Dor pélvica: veja as principais causas e tratamentos indicados

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Em 18.06.20

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A dor pélvica crônica pode durar mais de seis meses e afeta uma a cada seis mulheres. Normalmente, as dores estão relacionadas aos órgãos reprodutivos, mas também podem ser consequência de outros fatores físicos, psicológicos e/ou sociais. Conversamos com a ginecologista e obstetra Karina Tafner (CRM-SP 118066) sobre as principais causas e tratamentos indicados. Confira na matéria!

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1. Endometriose

De acordo com a ginecologista, “a endometriose é uma condição em que as células do revestimento interno do útero (endométrio) são encontradas em outras partes do corpo, geralmente na pelve, o que ocasiona dismenorreia (cólicas menstruais).” Outros sintomas também podem ocorrer, como dor na relação sexual, alterações intestinais e urinárias e, dependendo da gravidade, até infertilidade.

Tratamento: em casos mais graves, a avaliação diagnóstica e tratamento pode ser feito por videolaparoscopia. É colocado um aparelho no abdômen, por meio de cortes pequenos, para verificar os locais afetados e, ao mesmo tempo, retirar os focos de endométrio na localização anômala.

2. Cistite intersticial

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É uma inflamação da bexiga que causa dor na região suprapúbica (dor na bexiga). A intensidade da dor e os sintomas variam de caso a caso. Os sintomas podem piorar durante a menstruação e, entre os principais, estão disúria (dor para urinar e no canal da urina), dispareunia (dor durante o ato sexual), urinar várias vezes ao dia e à noite, dor crônica em vulva e urgência miccional.

Tratamento: medidas como tomar muita água, evitar o consumo de alimentos ou bebidas que pioram o quadro e urinar várias vezes ao dia amenizam os sintomas. A dor pode ser controlada com uso de anti-inflamatórios e analgésicos, e tratamentos para depressão e/ou ansiedade e mudança de estilo de vida podem evitar fatores que pioram os sintomas. Com avaliação médica, será indicado o tratamento adequado para cada caso.

3. Síndrome do intestino irritável

Essa síndrome causa desconforto abdominal, dor, diarreia e prisão de ventre durante um período de 12 semanas (consecutivas ou não). Pode ser causada por infecções e processos inflamatórios, níveis elevados de neurotransmissores no sangue ou intestino grosso, contrações exageradas após a ingestão de alimentos gordurosos ou, até mesmo, por depressão e ansiedade. Os sintomas podem piorar ao ingerir comidas gordurosas, cafeína e álcool.

Tratamento: a doença não tem cura, mas os sintomas podem ser administrados com mudanças na alimentação e no estilo de vida. Pode ser tratada com o uso de antiespasmódicos, anti-inflamatórios e, nos casos de dor intensa, com morfina e derivados. Além disso, é importante mudar hábitos alimentares e seguir uma dieta rica em fibras, pois isso ajuda a prevenir as crises.

4. Dor pélvica na gravidez

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A ginecologista explica que algumas mulheres desenvolvem dor pélvica durante a gestação, que pode estar relacionada à gravidez em si ou à disfunção da sínfise púbica. “A disfunção da sínfise gera sintomas desconfortáveis, ​​causados ​​pela rigidez das articulações pélvicas ou das articulações que se movem desigualmente na pelve. As articulações pélvicas ficam rígidas ou menos estáveis, podendo causar inflamação e dor.”

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Tratamento: pode ser feito por meio de fisioterapia, com exercícios para fortalecer os músculos do assoalho pélvico, costas e quadril e exercícios na água. O uso de analgésicos também pode ser indicado pelo médico, pois existem opções seguras para gestante e bebê. Outra possibilidade é tentar controlar a dor com terapias alternativas, que podem incluir acupuntura, hipnose, meditação (atenção plena ou yoga) e terapias complementares, como massagem ou reflexologia.

5. Depressão

Há diversas causas físicas que podem explicar a dor pélvica crônica, e acredita-se que o fator psicológico pode estar relacionado de forma isolada ou concomitante em alguns casos. Isso pode causar prejuízos psíquicos, sociais e físicos, pois a dor pode modificar o convívio e alterar a rotina. Portanto, a dor pélvica crônica é uma condição frequentemente associada à ansiedade, depressão e estresse.

