Rinite: conheça as causas do problema e aprenda a se prevenir

Esta é considerada uma das doenças crônicas mais comuns do mundo atualmente, porém pode ser controlada com alguns cuidados no seu dia a dia

Escrito por Tais Romanelli
Foto: Thinkstock

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Nariz “entupido”, coçando e escorrendo… Estes são sinais típicos da rinite – problema que pode acometer homens e mulheres, de qualquer idade e raça.

Atualmente, a rinite é considerada uma das doenças crônicas mais comuns do mundo. Apesar disso, ainda há muita dúvida em torno do assunto. Por exemplo, muita gente desconhece quais são as diferenças entre rinite e sinusite, não sabe como a doença é tratada e nem como evitar uma crise.

Pensando nisso, abaixo você conhece todas as informações sobre a rinite para esclarecer de vez suas possíveis dúvidas!

O que é rinite?

Mário Pinheiro Espósito, doutor em Otorrinolaringologia e docente da Faculdade de Medicina da Universidade de Cuiabá (MT), explica que rinite é uma afecção inflamatória aguda ou crônica da mucosa nasal.

Alexandre de Souza Cury, médico otorrinolaringologista, mestre em Biologia Molecular e docente de Medicina da Universidade Anhanguera Uniderp, destaca que esta inflamação nos tecidos do nariz e de estruturas próximas é decorrente da exposição a um patógeno, como, por exemplo, na rinite alérgica que há a exposição a um alérgeno.

“A rinite é considerada uma das doenças crônicas mais comuns do mundo atualmente”, acrescenta Alexandre Cury. Ainda de acordo com o otorrinolaringologista Cury, a rinite é uma patologia que atinge todas as idades. “Por exemplo, a rinite alérgica tem um pico de incidência na infância e adolescência. Hoje, no Brasil, na faixa dos 6 a 7 anos, ela acomete aproximadamente 25% das crianças e quase 30% dos adolescentes entre 13 e 14 anos”, diz.

Quais são os tipos de rinite?

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Alexandre Cury destaca que, de forma mais geral, se pode dividir a rinite entre:

  1. Alérgica (rinites de origem infecciosa, que podem ser virais, bacterianas e fúngicas);
  2. Não infecciosa (rinites que podem ser irritativa, ocupacional, medicamentosa, hormonal, gestacional, do idoso, do atleta, gustativa, entre outras).

O docente Mário Espósito fala sobre as características de alguns tipos de rinite mais conhecidos:

Rinite alérgica: é desencadeada por alérgenos como ácaros, poeira, fungos (mofos), pelos de cão e gato.

Rinite medicamentosa: ocorre devido ao uso de medicamentos, principalmente os descongestionantes tópicos (gotas que se pinga no nariz) por períodos longos e na maioria das vezes sem orientação médica.

Rinites infecciosas: são causadas geralmente por gripes e resfriados, que são autolimitadas com duração de 7 a 10 dias e, em alguns casos, tratadas com medicações sintomáticas (descongestionantes, analgésicos e anti-inflamatórios).

Rinite vasomotora: ocorre por alterações climáticas ou de temperatura.

O que causa o problema?

Assim como existem diferentes tipos de rinite, são várias as causas desta inflamação nos tecidos do nariz e de estruturas próximas.

Mário Espósito destaca que a rinite pode ser causada tanto por vírus como por bactérias, embora seja manifestada com mais frequência em decorrência de alergia, ou por reações ao pó, fumaça e outros agentes ambientais.

Alexandre Cury explica que, no caso da rinite alérgica, têm-se os alérgenos (pó, ácaros, pólen, pelos de animais) como fatores causadores. Já na rinite medicamentosa, tem-se o uso prolongado de vasoconstritores nasais tópicos. “Na rinite ocupacional, temos os irritantes presentes no ambiente de trabalho”, acrescenta.

Sintomas da rinite

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O otorrinolaringologista Cury destaca que os principais sintomas da rinite são:

  • Obstrução nasal
  • Espirros
  • Prurido nasal (coceira no nariz)
  • Coriza (corrimento líquido nasal)

O doutor em Otorrinolaringologia Mário Espósito explica que a inflamação decorrente da rinite resulta na produção excessiva de muco, gerado pelo acúmulo da histamina, o que ocasiona o escorrimento nasal – sintoma mais típico da rinite. “Pode ainda ocorrer obstrução nasal, espirros, diminuição do olfato, coceira e irritação no nariz”, acrescenta.

Como ela é diagnosticada

Alexandre Cury destaca que para diagnosticar a rinite o médico otorrinolaringologista baseia-se numa boa história clínica com o paciente e em um exame físico adequado.

Mário Espósito acrescenta que, às vezes, podem ser necessários exames complementares, como videoendoscopia nasal, radiografias e tomografias da face, testes alérgicos, dosagem de IgE sérica e específica, rinomanometria, citologia de secreção nasal.

Existe tratamento para a rinite?

O docente Mário Espósito explica que o tratamento da rinite deve incluir higiene ambiental e o uso de medicamentos (descongestionantes, mucolíticos, antialérgicos, solução fisiológica nasal, corticoide nasal). “E nos casos de rinite alérgica pode ser necessário a utilização de vacinas (imunoterapia)”, acrescenta.

Como prevenir uma crise de rinite?

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É preciso evitar sempre as substâncias que desencadeiam a crise de rinite, como os poluentes e as substâncias químicas.

“É necessário saber que o papel mais importante no tratamento da rinite é do paciente e que, às vezes, pequenas medidas trazem grandes resultados”, destaca Mário Espósito. Neste sentido, ele orienta que é fundamental:

Para evitar a poeira e fungos, Espósito orienta:

  • Retire tudo o que pode juntar poeira em sua casa;
  • Tapetes, carpetes, cortinas grossas são locais de alojamento de ácaros e poeira;
  • Os pisos lisos são muito mais fáceis de limpar e não abrigam ácaros;
  • Tapetes finos e pequenos, que podem ser lavados, são mais práticos e menos prejudiciais;
  • Cortinas leves, que podem ser lavadas são as ideais;
  • Passe sempre um pano úmido sobre os móveis e o chão, se possível, diariamente;
  • Deixe os ambientes sempre abertos para arejá-los e para que os raios solares entrem o maior tempo possível.

Rinite x sinusite

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Mário Espósito explica que a rinite é uma inflamação da estrutura do nariz, que causa sintomas como nariz entupido, coriza, espirros e coceira no nariz. “E a sinusite é a inflamação dos seios da face”, diz.

Ainda de acordo com o doutor em Otorrinolaringologia Espósito, a sinusite pode ser aguda, quando os sintomas duram algumas semanas, ou crônica, quando os sintomas são diários.

“Porém, além dos sinais clássicos – nariz entupido, congestão facial, febre, dor de cabeça, catarro amarelado, tosse e alterações no olfato -, se não for tratada, a doença, principalmente a aguda, pode levar também a complicações mais graves. Se o pus chegar aos olhos, por exemplo, eles podem inchar, deixando as pálpebras avermelhadas e irritadas. Fora isso, a secreção pode ainda chegar ao cérebro, causando abscesso cerebral, encefalite e meningite”, destaca.

Vale reforçar que tanto a rinite como a sinusite devem ser tratadas de acordo com orientação médica para evitar complicações. E que, pequenas medidas de prevenção, como, por exemplo, retirar tudo o que junta poeira na sua casa, passar sempre um pano úmido sobre os móveis e o chão etc., oferecem grandes resultados!

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