Violência doméstica lidera os inquéritos policiais reportados aos MPs estaduais

Com 12,6% dos casos, a violência de gênero fica abaixo dos crimes contra o patrimônio, que representam 36% do total

Publicado por                                
Em 12.05.22 às 9:30

Canva

Por
Em 12.05.22 às 9:30

O isolamento social imposto pela pandemia de Covid-19 colocou mulheres em risco. Sem contato com parentes e amigos, elas ficaram ainda mais suscetíveis aos abusos de companheiros. Pamella Hollanda foi um exemplo dessa realidade. Em 2021, ela expôs em sua rede social vídeos das agressões físicas que sofria do então parceiro DJ Ivis enquanto esteve grávida.

Publicidade

Mais recentemente, em nível internacional, o caso de Amber Heard voltou à mídia. A atriz denunciou o ex-marido Jonny Depp por violência doméstica no passado e hoje eles travam uma batalha judicial. Depp também acusa Amber pelo mesmo abuso.

Casos como de celebridades são menos comuns na mídia, mas histórias como a de Pamella não, principalmente no Brasil. Saiba os dados constatados pelo Ministério Público (MP) de diversos estados ao olharem para as demandas mais atendidas durante o último ano.

Violência doméstica na mira do MP

Um levantamento sobre as maiores demandas criminais, feito para o “Anuário do Ministério Público Brasil 2022”, mostrou que a violência doméstica representa 12,6% dos casos tratados pelas autarquias estaduais entre 2021 e 2022. Ao todo, são 305.278 casos de mulheres que sofreram algum tipo de violência em ambiente familiar. Nesses casos, é comum que os agressores sejam atuais ou ex-companheiros que não aceitam o fim do relacionamento.

Em relação ao total de inquéritos, os estados com mais casos de violência doméstica reportados são o Pará (48%), Rio Grande do Sul (36%), Espírito Santo (27%) e Bahia (25%). Nesses mesmos estados, esse tipo de abuso é a demanda mais atendida, ocupando o primeiro lugar. O tema só perde para os crimes contra o patrimônio, que representam 36% do total.

A análise dos dados mostrou que, com a pandemia, mulheres passaram mais tempo com seus agressores, o que possibilitou o aumento dos abusos físicos, sexuais e psicológicos, mas também proporcionou o aumento das denúncias.

Entretanto, violências contra a mulher costumam ser subnotificadas devido ao medo, a dependência financeira e a falta de conhecimento sobre os tipos de abuso englobados pela Lei Maria da Penha. Dessa forma, é possível que a real quantidade de casos seja ainda maior.

Como denunciar

De acordo com o Instituto Maria da Penha, o primeiro lugar para se procurar ajuda é o Centro de Referência de Atendimento à Mulher (CRM) ou a Casa da Mulher Brasileira da sua cidade. Caso não haja ou não tenha conhecimento de uma delas, basta telefonar para o Ligue 180. Ele funciona 24 horas, é gratuita e orienta o que fazer nessa situação. Lá também é possível encontrar o CRM mais próximo ou a Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (DEAM).

Se por algum motivo o contato com essas unidades for impedido, uma delegacia comum ou Defensoria Pública pode ajudar. Todas são preparadas para atender legalmente uma mulher em situação de violência e conceder as medidas necessárias para afastá-la do agressor.