5 sintomas da disfunção sexual que podem impossibilitar o prazer feminino

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Atualizado em 05.11.21

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Atualizado em 05.11.21

A relação sexual deveria ser sinônimo de prazer para mulheres e homens. Contudo, inúmeros motivos podem atrapalhar o desejo e a satisfação do ato, e um deles é a disfunção sexual. Para saber mais sobre o tema, confira abaixo as explicações da psiquiatra Nathalie Fernandes (CRM 167376 – RQE 86261) e da ginecologista Ana Patrícia Nunes (CRM 179949 – RQE 81507).

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O que é a disfunção sexual

Quando se fala de disfunção, fala-se de alterações no funcionamento comum de um órgão. No caso da disfunção sexual, a psiquiatra Nathalie explicou que, “de modo geral, é quando o indivíduo não consegue concretizar a relação sexual ou essa relação é insatisfatória para a pessoa ou para o parceiro”.

Quem atinge?

Segundo a ginecologista Ana Patrícia, o distúrbio pode atingir cerca de 8 a 33% da população e pode estar relacionado à falta de desejo sexual, dor durante a relação, dificuldade para ficar excitada ou atingir um orgasmo e até mesmo insuficiência de lubrificação. A médica afirmou ainda que essa alteração é a “incapacidade ou dificuldade de desfrutar completamente de uma relação sexual, de forma persistente, gerando sofrimento ao indivíduo, por interferência no ciclo de resposta sexual”.

Ambas as médicas afirmaram que as mulheres podem ser afetadas de diversas formas. A psiquiatra Nathalie contou que alguns estudos mostram que “cerca de 10% das mulheres nunca tiveram um orgasmo, 20% sentem dor na relação, 35% nunca procuraram ajuda médica nessas situações, aproximadamente 70% já sentiram ou sentem diminuição do desejo sexual e outras 70% já tiveram relações sem ter desejo”.

Os impactos desses números, por sua vez, refletem no comportamento e na de vida das mulheres. Segundo Ana Patrícia, o surgimento de “quadros de baixa autoestima, depressão, ansiedade, medo e insegurança pode interferir na qualidade do relacionamento, na qualidade de vida e na saúde em geral das pessoas do sexo feminino”.

As profissionais explicaram também que a disfunção sexual feminina pode ocorrer em qualquer faixa etária. Contudo, a psiquiatra Nathalie afirmou que “algumas condições podem interferir, como o pós-parto, a menopausa, o câncer, a diabetes e a depressão”.

Além disso, Ana Patrícia acrescentou que “estudos falam que cerca de 20 a 40% das mulheres entre 18 e 59 anos têm algum tipo de disfunção sexual”. Mas a ginecologista Ana ressaltou que existe a possibilidade desse resultado não ser correto: “a real prevalência pode ser mascarada por conta da sociedade com muitos resquícios do machismo e por ser algo subdiagnosticado que necessita de mais estudos”.

Causas

Quanto às possíveis causas desse distúrbio, a ginecologista explicou que podem ser divididas em orgânicas e não orgânicas. Dentre as causas orgânicas, estão as “síndromes genéticas, que podem envolver tanto malformações da genitália como alterações hormonais, doenças agudas e crônicas, que podem levar a quadros debilitantes como doenças coronarianas, AVC, Parkinson, diabetes, hipotireoidismo, dentre outros, e uso inadequado de alguns medicamentos”, afirmou Ana Patrícia.

Por sua vez, a psiquiatra Nathalie ressalta que “a depressão, a ansiedade, o relacionamento conflituoso, a falta de preliminares, a falta do ritual de sedução, a autoestima baixa, os tabus, o abuso sexual e a repressão sexual” fazem parte das causas não orgânicas da disfunção sexual.

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5 sintomas da disfunção sexual que dificultam o prazer da relação

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Agora que você sabe o que é a disfunção sexual e quais são as suas possíveis causas, é hora de conhecer os sinais desse distúrbio. Confira, a seguir, os principais sintomas listados pelas médicas Nathalie e Ana Patrícia:

  • Ausência de desejo sexual: de acordo com a ginecologista Ana Patricia, esse sintoma se caracteriza pela “ausência de pensamentos eróticos ou fantasias, que levem ao interesse de iniciar o ato sexual”.
  • Incapacidade ou dificuldade de excitação: segundo Nathalie, a excitação “é uma sensação subjetiva de prazer sexual”. Contudo, Ana Patrícia explicou que, no caso da disfunção, a mulher pode “não ter uma resposta sexual satisfatória, mesmo após um estímulo adequado”,
  • Dificuldade ou ausência de orgasmo: é caracterizada pela “incapacidade de chegar a um estado crescente de excitação sexual que culmina em contrações prazerosas na região genital, associadas à sensação de bem-estar”, afirmou Nathalie.
  • Dor antes ou durante a penetração: nesse caso, a penetração pode ser algo extremamente aversivo. De acordo com Ana Patrícia, existe a “impossibilidade de conseguir realizar a penetração por contrações musculares involuntárias ou queimação vulvar”, o que gera muito desconforto.
  • Falta de lubrificação vaginal: pode ocorrer devido a alterações hormonais e até mesmo devido à falta do desejo sexual.

