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Síndrome de Burnout: como identificar e tratar a doença

Problema surge principalmente no ambiente de trabalho e é definido como um desgaste emocional extremo

em 14/09/2017

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O trabalho, as obrigações diárias, as exigências, responsabilidades e a quantidade de afazeres – seja na vida pessoal, na vida profissional ou em ambas – acabam ocupando grande parte do tempo e demandando muita energia. E tudo isso pode acabar rompendo o equilíbrio interno e desencadeando o estresse, que pode surgir em diferentes níveis.

Quando em pequenas quantidades, esse estresse pode ser até benéfico, pois estimula a liberação de adrenalina pelo organismo. Mas, quando é algo maior, pode representar um perigo, já que se torna uma porta para doenças psicológicas e até mesmo físicas, como hipertensão, gastrite, além de ansiedade, raiva, indiferença, depressão e desânimo. Em casos mais sérios e avançados, pode levar a surtos psicóticos ou crises neuróticas.

Além do estresse, existem outros problemas que podem surgir em decorrência desse ritmo intenso de trabalho e acúmulo de tarefas no dia a dia. Um dos mais falados atualmente é a Síndrome de Burnout. Embora estudada nos Estados Unidos desde os anos 70, ela está muito mais evidente nos dias de hoje.

A Síndrome de Burnout surge principalmente no ambiente de trabalho e é definida como um desgaste emocional extremo que vai além do estresse em decorrência do excesso de preocupações, frustrações, atribuições e das pressões profissionais.

E engana-se quem pensa que essa síndrome atinge os menos motivados com o trabalho. Pelo contrário! Ela costuma afetar justamente os mais envolvidos e que mais investem na profissão, como os que trabalham muito ou que interagem constantemente e de forma ativa com outras pessoas – como médicos, enfermeiros, agentes penitenciários, policiais e professores, entre outros. Mulheres com dupla jornada e cuidadores, remunerados ou não, também possuem alto risco para desenvolver a síndrome.

Causas da Síndrome de Burnout

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A psiquiatra Lícia Oliveira, professora da Medcel Cursos preparatórios para residência médica, explica que a tensão emocional é uma das características dessa síndrome, principalmente quando essa tensão é provocada pelo trabalho ou relacionada à vida profissional, gerando estresse e levando a um desgaste físico, emocional e psicológico.

“A doença ocorre em um conjunto de personalidade (genética) e condições ambientais (fatores externos). Obviamente uma pessoa com personalidade mais rígida, que não tolera frustrações, está mais propensa a desenvolvê-la”, alerta.

Quanto às características externas, destaca-se a pouca autonomia no desempenho profissional, problemas de relacionamento com as chefias, problemas de relacionamento com colegas ou clientes, conflito entre trabalho e família, sentimento de desqualificação e falta de cooperação da equipe.

Principais sintomas físicos e emocionais

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A profissional explica também que a sensação de esgotamento físico e emocional são sintomas típicos da síndrome. Esse esgotamento pode levar a pessoa a ter atitudes negativas, irritabilidade, mudanças bruscas no humor, além de ter reflexos no trabalho, como ausências, dificuldade de se concentrar, ansiedade, lapsos de memória, entre outros problemas. Há, ainda, sinais de depressão com baixa autoestima, isolamento e pessimismo.

Ela diz que também podem aparecer ainda alguns sintomas físicos. Os mais comuns são as dores de cabeça e o cansaço constante. E também dores musculares, dificuldade para dormir, suor em excesso, palpitações e problemas gastrointestinais.

Como tratar o problema?

A psiquiatra Lícia explica que o tratamento da Síndrome de Burnout é realizado com psicoterapia, antidepressivos e mudanças no estilo de vida, incluindo prática de atividade física, meditação, entre outras.

A forma como cada um desses tratamentos será conduzido irá depender de cada caso, por isso é necessário que haja uma avaliação individual, bem como um acompanhamento de cada paciente.

Uma novidade que também pode auxiliar no tratamento da Síndrome é o teste farmacogenético. O psiquiatra Guido May, CEO do laboratório GnTech, explica que esse exame traz dados completos sobre como as medicações vão ser metabolizadas por aquela pessoa, aumentando as chances de êxito na prescrição dos medicamentos e, consequentemente, redução dos efeitos colaterais, além da melhora dos sintomas.

O mais importante é não demorar a buscar o tratamento. “Se notar algum sintoma da síndrome, seja ele físico ou emocional, é preciso procurar imediatamente um psicólogo ou psiquiatra para realizar o diagnóstico e conduzir o tratamento”, explica.

5 atitudes que podem ajudar na prevenção da Síndrome de Burnout

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A mudança no estilo de vida é parte importante para que o tratamento funcione. De acordo com a psiquiatra Lícia, algumas pequenas atitudes podem fazer a diferença. São elas:

  • Praticar exercícios físicos;
  • Ter uma alimentação adequada e equilibrada;
  • Incluir na rotina momentos de lazer e relaxamento;
  • Implementar maneiras para que o trabalho não interfira na qualidade de vida;
  • Não se cobrar tanto.

Apesar de simples, é preciso reconhecer a dificuldade de se manter todas essas coisas em dia. Porém com paciência e dedicação, é possível!

Diferença entre estresse, depressão e Síndrome de Burnout

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A profissional esclarece que, apesar das possíveis semelhanças entre estresse, Burnout e depressão, é preciso saber diferenciar cada caso.

O estresse pode ser considerado a soma de respostas físicas e mentais causadas por estímulos externos e que permitem ao indivíduo superar determinadas exigências do ambiente, ainda que gerando desgastes. Já na Síndrome de Burnout o aparecimento dos sintomas ocorre em resposta ao estresse ocupacional crônico, sempre tendo relação com o trabalho. E na depressão, os sintomas como letargia, sentimentos de culpa, falta de prazer e vontade de fazer atividades são direcionados ao contexto geral de sua vida, não apenas ao trabalho.

Agora que você sabe mais sobre a Síndrome de Burnout, esteja atenta aos sintomas e cuide da sua rotina no trabalho!

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