressão ser bastante conhecido, pouca gente leva em conta que não se trata de uma simples tristeza. Dessa forma, isso afeta a forma como lidamos com a questão. “É importante que todos tenhamos consciência de que a depressão é uma doença como qualquer outra, e não uma fraqueza da pessoa.”, explica a psiquiatra Jacqueline Segre.

Saber mais sobre a doença também é muito importante porque ajuda a diminuir a frustração das pessoas ao redor. Assim, elas descobrem que é normal que um paciente depressivo passe por altos e baixos. Nesse sentido, Jacqueline diz que o psiquiatra pode até mesmo falar com os familiares a fim de dar orientações individualizadas de como é possível ajudar em cada situação.

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4 dicas para lidar com alguém em depressão

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Ser cuidadoso com as palavras já é muito bom no dia a dia. Mas, ao falar com uma pessoa em depressão, essa habilidade é ainda mais essencial, visto que certas coisas ditas com o intuito de incentivar podem desestimular e colocar um peso ainda maior sobre ela. Veja abaixo algumas dicas de como conversar com a pessoa em depressão.

Nunca deixe subentendido que se trata de força de vontade

De acordo com a psiquiatra Jacqueline Segre, uma das coisas que ela mais percebe em seu consultório, tanto de pacientes quanto de seus familiares, é a noção de que a depressão é um sinal de fraqueza. Coloque-se no lugar da pessoa: já imaginou estar doente e ainda se sentir fraco e responsável pelo problema?

“Deve-se sempre entender que aquilo pelo que a pessoa está passando ultrapassa o seu querer”, diz a psiquiatra. Por isso, evite ao máximo frases como “você tem que ser forte”.

Evite dizer o que a pessoa deveria ou não deveria fazer

Muitas pessoas em depressão encontram dificuldade em fazer atividades rotineiras, como tomar banho, trabalhar ou sair com os amigos. Para quem está de fora, pode parecer óbvio que, ao se engajar em uma dessas atividades, a pessoa se sinta melhor. Mas é importante lembrar que estamos falando de uma doença, que não vai passar após uma cerveja com amigos. Por isso, evite sugerir coisas que, “magicamente”, seriam capazes de curar a depressão. A pessoa poderá entender como cobrança e como mais um sinal de que ela é responsável pela própria situação.

Não faça comparações

“Você tem tudo! Uma casa, saúde, pessoas que te amam, não tem motivo para ficar assim. Pense nas pessoas que não tem onde morar ou o que comer”.

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Comparações desse tipo são extremamente maléficas para a pessoa em depressão. Isso porque, ao desconsiderar que a depressão é uma doença, elas fazem com que a pessoa se sinta ainda mais culpada por não estar bem.

Procure ouvir mais e falar menos

Em vez de falar o que a pessoa deveria fazer ou de fazer comparações, que tal tentar ouvir o que a pessoa em depressão tem a dizer? Pode ser que, a princípio, ela não queira dizer nada, mas não tem problema. Só o fato de você mostrar que está disponível e que ela pode contar com você com certeza fará com que ela se sinta bem melhor.

Algumas medidas podem sim ser encorajadas por você, como incentivar a pessoa a procurar ajuda nos casos em que ela ainda não buscou um tratamento. Mas é importante que as conversas tenham sempre um tom de acolhimento, nunca de cobrança.

Incentive a pessoa a procurar ajuda profissional

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Nem sempre é fácil identificar que um ente querido está em depressão, o que costuma gerar muitos conflitos, já que a pessoa passa a ser responsabilizada por seu comportamento. De acordo com Jacqueline Segre, os principais sinais de depressão, que indicam que a pessoa precisa de ajuda especializada, são: desânimo ou apatia, perda de interesse em atividades antes vistas como prazerosas, choro fácil e alteração do apetite ou do sono.

Ao perceber que a pessoa apresenta esses sintomas por mais de duas semanas, tente incentivá-la a procurar ajuda. Aqui vão algumas dicas de como fazer isso:

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  • Converse abertamente: procure entender o que ela está sentindo e questione se não está sendo muito difícil para ela lidar com a situação sozinha, se ela não gostaria de poder contar com a ajuda de um profissional.
  • Coloque-se à disposição: para uma pessoa em depressão, mesmo atividades simples podem parecer bastante complicadas. Por isso, além de sugerir que ela receba ajuda profissional, coloque-se à disposição para ajudá-la a encontrar um médico, agendar a consulta e mesmo para acompanhá-la no dia.
  • Seja paciente: não fique brava caso a pessoa não tope procurar ajuda logo de cara. Muito menos dê a entender que, se ela não quer ajuda, será responsabilizada pela situação. Tenha paciência, converse sobre os fatores que a levaram a tomar essa decisão e se mostre aberta para quando ela mudar de ideia.
  • Evite cobranças: tente apresentar o assunto de modo que a pessoa perceba que você apenas quer que ela fique bem, e não que esteja esperando algo dela. Deixe claro, por exemplo, que não tem problema se ela não se identificar com determinado profissional e mostre-se aberta para ajudá-la a encontrar alternativas.
  • Na hora de convencer alguém com depressão a procurar ajuda profissional, também pode ser importante apresentar a ela informações sobre a doença. Assim ela percebe que precisar da ajuda de um psiquiatra ou de um psicólogo não é sinal de fraqueza, e sim uma forma de superar o problema.

E quando a pessoa não quer procurar ajuda?

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Também por causa da desinformação, é muito comum que a pessoa em depressão se recuse a procurar ajuda de um profissional. Um dos motivos é que, até pouco tempo, tratar da saúde mental com psicólogos ou psiquiatras era visto pelo senso comum como “coisa para louco”. Por isso, muita gente ainda sente vergonha de frequentar profissionais da área.

De acordo com Jacqueline Segre, uma das formas de incentivar a pessoa a procurar ajuda é justamente apresentando para ela matérias e estudos que a façam entender que depressão é uma doença que, como qualquer outra, precisa de tratamento especializado. “Muitas vezes, o próprio paciente que sofre de depressão se julga fraco por precisar de ajuda, e é justamente o contrário”, diz a médica psiquiatra.

Além de se mostrar acolhedora, outra dica dada por Jacqueline é orientar a pessoa a respeito de centros que possam oferecer ajuda à distância. Ela cita, por exemplo, o Centro de Valorização à Vida, que oferece apoio emocional e prevenção de suicídio sob total sigilo por telefone e de maneira gratuita. Basta ligar 188 de qualquer telefone.

Converse com outras pessoas

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Embora você nunca deva colocar esse peso sobre o paciente com depressão, é normal que as pessoas ao seu redor por vezes também se sintam sobrecarregadas emocionalmente. Mas é importante que elas se preocupem em cuidar da própria saúde mental.

Nesse sentido, conversar com pacientes ou com pessoas que já conviveram com entes queridos que tenham tido a doença pode ser de grande ajuda. Além disso, Jacqueline Segre recomenda que, desde que autorizado pelo paciente, a pessoa converse também com o psiquiatra dele, a fim de pegar mais informações e orientações sobre o caso específico.

Conhece alguém que esteja passando pelo problema? O primeiro passo é se informar sobre a doença para que se possa tomar as decisões mais corretas.

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