Tratamento: uma avaliação bem feita e o acompanhamento psicológico podem auxiliar no tratamento da dor e melhorar a qualidade de vida. “Além de inibidores da recaptação de serotonina, noradrenalina e gabapentinoides podem ser úteis para o tratamento. No entanto, a dor pélvica que não responde a outros tratamentos pode ser aliviada pela cirurgia”, orienta Karina.

6. Dor musculoesquelética

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Consiste em dor nas articulações, músculos, ligamentos e ossos da pelve, que pode ser causada por anormalidade das articulações sacroilíacas, sínfise púbica, coxofemorais e coccigodinia. Geralmente, é decorrente de doenças degenerativas, infecciosas, inflamatórias, neoplásicas, postura inadequada ou transtornos emocionais.

Tratamento: para aliviar a dor, podem ser administrados anti-inflamatórios não esteroides (AINEs), além de terapia física, psicoterapia e mudanças no estilo de vida. Uma boa postura e exercícios regulares podem ajudar a reduzir a dor pélvica.

7. Nervos presos ou danificados na área pélvica

O nervo pudendo é o principal nervo do períneo e, nas mulheres, está localizado ao longo da lateral da vagina. A dor pode ocorrer em qualquer parte do nervo, se ele estiver danificado ou aprisionado. Outros fatores relacionados à dor pélvica são decorrentes de cirurgias que levam à lesão dos nervos na parede abdominal inferior, como a histerectomia (remoção do útero) e cesariana.

Tratamento: exames de imagem podem ser utilizados para auxiliar o diagnóstico, e o tratamento pode ser feito com fisioterapia pélvica, medicamentos para controlar a dor ou até mesmo cirurgia.

8. Experiências traumáticas

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A dor pélvica crônica também pode estar relacionada ao abuso sexual infantil e pode se estender ao longo da vida, causando problemas de saúde – principalmente os ginecológicos, incluindo falta de interesse sexual. “Mulheres com histórico de abuso, doença mental e problemas de relacionamento podem desenvolver dor pélvica crônica com dispareunia (dor genital durante ou após o sexo)”, alerta a ginecologista.

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Tratamento: nesse caso, “a terapia alternativa ensina técnicas mentais para lidar com a dor, incluindo exercícios de relaxamento e biofeedback (técnica na qual é feita uma tentativa de controlar as funções do corpo, como batimentos cardíacos ou pressão arterial). Além de fisioterapia do assoalho pélvico, terapia cognitivo-comportamental e terapia sexual”, acrescenta Karina.

9. Prolapso de órgão pélvico

Ocorre quando os músculos e ligamentos da região perdem a força e não são capazes de manter os órgão pélvicos no lugar, podendo se deslocar para a região pélvica. Alguns fatores podem causar o seu enfraquecimento, como gestação e parto, envelhecimento e menopausa, obesidade, tosse crônica, fatores genéticos, entre outros.

Tratamento: há algumas opções de tratamento, que incluem exercícios de Kegel (fortalecimento dos músculos do assoalho pélvico), terapia de reposição de estrogênio e pessário vaginal (dispositivo de borracha ou plástico utilizado para apoiar o assoalho pélvico e o órgão prolapsado). Em outros casos, é necessário fazer cirurgia: o médico encontrará a melhor solução para cada paciente.

10. Aderências

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“São áreas de tecido cicatricial que podem ser resultado de uma infecção prévia, endometriose ou cirurgia”, explica Karina. As aderências podem ocorrer em qualquer lugar do corpo, mas são mais comuns nas regiões abdominal, pélvica e no coração.

Tratamento: normalmente, as aderências de desfazem por si mesmas, porém, em alguns casos, é necessário retirá-las por meio de videolaparoscopia ou laparotomia.

Para verificar a causa da dor pélvica, é necessário realizar uma avaliação clínica detalhada, incluindo exames de imagem, que podem auxiliar no diagnóstico. Aproveite e saiba mais sobre as causas da dispareunia e veja tratamentos para a dor associada ao sexo.

As informações contidas nesta página têm caráter meramente informativo. Elas não substituem o aconselhamento e acompanhamentos de médicos, nutricionistas, psicólogos, profissionais de educação física e outros especialistas.