Quais são os piores tipos de dívida?

Tomar empréstimos não deve ser uma regra: fechar o mês no vermelho e pagar sempre o mínimo da fatura do cartão de crédito são péssimos hábitos financeiros

Escrito por Jenifer Corrêa

Foto: Thinkstock

Falta de planejamento, decisões por impulso, parcelas que comprometem parte significativa do orçamento e juros elevados são alguns dos principais fatores por trás de decisões de empréstimo equivocadas. E haja equívocos! Perto de 20,6 milhões de brasileiros não conseguiram pagar suas contas em dia entre janeiro e outubro de 2013, de acordo com dados da Serasa Experian.

“É preciso sempre analisar a dívida, pensar com calma antes de tomar uma decisão e, principalmente, colocar no papel como o seu orçamento ficará daquele dia em diante”, alerta Emanuella Gomes Xavier, economista e planejadora financeira da WGFP.

Outro ponto importante é que a tomada de crédito não deve virar hábito. Só deve ser considerada em momentos de emergência ou muito bem planejados. Entrar no cheque especial todo final de mês e pagar sempre o mínimo da fatura do cartão de crédito, por exemplo, são práticas financeiras nada saudáveis.

“O cheque especial e o rotativo são as modalidades de crédito que possuem as taxas de juros mais caras do mercado e, caso sejam utilizadas de forma indevida, podem virar uma bola de neve rapidamente. Foram criadas como formas de crédito rápido ao consumidor, mas algumas pessoas acabam utilizando por muito tempo e pagam muitos juros por isso”, explica Leonardo Gomes, planejador financeiro pessoal.

Mas mesmo as opções de crédito mais barato, como o consignado ou o financiamento imobiliário, devem ser contratadas com cautela. O valor das parcelas, com o qual você provavelmente conviverá por muito tempo, tem que caber no seu orçamento com tranquilidade. “As parcelas passam a ser prejudiciais se consumirem 30% ou mais da renda”, alerta o educador financeiro Mauro Calil.

Para não errar, a regra geral é uma só: antes de contratar qualquer tipo de empréstimo, as duas primeiras perguntas que devem passar pela sua cabeça são: “Eu preciso mesmo disso?” e “Eu preciso mesmo disso agora?”. Respondendo sempre com sinceridade, você nunca mais comprará nada por impulso.

Conheça algumas das opções de crédito mais comuns do mercado e veja o que considerar antes de contratar cada uma delas:

1. Cheque especial

Crédito mais fácil de ser obtido e, por isso, um dos mais caros do mercado, é acionado quando sua conta entra no vermelho. Seu uso deve ser uma exceção no caso de emergências, como naqueles meses em que você tomou uma multa ou teve uma despesa médica inesperada. “Quando utilizado para cobrir a conta por um ou dois dias [até cair o salário], pode valer a pena. Mas não vale quando é utilizado por muitos dias”, explica Leonardo.

Taxa de juros mensal: de 8% a 15%

2. Cartão de crédito

Se usado com prudência e planejamento, o cartão de crédito pode ser uma ótima ferramenta financeira. O computador ou a geladeira quebrou e você não tem dinheiro para comprar à vista? Se as parcelas couberem no orçamento sem aperto, dividir a despesa no cartão de crédito sem juros pode ser uma boa solução. O perigo aparece, entretanto, quando você começa a utilizar o crédito rotativo, o que acontece quando em vez de pagar a fatura inteira, você paga apenas o mínimo. Juros altíssimos incidem sobre a quantia que faltou. “Se não puder pagar 100% da fatura, entre em contato com a operadora e negocie”, aconselha Mauro.

Taxa de juros mensal: de 5% a 12%

3. Crédito pessoal

Se você já possui um relacionamento há algum tempo com seu banco, provavelmente possui um limite de crédito pessoal pré-aprovado. Mas cuidado! Só use se realmente precisar. “Pode valer a pena para substituir uma dívida mais cara. Por exemplo, se você está utilizando um valor alto no cheque especial, basta contratar o crédito pessoal e substituir a dívida. Mas cuidado para não continuar entrando no cheque especial mesmo assim”, alerta Leonardo.

Taxa de juros mensal: de 2% a 6%

4. Financiamento imobiliário

Apresenta uma das taxas de juros mais baixas do mercado, mas, ainda assim, não tem milagre. O banco cobra um valor menor para emprestar o dinheiro porque, no caso de inadimplência, toma o imóvel financiado e consegue vendê-lo para cobrir seu prejuízo. Deve ser contratado com uma preocupação adicional com o valor das parcelas, já que o prazo de financiamento que, normalmente, é mais longo. Você não vai querer passar de 10 a 20 anos enforcada até conseguir quitar sua casa própria, vai?

Taxa de juros mensal: de 0,7% a 1,5%

5. Financiamento de automóvel

Assim como no financiamento imobiliário, o automotivo costuma apresentar juros mais baixos, já que o próprio bem é a garantia do empréstimo. Entretanto, ao contrário de um imóvel, o carro não pode ser considerado um investimento, já que já começa a desvalorizar no momento em que sai da concessionária. Além disso, implica uma série de gastos de manutenção, que devem ser considerados no orçamento além do valor da parcela. Mauro recomenda que a melhor opção para comprar um carro é guardar dinheiro para pagar à vista ou fazer um consórcio.

Taxa de juros mensal: de 0 (com 50% de entrada) a 2,5%

6. Crédito consignado

Por ser vinculado ao salário, o risco de inadimplência é baixo e o banco acaba cobrando as menores taxas de juros do mercado. Uma vantagem em relação ao crédito pessoal é a possibilidade de liberação de valores maiores. Mas isso também pode ser um ponto negativo: em vez de emprestar, prefira sempre guardar dinheiro para comprar à vista. Por outro lado, essa pode ser uma luz no fim do túnel para quem está muito endividado. Trocar várias dívidas caras por uma mais barata que caiba no orçamento é uma decisão inteligente, desde que você aperte o cinto e pare de gastar até que a situação se normalize.

Taxa de juros mensal: de 1% a 2,5%

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