Saiba mais sobre a inibição do desejo sexual

O distúrbio pode estar relacionado a fatores como estresse ou percepção negativa do sexo

Por Gisele Macedo Sá
Atualizado em 26/06/2012 15:02
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Foto: Thinkstock

Em um dia você está muito cansada para o sexo. No outro você simplesmente não está a fim. E passam-se semanas e você não procurou seu parceiro e o esquivou quando ele a procurou. De repente você notou que não sente mais vontade de transar. E agora? Será que é apenas uma fase ou um problema sério? Pode ser que você esteja com inibição do desejo sexual, que segundo uma pesquisa do Projeto Sexualidade, do Hospital das Clínicas (Prosex/USP) realizada em 2004, foi a queixa de cerca 8,2% das mulheres entrevistadas.

O psicoterapeuta sexual Marcelo Toniette explica que “a inibição do desejo sexual está relacionada a pouca disponibilidade ou a ausência de uma pessoa em fantasiar ou envolver-se em situações de atividade sexual.” O sintoma mais comum é justamente a desmotivação para o sexo e qualquer situação relacionada a ele.

O psicoterapeuta sexual, do Instituto Paulista de Sexualidade (Inpasex), Oswaldo M. Rodrigues explica que “o desejo sexual é um mecanismo com bases biológicas, mas com modificações e direcionamentos produzidos pelo mundo social e a interação interpessoal ou intersubjetiva”. Isso significa que mesmo sendo um processo biológico, os fatores sociais podem interferir direto neste processo. E quando uma pessoa passa por uma fase problemática como estresse, depressão, perda de alguém, crise no relacionamento ou alguma doença, esses fatores podem desencadear a inibição do desejo sexual.

“O desejo está basicamente associado à sensação de bem-estar, que compreende o equilíbrio entre aspectos psicossociais e físicos. Se essa sensação estiver comprometida, é bem provável que desejo sexual seja prejudicado”, exemplifica Toniette. O distúrbio também pode estar relacionado a uma experiência traumática, como em casos de abusos sexuais. Já as pessoas que receberam uma educação muito rígida, onde sexo foi um tema reprimido, também podem criar uma expectativa negativa em relação ao envolvimento sexual e terem dificuldades de estabelecerem assim o desejo.

Mas é importante ficar atento às suas próprias necessidades e expectativas. Não é porque os outros falam que sentem desejo o tempo todo ou que transam mais, que você precisa suspeitar da sua falta de desejo para o sexo. “É importante considerar que cada pessoa tem uma singularidade e que nem sempre corresponde aquilo que é esperado no geral. Mas se essa dificuldade estiver gerando desconforto, ansiedade ou angústia ou mesmo prejudicando as relações interpessoais, é hora de procurar ajuda profissional”, salienta Toniette. O especialista ressalta ainda que geralmente o paciente só busca ajuda quando é motivado pelo parceiro e dificilmente o faz por conta própria.

O tratamento para a inibição do desejo sexual é baseado na psicoterapia. “A terapia é focada na sexualidade, com base teórica e técnica na psicologia cognitivo comportamental. Costuma ser um tratamento mais longo do que em outras disfunções sexuais, mas em alguns meses o problema pode ser superado”, explica Rodrigues. A psicoterapia sexual visa ajudar o paciente a perceber sua sensibilidade; auxiliar as dificuldades no relacionamento, tanto no aspecto afetivo, quanto no sexual e desenvolver referências sensoriais gratificantes e associadas ao prazer.

É importante buscar ajuda para não gerar problemas como a dificuldade de se relacionar, falta de intimidade ou o rompimento de uma relação. “Com o passar do tempo, a pessoa deixa de perceber sua sexualidade como possibilidade de prazer e, por consequência, esse aspecto da vida dela perde o sentido”, finaliza Toniette.