Melatonina: muito além de um hormônio regulador do sono

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Atualizado em 22.06.22

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Atualizado em 22.06.22

Conhecida popularmente como o hormônio do sono, a melatonina é uma substância produzida pela glândula pineal, uma estrutura que possui o tamanho de uma semente de laranja e fica localizada na região central do cérebro. Sua produção ocorre no fim do dia, quando a luminosidade começa a diminuir, preparando o organismo e suas funções fisiológicas para o período noturno. Dentre suas funções mais conhecidas, a principal é a melhora na qualidade do sono.

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Funções da melatonina para o organismo

Melatonina líquida em cima de uma mesa

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De acordo com o nutrólogo Fabrício Brito, especialista em nutrologia, medicina estética, saúde preventiva e modulação hormonal, apesar de sua fama se dar pela ação na regulação do sono, este hormônio influencia diversos processos fisiológicos do nosso organismo. Confira a seguir algumas de suas ações:

  • Regulação do sono: sua produção aumenta a partir do entardecer, quando a substância prepara o corpo para o descanso, alcançando seu pico entre 23h e 3h da manhã. Após esse período, os níveis de melatonina diminuem, preparando o corpo para acordar. Os valores mínimos são alcançados entre 8h e 9h da manhã, mantendo-se equilibrados no decorrer do dia.
  • Prevenção dos sintomas na mudança de fusos horários: de acordo com o nutrólogo, a suplementação de melatonina pode ser uma boa solução para minimizar ou prevenir os efeitos de “jet lag”, muito comum em longas viagens e resultantes da mudança de fusos horários.
  • Função antioxidante: a melatonina combate radicais livres, agindo na recuperação de células epiteliais expostas a radiação ultravioleta, estresse, poluição e outras substâncias tóxicas.
  • Atua no sistema imunológico: “existem pesquisas que revelam a atuação deste hormônio no sistema imunológico, auxiliando na prevenção de doenças como o câncer ou conferindo benefícios no tratamento de enxaquecas, autismo, envelhecimento precoce, depressão, Alzheimer e diabetes”, relata o médico.

Contando com descobertas recentes, este hormônio ganha funções além do tratamento para um sono melhor, podendo agir em diferentes enfermidades, gerando benefícios ao organismo.

Quais fatores influenciam a produção da substância?

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Segundo Fabrício, para garantir melhor efeito da sua produção e ação, tanto no caso do hormônio sintetizado pelo próprio organismo quanto do suplemento, são necessários alguns cuidados. “Eliminar fontes de luz, som, calor ou aroma é importante para não acelerar o organismo e impedir que o sono se instale”, ensina. Confira outros fatores que podem influenciar sua produção:

  • Fontes de luz: como a produção da melatonina está intimamente ligada à exposição da luz, é importante evitar superexposição em períodos noturnos, especialmente à luz azul das telas de equipamentos eletrônicos. “Atualmente existem aplicativos que filtram esta luz em celulares, computadores e tablets, evitando a interferência na regulação deste hormônio”, sugere.
  • Idade: o nutrólogo explica que a secreção de melatonina pela glândula pineal varia com a idade. Sua secreção inicia por volta do 4º mês de vida, aumentando rapidamente depois disso e atingindo um pico quando a criança está entre 12 e 36 meses. Após este período, sua produção tem uma ligeira diminuição, permanecendo assim durante a maior parte da vida adulta. Porém, durante o processo de envelhecimento, esta produção começa a declinar. “O motivo desta queda é a calcificação progressiva da glândula pineal, a qual vai perdendo a capacidade de secretar este hormônio”, esclarece o profissional. Por exemplo, uma pessoa de 70 anos terá níveis de melatonina 75% mais baixos do que um adolescente.
  • Uso de medicamentos: existem alguns medicamentos que podem inibir a produção natural da melatonina, como o propranolol, um fármaco muito utilizado para o tratamento da hipertensão e de problemas cardíacos.
  • Cegueira: “pacientes com deficiência visual que não conseguem detectar a presença de luz possuem grandes chances de ter a produção deste hormônio desregulada”, declara o médico.

Dentre outros cuidados para facilitar a secreção e atuação da melatonina, Fabrício sugere a ingestão de refeições leves, além de evitar bebidas com cafeína ou álcool, já que estas também interferem na ação deste hormônio.

Quando devo suplementar a melatonina?

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A primeira recomendação é buscar uma orientação médica. “É necessário realizar uma avaliação médica, com uma anamnese bem-feita, levantado os fatores acima abordados, além da análise do estilo de vida do paciente, incluindo ciclo do sono, trabalho noturno, viagens etc.”, orienta o nutrólogo.

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Dentre as indicações para a suplementação de melatonina, o profissional destaca sua ação na enxaqueca, em que o uso de melatonina pode solucionar o problema. “Outra indicação seria seu uso em tratamentos de câncer, reforçando a imunidade do paciente e auxiliando na destruição de células tumorais”, adiciona.

Além destas indicações a suplementação ainda possui ação benéfica no tratamento de crianças autistas, favorecendo uma regulação de seu sono e influenciando diretamente no seu comportamento.

Venda liberada no Brasil

Desde outubro de 2021, a Anvisa aprovou o uso e comercialização da melatonina para a formulação de suplementos alimentares, sem necessidade de prescrição médica, porém com consumo diário máximo de 0,21 mg.

Apesar de esta decisão estar alinhada com o que já é permitido em diversos outros países da Europa e América do Norte, há especialistas que questionam a decisão, apontando que não há estudos suficientes para sustentar a venda livre da substância.

Atualmente, é possível comprá-la sem prescrição em farmácias, em comprimidos ou gotas. Para dosagens maiores do que a apontada acima, é necessário prescrição e acompanhamento médico. O hormônio também pode ser manipulado por farmácias especializadas.

Melatonina emagrece?

mulher tomando comprimido de melatonina

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O nutrólogo informa que existem estudos recentes que indicam a ação positiva da melatonina no auxílio da perda de peso. “Ela atua como regulador das etapas do balanço energético, as quais incluem ingestão alimentar, fluxo de energia e estoque e gasto energético”. Esta ação inibiria a formação de novas células de gordura, porém ainda são necessários mais estudos para comprovar esta relação.

Com cada vez mais estudos buscando esclarecer as diferentes ações deste hormônio no nosso organismo, atualmente é possível afirmar que sua ação vai muito além da regulação do sono. Possuindo produção natural, sua suplementação deve ser indicação médica, juntamente com acompanhamento especializado.

E, para melhorar o sono de forma natural, uma opção é focar na higiene do sono, um conjunto de medidas que podemos adotar para melhorar a qualidade ou algumas queixas relacionadas ao sono.

As informações contidas nesta página têm caráter meramente informativo. Elas não substituem o aconselhamento e acompanhamentos de médicos, nutricionistas, psicólogos, profissionais de educação física e outros especialistas.

Assuntos: Bem-Estar