A pílula anticoncepcional masculina pode estar próxima

Cientistas americanos descobriram o medicamento durante pesquisa de remédio contra o câncer

Escrito por Carolina Werneck

Foto: Thinkstock

A pílula anticoncepcional, além da função explícita em seu nome, pode trazer diversos outros benefícios para a saúde feminina. Muitos ginecologistas indicam a pílula no tratamento de doenças como a síndrome dos ovários policísticos. Também pode ser eficaz no alívio das cólicas menstruais e ajudar no combate à tensão pré-menstrual.

Excluída a pílula, a mulher ainda pode fazer uso de outros métodos contraceptivos, como os adesivos e as injeções anticoncepcionais. No entanto, todos esses tratamentos estão focados no organismo feminino. Agora, cientistas nos Estados Unidos podem estar próximos à criação da pílula anticoncepcional masculina.

Alguns pesquisadores da Universidade de Harvard, nos EUA, vêm experimentando uma nova substância em ratos – e os resultados são bastante satisfatórios. A substância atua diminuindo a produção de esperma e causando um estado temporário de infertilidade. A melhor notícia é que não houve efeitos colaterais: os níveis de hormônio permaneceram inalterados durante o uso da medicação, a libido também não sofreu nenhum tipo de queda e a fertilidade pode ser restaurada com a interrupção do tratamento.

A pílula, na verdade, já existe?

Há um medicamento fabricado e consumido apenas na China, que atuaria como uma pílula anticoncepcional masculina. Ele é chamado de Nefertil e foi desenvolvido graças aos estudos realizados pelo pesquisador brasileiro Elsimar Coutinho, do Centro de Reprodução Humana da Faculdade de Medicina da Universidade Federal da Bahia (UFB). O método já existe desde a década de 1980, mas não teve sua produção autorizada pelos órgãos de saúde no Brasil.

Este medicamento é produzido a partir de uma substância 100% natural extraída da semente do algodão e denominada Gossipol. Ela atuaria desativando a enzima responsável pela maturação dos espermatozoides e, de acordo com o pesquisador, não alteraria os níveis de testosterona, por exemplo.

Com o uso deste medicamento, um homem que desejasse deixar de ser estéril precisaria cortar o tratamento por cerca de três meses.

A novidade descoberta nos Estados Unidos, por sua vez, age a partir da molécula JQ1, que foi descoberta devido a estudos que estavam sendo feitos em busca de um tratamento contra o câncer. A eficácia da molécula é atualmente testada contra leucemia e tumores de pulmão.

Durante as pesquisas, os cientistas desconfiaram que o composto pudesse ter outras aplicações e iniciaram os testes em ratos. O grande desafio, no momento, é transformar a substância em comprimidos, para que possa ser comercializada em larga escala e permitir a milhões de mulheres ao redor do planeta que, por motivos diversos, não podem tomar a pílula anticoncepcional.

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