Bem-estar

Monogamia: será que você é meu e eu sou sua?

Canva

Atualizado em 17.03.23

Eu sou sua e você é meu. Opa, mas será que faz sentido que seja assim? Quem disse que um relacionamento saudável precisa desse jeito? A cientista social Marlienne Teixeira e a psicóloga psicanalista Thaís Machado explicam o que é a monogamia, como ela surgiu e apresentam outras formas de relacionamentos.

O que é monogamia?

A socióloga Marlienne explica que a monogamia é uma forma de relacionamento. A pessoa tem “somente um parceiro, seja por atração romântica e/ou sexual”, isto é, o compromisso e a fidelidade são os principais atributos. Assim, fica evidente que existe um preceito moral e algo é estabelecido como o correto. A cientista social parafraseia a ideia do psicanalista Laplanche, que “afirma que a monogamia não é de forma alguma um arranjo natural, assim como o seu contrário, o poliamor”.

Para Thaís Machado, a monogamia é “uma construção pensada de acordo com as questões políticas e sociais”. Isso porque serve à noção de herança do capitalismo, que exista apenas um herdeiro e o acúmulo de herança. “A relação monogâmica tem algumas premissas problemáticas, como priorizar totalmente o outro, desejar apenas uma única pessoa e amar para sempre”.

Quem começou com essa história de monogamia?

Canva

O antropólogo Kit Opie “fala que a monogamia é um sistema de casamento, não de acasalamento. Ele parte da ideia de que a intenção de tal relação, com o passar dos tempos, foi além da propagação das espécies, cresceu com o desejo de acumular riquezas para futuras gerações”, explica a cientista social.

Publicidade

Segundo Thaís, “a monogamia chega com a colonialidade e também com o cristianismo, questões que estruturam a nossa sociedade e determinam o que é melhor ou não”. Essas formas de organizar o mundo “ensinam como as pessoas devem se relacionar e mostram como o outro, o europeu, impõe seus valores”.

Entretanto, “a modernidade trouxe consigo a evolução de vários conceitos e a quebra total de algumas crenças que antes pareciam inquestionáveis aos olhos dos conservadores”, ressalta a cientista social. Além disso, “quando surge a estrutura organizacional da instituição social, a família começa a se tornar mais diversificada, principalmente a partir da segunda metade do século XX”.

Onde a monogamia coloca a mulher?

Thaís relata que a monogamia está relacionada “às questões de gênero, onde o homem deve ser superior à mulher”. Nesse cenário, constrói-se a dominação do masculino sobre o feminino.

Somado a isso, Marlienne Teixeira explica que “a sociedade ainda impõe incansavelmente como uma mulher deve se relacionar”. Assim, quando ela assume um relacionamento não monogâmico, é muito mais julgada do que o homem.

Outros tipos de relacionamento

Canva

Mesmo que os relacionamentos monogâmicos sejam a maioria, atualmente, as pessoas estão quebrando padrões e assumindo outras formas de se relacionar. Abaixo, entenda melhor o assunto:

Publicidade

  • Amor livre: um movimento que vai contra a posse e a limitação do afeto. Acredita-se que amar também é libertar e entender que a outra pessoa não é um objeto.
  • Relacionamento aberto: no relacionamento aberto, existe um acordo de liberdade em que ambas as partes podem se envolver com outras pessoas”.
  • Poliamor: defende a possibilidade de amar mais de uma pessoa simultaneamente, se houver o consentimento de todos os envolvidos.

Então, quer dizer que todas as pessoas precisam ser não monogâmicas? A ideia não é bem por aí. O importante é saber que a monogamia não é o centro do mundo, há outras formas de relacionamentos. É preciso olhar a sociedade e questionar os padrões para entender como o patriarcado influencia nas estruturas.

Redatora, pesquisadora feminista e futura psicóloga. Gosta de falar de coisa que mexe com a gente e de mexer com gente. Apaixonada pela escrita e pelas diferentes formas de existência. Busca viver e promover a autenticidade de ser.