Caso você tenha identificado um ou mais sintomas, não se envergonhe em procurar um(a) médico(a) de sua confiança para investigar as possíveis causas. Priorize sempre seu bem-estar e sua qualidade de vida!

Classificações da disfunção sexual

Justamente por suas inúmeras causas, a disfunção sexual se apresenta de forma diferente para cada pessoa. Por isso, ela pode ser classificada em 4 tipos. Confira abaixo o que as profissionais explicam sobre cada classificação:

Desejo sexual

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De acordo com Nathalie, esse tipo de disfunção diz respeito à diminuição ou ausência do desejo sexual e “daquelas fantasias e tudo o que faz a pessoa pensar e desejar ter uma relação sexual”.

Para Ana Patrícia, “estima-se que 20% das mulheres passem por esse tipo de disfunção”, uma vez que inúmeros fatores podem desencadear essa perda de libido. Contudo, “o uso de algumas classes de medicamentos, doenças crônicas, relacionamento prolongado, estresse, uso de anticoncepcionais, gestação, pós-parto e menopausa podem desencadear essa disfunção”, afirmou a Ana.

Excitação sexual

O tipo de disfunção referente à excitação sexual é caracterizado pela “incapacidade ou dificuldade persistente de iniciar ou manter uma reposta sexual satisfatória até o término da relação sexual”, esclareceu Ana Patrícia. Ambas as médicas explicaram que o processo de excitação diz respeito a alterações fisiológicas, como o aumento da vascularização na genitália, o aumento da lubrificação natural, a expansão vaginal etc., que corroboram para a obtenção do prazer sexual.

A diminuição ou impossibilidade de excitação pode ocorrer tanto por causas orgânicas, como algumas doenças e uso de medicamentos, quanto por não orgânicas, como “traumas, violência doméstica, relacionamento sem afetividade, dentre outros”, explica a ginecologista Ana.

Perturbações do orgasmo

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Conforme a explicação de Ana Patrícia, um orgasmo se caracteriza pelo “estado crescente de excitação sexual que culmina em contrações prazerosas na genitália”. A partir desse entendimento, as médicas contaram que a disfunção sexual referente às perturbações do orgasmo envolve a dificuldade e até mesmo a incapacidade de atingir o ápice do prazer em uma relação, sem envolver dificuldade de excitação.

Para a Ana, essa “é a disfunção mais comum nas mulheres, em torno de 26%”. Nathalie, por sua vez, afirmou que essa disfunção especificamente pode se dividir em dois quadros distintos: “o quadro primário diz respeito à dificuldade para se entregar e relaxar no momento da relação. Já o quadro secundário envolve o uso de drogas, uso de anti-hipertensivo, depressão, diabetes ou alguma questão voltada para a dinâmica do relacionamento, como traições”.

Dor

Segundo a psiquiatra Nathalie, esse tipo de disfunção é caracterizada pela “sensação de dor durante a relação sexual, o que acaba impedindo ou dificultando a sensação de prazer”, por conta do grande desconforto sentido antes ou durante a penetração.

“Essa disfunção (transtorno da dor gênito-pélvica) envolve as entidades conhecidas como vaginismo, dispareunia e vulvodínia”, explicou Ana Patrícia. Além disso, Ana contou ainda que a origem desses distúrbios pode envolver muitas coisas, como “traumas, abuso sexual e condições ginecológicas como endometriose, corrimentos vaginais, atrofia pós-menopausa, etc.”.

A disfunção sexual possui tratamento. Então, consulte um(a) médico(a) de sua confiança caso esteja tendo dificuldade para se relacionar sexualmente. O ato sexual deve ser satisfatório, confortável e prazeroso para você e para seu(sua) parceiro(a).

Como é feito o tratamento

Assim como cada mulher é única, as médicas ressaltaram que o processo diagnóstico de cada paciente também deve ser único. A psiquiatra Nathalie afirmou que “uma boa anamnese e avaliação médica adequada são imprescindíveis para que o tratamento tenha sucesso”. A ginecologista Ana Patrícia acrescentou que o diagnóstico deve “envolver uma equipe multidisciplinar” para ser satisfatório.

As profissionais explicaram que é o resultado diagnóstico que determinará o tipo de tratamento, que pode ser composto de terapia sexual, psicoterapia, fisioterapia, acompanhamento psiquiátrico e, em alguns casos, o uso de determinadas medicações.

Além disso, Ana ressaltou a importância do desenvolvimento diagnóstico: “as disfunções sexuais são condições extremamente comuns, mas, infelizmente, subdiagnosticadas. É preciso conversar mais e disseminar mais informações, para que as mulheres possam vencer as barreiras da sociedade conservadora e sejam bem diagnosticadas, consequentemente tratadas adequadamente”.

Falar sobre sexo ainda é tabu, porém a disfunção sexual, quando não diagnosticada e tratada, causa um significativo sofrimento emocional, que pode desencadear outros distúrbios de ordem psicológica. Não tenha vergonha de procurar ajuda profissional quando achar necessário! Aproveite e saiba o que pode estar causando falta de desejo sexual.

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As informações contidas nesta página têm caráter meramente informativo. Elas não substituem o aconselhamento e acompanhamentos de médicos, nutricionistas, psicólogos, profissionais de educação física e outros especialistas.