7 dúvidas respondidas e cuidados com a pressão alta na gravidez

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Em 13.04.21

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Em 13.04.21

A pressão alta na gravidez pode causar riscos à saúde da gestante e prejudicar o desenvolvimento saudável do bebê. Principalmente porque, na maioria das vezes, os sintomas são silenciosos. Para tirar dúvidas sobre o tema, conversamos com a ginecologista e obstetra Ana Flávia Araújo (CRM-SP 128883), que explicou sobre os sintomas, como cuidar e se prevenir. Acompanhe na matéria!

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Índice do conteúdo:

É normal ter pressão alta na gravidez?

Conforme informações da obstetra, “os dados são bastante controversos, mas acredita-se em uma incidência de 5-10% de todas as gestações. E, destes casos, 25% podem apresentar complicações secundárias à hipertensão gestacional (pré-eclâmpsia, eclâmpsia e síndrome HELLP).”

Sintomas da pressão alta na gravidez

“Em geral, a pressão alta tende a ser assintomática na grande maioria das vezes. Porém, pode apresentar sintomas que podem ser alerta importante na gestação”, informa Ana Flávia. Veja abaixo quais são esses sintomas:

  • Dor de cabeça (cefaleia)
  • Edema
  • Pressão arterial acima de 140x90mmHg
  • Visão embaçada

Quando detectados os sintomas mencionados acima, é importante consultar um(a) obstetra o mais breve possível para a prescrição do tratamento adequado.

É perigoso ter pressão alta na gravidez?

“Sim. Segundo a ONU (WHO, 2011), os distúrbios hipertensivos gestacionais são importantes causas da morbidade grave, incapacidade de longo prazo e mortalidade materna e perinatal”, informa Ana Flávia (1).

Como tratar e evitar pressão alta na gravidez

Sabemos que os cuidados durante a gravidez devem ser redobrados, confira algumas orientações importantes para evitar a pressão alta durante esse período:

1. Controle da obesidade

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“A obesidade (IMC >30) se mostra o fator de risco mais importante, tanto para hipertensão gestacional, como para suas complicações (pré-eclâmpsia e eclâmpsia). Portanto, iniciar a gravidez com peso considerado eutrófico pode diminuir o risco”, aconselha Ana Flávia.

2. Controle de peso durante a gestação

Para a obstetra ter ganho de peso adequado durante a gravidez, conforme o esperado para seu IMC inicial da gestação, pode evitar pressão alta nesse período.

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3. Praticar atividade física

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A profissional orienta que para evitar a pressão alta na gravidez é importante “realizar atividade física durante a gestação e sempre sob supervisão médica.”

4. Cuidados com a alimentação

É fundamental manter uma dieta balanceada durante o período gestacional para a saúde da mãe e o pleno desenvolvimento do bebê. Além disso, conforme orientação da obstetra, “uma dieta rica em cálcio auxilia na diminuição de riscos de pré-eclâmpsia e eclâmpsia, que são mais frequentes em pacientes hipertensas.”

Seguir as orientações e realizar o acompanhamento com o(a) obstetra é indispensável para ter uma gestação tranquila e saudável.

Dúvidas sobre pressão alta na gravidez

A seguir, a obstetra responde as principais dúvidas acerca da pressão alta na gravidez. Acompanhe:

Qual é a pressão normal para uma gestante?

“A definição de hipertensão gestacional é presença de níveis pressóricos acima de 140x90mmHg após 20 semanas de gestação e que persistem até 6 semanas de pós-parto”, esclarece Ana Flávia.

Fatores hereditários podem contribuir para o desenvolvimento da pressão alta na gravidez?

Segundo a obstetra, “para hipertensão gestacional não parece haver fatores hereditários envolvidos, mas estudos mostram que, nos casos das complicações da hipertensão gestacional (pre-eclâmpsia e eclâmpsia), o histórico familiar (mãe, avó ou irmã) pode representar aumento de risco para tais complicações” (2).

A pressão alta durante o período gestacional pode prejudicar o bebê?

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“A pressão alta na gravidez pode promover: restrição de crescimento fetal intrauterino (principalmente nos casos de pré-eclâmpsia abaixo das 34 semanas), diminuição do líquido amniótico (oligoâmnio), descolamento prematuro de placenta e sofrimento fetal por hipóxia (devido à diminuição de fluxo sanguíneo útero placentário)”, aponta.

Existe algum tratamento caseiro para pressão alta na gestação?

“Infelizmente não. Uma vez detectado, em geral, é necessário o uso de medicamentos para controlar a pressão e, em casos mais graves, a internação hospitalar se faz necessária para melhor cuidado com a gestante e o feto”, orienta a obstetra.

O que a gestante deve evitar comer?

“Para pacientes que não eram hipertensas antes da gestação, não há nenhum benefício na dieta com baixa ingestão de sal. Já em pacientes hipertensas crônicas (que já eram hipertensas antes da gestação), o controle de ingestão de sal é benéfico. Porém, em ambas situações, caso a paciente tenha uma ingestão pobre de cálcio ou tenha alto risco para pré-eclâmpsia, o médico pré-natalista deve supervisionar suplementação de cálcio.”

Existem alimentos ou frutas que ajudem a baixar a pressão?

Ana Flávia diz que “infelizmente nenhum alimento auxilia diretamente na diminuição de níveis pressóricos.”

Quando a gestante deve ir ao hospital?

“Quando apresentar sinais de alerta para as complicações da hipertensão gestacional (pré-eclampsia ou iminência de eclâmpsia), como: pressão sistólica > ou igual a 160mmHg e/ou pressão diastólica > ou igual a 110mmHg (situação denominado emergência hipertensiva), dor de cabeça que não responde ao uso de sintomáticos, visão embaçada ou sensação de ‘luzes piscando’, dor em região hipogástrica à direita (região abaixo das costelas – região hepática), edema difuso envolvendo, inclusive, o rosto (principalmente ao redor dos olhos), e náuseas e vômitos”, alerta.

Lembre-se, a realização do pré-natal é extremamente importante para prevenir e/ou detectar potenciais problemas de saúde da mãe e também para o desenvolvimento saudável do bebê. Portanto, cuide-se e aproveite para saber mais sobre anemia na gravidez e como tratá-la.

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