Estudo mostra que bebês podem nos ouvir enquanto dormem

A atividade cerebral durante o sono é tão intensa quanto nos períodos em que eles estão acordados

Escrito por Carolina Werneck

Foto: Thinkstock

Bebês, principalmente os recém-nascidos, possuem a incrível habilidade de dormir a qualquer momento, em qualquer lugar, sob qualquer circunstância. Isso ocorre automaticamente, sem que possamos nos dar conta ou interferir no “sistema”.

O organismo do bebê “sabe” exatamente quantas horas de sono são necessárias para seu funcionamento adequado. Com o passar dos meses, a quantidade de horas de sono diminui e o bebê tende a ficar mais ativo.

O que pouca gente sabe é que o sono do bebê nem sempre é profundo ou mesmo ininterrupto. Na maioria das vezes, ao longo do dia, o bebê alterna pequenas sonecas com estágios de sono mais profundos. Essa informação, embora pouco conhecida do grande público, não é novidade para os especialistas.

A notícia fresquinha é que, além disso, a atividade cerebral dos bebês durante seus períodos de sono é tão intensa quanto a registrada enquanto ele está acordado.

Em um estudo publicado recentemente na revista científica Current Biology, um grupo de pesquisadores utilizou scanners silenciosos para verificar a atividade desenvolvida pelo cérebro dos bebês enquanto eles dormiam tranquilamente.

Os cientistas chegaram à conclusão de que os pequenos continuam registrando uma quantidade impressionante de informações durante o sono. Eles são capazes de captar, além dos sons produzidos no ambiente em que estão, as emoções das pessoas que porventura estejam a seu redor.

A pesquisa, que tomou por base bebês com idades entre três e sete meses, apontou quais áreas do cérebro eram ativadas de acordo com o que as outras pessoas expressavam através da voz: tristeza, alegria, raiva ou sentimentos de neutralidade.

As áreas cerebrais ativadas eram, na maior parte das vezes, as mesmas que as ativadas por pessoas em idade adulta para reagir a essas emoções, quando estavam acordadas.

Entender os motivos pelos quais os bebês registram tal quantidade de dados enquanto dormem é o novo desafio para esses estudiosos. Uma das hipóteses é que isso seja necessário do ponto de vista evolutivo, uma vez que reconhecer essas nuances do comportamento humano pode ser bastante útil ao longo da vida, para que saibamos o que se passa com as pessoas à nossa volta. No entanto, pesquisas mais profundas deverão ser desenvolvidas para que, de fato, possamos chegar a conclusões definitivas.

Por ora, basta sabermos que nossos bebês não descansam tanto assim em seus longos períodos de sono e, com isso, prestarmos mais atenção às reações e sentimentos que transmitimos a eles através de nossa voz e nossos gestos, mesmo enquanto eles dormem.

Assuntos: Bebês

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