Hiperêmese gravídica: quando as náuseas são excessivas na gestação

Os riscos desta condição são levar a gestante à desidratação, perda de apetite e de peso

Escrito por Tais Romanelli

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Os enjoos e vômitos são, possivelmente, os sintomas mais comuns associados à gravidez. Mas, e quando eles se tornam excessivos?

É exatamente este o significado da hiperêmese gravídica. “’Hiper’ significa muito e ‘êmese’ significa vômitos. A hiperêmese, portanto, é um problema que acomete gestantes no primeiro trimestre de gestação e que traduz a presença de náuseas e vômitos de maneira incontrolável”, explica Luiz Fernando Leite, obstetra do Hospital e Maternidade Santa Joana.

Élvio Floresti, ginecologista e obstetra formado pela Escola Paulista de Medicina, com título de especialista em Ginecologia e Obstetrícia pela Febrasgo (Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia) e especialista em colposcopia, comenta que, dentre as modificações iniciais de uma gestação, o sistema gastrointestinal é o mais afetado. “A êmese, ou seja, vômitos e náuseas são comuns e frequentes a quase todas as gestantes. Chamamos de hiperêmese gravídica uma acentuação desse quadro, onde as ânsias e vômitos são muito intensos, chegando a causar sintomas como fraqueza intensa, hipotensão, hipoglicemia e exigem, até mesmo, intervenções hospitalares”, acrescenta.

Mas, como diferenciar a hiperêmese dos enjoos e vômitos considerados comuns na gestação? Abaixo você esclarece esta e outras dúvidas sobre o tema.

Afinal, como identificar a hiperêmese gravídica?

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Floresti explica que a êmese ou até mesmo a hiperêmese tem início a partir da sexta semana de gestação e costuma desaparecer ao redor da 12ª semana. “Lógico que existem gestantes em que os sintomas persistem quase toda a gestação, mas isso é variável tanto na duração como na intensidade”, comenta.

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Os sintomas da hiperêmese, de acordo com Floresti, podem incluir:

  • Vômitos intensos, sem melhora com tratamento convencional
  • Mal-estar intenso
  • Anemia
  • Hipoglicemia
  • Desidratação

De acordo com Leite, quando a êmese culmina em mais do que três episódios de vômitos em um dia, ela passa a ser denominada de hiperêmese gravídica e, essa sim, pode levar a um prejuízo para a gestante.

Para diferenciar a hiperêmese de “enjoos normais”, de acordo com Élvio Floresti, é necessário realizar uma análise do quadro clínico da paciente. “Se, além do relato de mal-estar intenso, os exames laboratoriais apontarem fatores como: anemia, hipoglicemia, desidratação, por exemplo, pode-se considerar um quadro de hiperêmese”, diz.

Leite acrescenta que os riscos da hiperêmese gravídica são: levar a gestante à desidratação, perda de apetite e até à perda de peso.

Principais causas e fatores de risco

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Floresti explica que os hormônios gestacionais, como as gonadotrofinas coriônicas humanas (HCG) e a progesterona, são os principais causadores da hiperêmese. “Na maioria das vezes não descobrimos os fatores de risco nas primigestas, mas pessoas com distúrbios gástricos, mais tensas e obesas, estão mais propensas a apresentar um quadro de hiperêmese”, diz.

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Ainda de acordo com o ginecologista e obstetra, outros fatores que podem estar relacionados a esta condição são:

  • Gravidez gemelar;
  • Mãe ou irmã com histórico de hiperêmese;
  • Hiperêmese em gravidez anterior;
  • Sofrer de enxaquecas ou de enjoos ao andar de carro, avião ou barco;
  • Ter alguma doença preexistente no fígado ou problemas de tireoide, entre outros.

Vale reforçar que esta condição deverá ser diagnosticada e acompanhada pelo médico de confiança da gestante.

Como lidar com a hiperêmese gravídica?

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Como principais medidas para a gestante lidar da melhor maneira possível com esta condição, Élvio Floresti destaca:

  • Um bom acompanhamento médico e informação adequada são fundamentais, pois a gestante pode ficar muito debilitada e preocupada com a própria saúde e a saúde bebê, diante de um quadro de hiperêmese.
  • A recomendação é manter uma dieta leve, mas em intervalos pequenos e regulares, ingerindo pouca quantidade de alimentos, pois o jejum irrita mais a mucosa gástrica piorando a hiperêmese.
  • O tratamento medicamentoso deve ser contínuo, mesmo com a melhora dos sintomas.
  • Quando os vômitos estão muito intensos, não se usa medicação oral, pois o comprimido nem chega a fazer efeito e, quando atinge o estômago, acaba sendo expelido com o vômito. O ideal neste caso são as opções sublinguais, injetáveis ou supositório.
  • O apoio psicológico também é importante: ter a companhia de alguém de confiança como a mãe ou marido e ficar em repouso domiciliar são providências que podem diminuir a insegurança da gestante.

Luiz Fernando Leite complementa: “Antes de comer, a gestante pode tentar tomar um pouco de água gelada com limão. Outra precaução é mastigar um pouco de gengibre e evitar os alimentos muito quentes e com muito tempero. Alimentos mais secos, como torradas e bolachas de água e sal, são bem-vindos na alimentação. A maior dica é ‘não forçar nada’, pois isso acarretará em piora dos sintomas”, destaca.

Tratamentos para a hiperêmese

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Floresti ressalta que o tratamento da êmese ou hiperêmese é o mesmo: normalmente à base de antieméticos sublinguais, supositórios e injetáveis. “Nos casos de hiperêmese, às vezes se faz necessário a hidratação via endovenosa em ambiente hospitalar, afastando o aparecimento de distúrbios hidroeletrolíticos, ocasionados pela desidratação e mal-estar”, diz.

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“Nos casos onde o quadro psicossomático é muito intenso, com diagnóstico de depressões ou ansiedade, se faz necessário associar o uso de antidepressivos suaves ao tratamento”, acrescenta Floresti.

Leite reforça que o tratamento para melhorar a hiperêmese geralmente é um mix de hidratação via endovenosa com medicações antieméticas. “Muitas vezes, fazer um sedativo visando a paciente permanecer em repouso absoluto também é indicado”, acrescenta.

Hiperêmese gravídica: e o bebê, corre riscos?

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“O bebê não é afetado em nada, pois a sua nutrição está ligada diretamente na corrente sanguínea materna, por meio da placenta”, finaliza o ginecologista e obstetra Élvio Floresti.

Vale reforçar que enjoo e vômito no início da gravidez são reações fisiológicas normais. Um cuidado especial deve existir quando a intensidade e frequência desses sintomas forem maiores, caracterizando assim a hiperêmese gravídica – que deverá ser acompanhada e tratada pelo médico ginecologista e obstetra de confiança da gestante.

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