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Tipos de cicatrizes pós-cirúrgicas

Diversos fatores podem influenciar no resultado final do procedimento estético

em 05/10/2012

Foto: Thinkstock

“Doutor, como ficará minha cicatriz? Será que terei queloide?” Sem dúvida, esta é uma das questões mais levantadas nos consultórios de cirurgia plástica. Até mais do que a forma da área operada, o paciente se atenta à qualidade da cicatriz, inferindo a ela o sucesso ou não da cirurgia.

Porém, há inúmeros fatores que influenciam a cicatrização. Podemos dividi-los didaticamente em três grupos:

1 – Fatores inerentes ao paciente

Genética: Creio ser este o fator preponderante na cicatrização. Há pacientes que mesmo com condições ruins à cicatrização, evoluem para uma cicatriz de boa qualidade, ao passo que outros, sob as melhores condições, evoluem para o queloide. O queloide, uma cicatriz grossa, em alto relevo, geralmente avermelhada, tem prevalência em negros e asiáticos, o que demonstra nítida influência genética.

Nutrição: Vários fatores nutricionais influenciam na boa cicatrização. Podemos citar as vitaminas A, B, C, cobre, zinco, ferro, ácido fólico. A anemia, a hipoalbuminemia, assim como a falta de vitaminas podem comprometer a boa cicatrização.

Patologias específicas: Há algumas patologias que interferem diretamente na cicatriz. Diabetes, obesidade, doenças do colágeno, distúrbios de coagulação e outras, acabam por interferir no processo cicatricial.

2 – Fatores intra-operatórios

De responsabilidade do cirurgião, os fatores referentes ao ato cirúrgico devem ser minuciosamente controlados. São eles: técnica cirúrgica apurada, qualidade dos fios utilizados, anti-sepsia (limpeza da área operada), sangramento intra-operatório, tensão na cicatriz (toda cicatriz sob tensão excessiva tende ao alargamento).

3 – Fatores pós-operatórios

De responsabilidade do paciente, os fatores pós-operatórios podem comprometer o resultado da cirurgia, mesmo auxiliado por uma genética favorável.

Tensão na cicatriz: a cicatrização é um processo complexo e duradouro. Segue etapas cronológicas independentes da vontade e anseio do paciente. Toda cicatriz ate de 2 meses ainda não está forte suficiente para ser submetida à tração, sem alargar. Esta é a razão porque cada cirurgia tem limitações, como não elevar os braços depois da mamoplastia, não esticar o abdômen depois da abdominoplastia, etc.

Sangramento: O sangramento ativo ou o hematoma podem advir de esforços pós-operatórios. Por este motivo é que não se devem fazer esforços físicos nos primeiros 21 dias.

Infecção: A limpeza e cuidados nos curativos são essenciais para evitar a contaminação da cicatriz em fase inicial.

Medicamentos: alguns medicamentos interferem diretamente no processo cicatricial e devem ser evitados. São exemplos os corticoides, isotretinoína, B-aminopropionitrila, d-penicilamina, colchicina.

Finalizando, a junção destes fatores determinará a qualidade da cicatriz final, que poderá ser a ideal (fina, plana e clara) ou com variações inestéticas (larga, deprimida, elevada, grossa, etc).

Andre Colaneri

é colunista do Dicas de Mulher e especialista em Cirurgia Plástica

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