Sociedade

Mulheres negras decidem: movimento busca maior representatividade em cargos políticos

Gabrielle Abreu (coordenadora de pesquisa), Beatriz Amparo (coordenadora institucional) e Tainah Pereira (coordenadora política) / FOTO: MAYARA DONARIA

Coordenadoras contam as conquistas e desafios do movimento que luta pela presença de mulheres negras em posições de poder

Em 07.07.22

No Brasil, as mulheres negras representam cerca de 28% da população, segundo a Agência Brasil. No entanto, ainda possuem baixa representatividade, tanto em cargos políticos quanto em outras posições com poder de decisão. Isso foi o que motivou a formação do movimento Mulheres Negras Decidem (MND).

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Gabrielle Abreu, Coordenadora de Pesquisa do movimento, explica que também foi levada em consideração a “urgência de garantirmos espaços seguros para a parcela feminina e negra da população se articular politicamente no Brasil – país líder em casos de violência política de gênero e raça”.

Ao olhar para o cenário político brasileiro, há a confirmação da importância desse movimento, “identificamos o racismo e a misoginia que acomete as mulheres negras que visualizam a política – sobretudo a disputa eleitoral – como caminho possível na luta por direitos e bem viver”, explica Abreu.

Ela chama atenção para o fato de que, embora as mulheres negras sejam o maior grupo demográfico do Brasil, “este número não esteja refletido nas câmaras de vereadores, assembleias legislativas e no Congresso Nacional”. De acordo com dados divulgados pelo MND, nas eleições municipais de 2016 e de 2020, a porcentagem de mulheres negras eleitas, tanto em cargo de vereadoras quanto de prefeitas, não passou de 5%.

Nesse cenário que o MND surgiu em 2018, organizado a partir do programa Minas de Dados, que foi organizado pela Transparência Brasil, numa ação em parceria com o Pretalab e o data_lab. Beatriz Amparo, Coordenadora Institucional, Tainah Pereira, Coordenadora Política, e Gabrielle Abreu, Coordenadora de Pesquisa, explicam: “nosso objetivo era qualificar a discussão sobre a subrepresentação de mulheres negras na política”.

O Mulheres Negras Decidem hoje e no futuro

Parte da equipe do Mulheres Negras Decidem / Arquivo Pessoal MND

Atualmente o MND conta com o envolvimento de mais de 100 mulheres. Além disso, Amparo, Pereira e Abreu, as atuais coordenadoras do MND, explicam: “Também contamos com a dedicação de uma Equipe Executiva formada por oito pessoas – três delas são coordenadoras do Movimento. Participam do MND, ainda, uma ampla gama de profissionais que engloba sociólogas, estatísticas, historiadoras, internacionalistas, comunicólogas”.

Entre as ações desenvolvidas pelo movimento, as representantes explicam que “nossas principais atividades estratégicas envolvem formação política, reposicionamento de temas na agenda pública e pesquisas centradas em dados”.

Para o futuro, elas têm como objetivo “qualificar e promover a agenda liderada por mulheres negras na política institucional, fortalecendo a democracia brasileira e pautando a construção de uma sociedade a partir da ampla participação de mulheres negras na democracia”.

As conquistas do MND

Coordenação atual do Mulheres Negras Decidem / Foto: Mayara Donaria

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As representantes explicam que desde seu início em 2018, O MND “já entregou uma série de produtos informativos, comunicacionais e de capacitação alinhados à missão de multiplicar o legado político de mulheres negras brasileiras”.

Elas destacam a importância do relatório Mulheres Negras Decidem – Para Onde Vamos, uma produção feita em parceria com o Instituto Marielle Franco. Esse relatório foi realizado no contexto de pandemia de Covid-19 e foi elaborado a partir demais de 200 entrevistas com mulheres negras ativistas. A partir disso, foram identificadas quais foram as principais ações desses grupos durante os primeiros meses de pandemia.

Além disso, elas contam que o livro ‘A radical imaginação política das mulheres negras brasileiras’ e a websérie documental ‘Para Onde Vamos’ são dois dos produtos mais recentes e de maior impacto do movimento”.
Nesses dois casos, os produtos foram desenvolvidos por meio de parceria com instituições, o livro em parceria com a Fundação Rosa Luxemburgo e a websérie documental com o Canal Brasil.

Em 2022, relatam que fizeram o lançamento do Estamos Prontas, em parceria com o Instituto Marielle Franco. “Estamos Prontas é uma iniciativa que busca ampliar a presença e participação de mulheres negras na política institucional, influenciando o debate público sobre a importância da presença de corpos negros nos espaços de decisão, multiplicando o legado da agenda programática de mulheres negras e fomentando uma rede nacional e internacional de movimentos e organizações engajados pelo tema”, explicam as coordenadoras.

Principais desafios enfrentados pelo MND

No cenário atual, em que o Brasil é apontado como 2º maior alvo mundial de ciberataques, de acordo com estudo realizado pela empresa Netscout. As representantes do MND explicam que “os principais desafios enfrentados são os ciberataques às organizações sociais através de seus principais canais de comunicação, Desinformação e Violência política de gênero e raça”.

Rede Nacional de Mulheres Negras na Política

O Mulheres Negras Decidem é membro-fundador da Rede Nacional de Mulheres Negras na Política, iniciativa criada em 2020, apoiada pela Fundação Rosa Luxemburgo. Amparo, Pereira e Abreu explicam que “Em torno deste projeto político reuniram-se outras organizações, mandatos e movimentos como a Coletiva Mahin, o Fórum Nacional Marielles e o gabinete da Deputada Áurea Carolina”.

A iniciativa tem como objetivo “seguir mobilizando mulheres negras que atuam para alterar a atual situação de baixa representação de mulheres negras nas esferas decisórias”.

Redes sociais

A maior parte da produção realizada pelo MND, que tem como principal atividade a pesquisa de dados, fica concentrada na plataforma. Além disso, elas contam que as principais formas de divulgação das ações são por meio dos perfis do movimento nas redes sociais Instagram e Twitter. É, inclusive, por meio deles que “muitas articuladoras chegam até nós”, contam.

Além dessas redes, o movimento também possui uma página no Facebook, no Spotify e o canal no Youtube.

Jornalista e produtora de conteúdo. Fã de cultura POP com interesse em Estudos Culturais, tentando acumular o maior número possível de hobbies nas horas vagas.