A moda anos 2000 é para todas as mulheres?

Apesar de estarem nas passarelas de alta costura, a cintura baixa não é uma peça democrática

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Em 26.04.22 às 11:54

Andrea Paterson

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Em 26.04.22 às 11:54

Tendências de moda estão sempre se reciclando, basta olhar as passarelas e o streetwear para ver referências dos anos 2000 por todo lado: sobrancelhas superfinas, boleros e minissaias. Inclusive, isso causou polêmica recentemente quando a atriz e apresentadora Maísa foi ao programa de televisão Altas Horas com uma minissaia da MiuMiu. No entanto, a grande polêmica do momento é a cintura baixa!

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A grande protagonista de looks com cintura baixa é a barriga chapada, exaltando a magreza extrema. Então, vem o questionamento: a quem serve a moda dos anos 2000? No início do século, o padrão de beleza era bem evidente, os grandes ícones eram cantoras como Britney Spears, Beyoncé e Christina Aguilera, ou seja, mulheres altas e magras.

Agora representada por modelos como Bella Hadid, a cintura baixa ficou popular entre ícones das passarelas, mas também entre jovens no TikTok. Toda a estética Y2K, abreviação para the year 2000, ou anos 2000 viralizou na rede de vídeos.

O Dicas de Mulher conversou com Joyce, de 29 anos, que surfou na onda da cintura baixa nos anos 2000. “Aderi à cintura baixa nos anos 2000 porque não havia nenhuma outra opção disponível, ou eu tinha total desconhecimento de outras opções. Todas as lojas só vendiam calças de cintura baixa, eram a tendência do momento e não usá-las era estar fora de moda”, afirma.

Na busca por estar dentro dos padrões estabelecidos, não apenas Joyce, mas muitas mulheres se viram reféns e além disso, as mom jeans, hoje tão populares e muito mais democráticas, não eram sequer uma opção para uma jovem nos anos 2000.

Longe de ser uma peça democrática, ficou marcada literalmente na pele de muitas mulheres. Joyce fala sobre como a peça deformou seu corpo: “Nunca fui muito magra e a cintura baixa acaba por marcar muito meu quadril, deixando em evidência aquilo que, na época, chamava de “culote”. Com o tempo, meu quadril ficou com uma marca, como uma espécie de risco, tanto do lado direito quanto do esquerdo”.

Pensadas para um corpo específico, a cintura baixa obrigava corpos maiores a se sentirem desconfortáveis, já que a peça não comporta mulheres grandes com conforto. Nesse sentido, Joyce acredita que a cintura baixa não é inclusiva, pelo contrário: “Ela faz com que mulheres mid size ou plus size se sintam mal com seus corpos. Sendo até mesmo constrangedora, porque acaba mostrando nosso “cofrinho”, muitas vezes”.

A moda pode ser um lugar gordofóbico muitas vezes e afeta as mulheres em diversos contextos. Conheça a história de Aline Luppi, mulher gorda e artista que busca combater a gordofobia e ocupar variados espaços de vivência.