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10 doenças que os bichos de estimação podem transmitir aos humanos

Todas elas, porém, podem ser evitadas com cuidados simples e não significam que você deve abandonar seus bichinhos

em 17/03/2015

Foto: Getty Images

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Companhia, diversão, aprendizado, amor… Não há como negar: ter um bicho de estimação em casa – como um gato ou um cachorro, por exemplo – oferece muitos pontos positivos!

Angélica Oliveira de Almeida, médica veterinária, especialista em Acupuntura Veterinária, comenta que ter um animal em casa, de fato, oferece diversos benefícios à pessoa e toda família. “Pessoas que têm animais têm um risco menor de terem depressão. Nelas acontece maior liberação de substâncias como endorfina e dopamina, que reduzem a ansiedade”, diz.

Angélica acrescenta que pessoas que têm animais são mais ativas pois precisam cuidar e passear com seus animais. “São também mais sociáveis, e ainda, segundo algumas pesquisas, tomam menos remédios e ficam menos tempo em hospitais”, diz.

Os benefícios para crianças são maiores, conforme ressalta a médica veterinária. “Além dos benefícios já citados, elas desenvolvem responsabilidade, aprendem a respeitar os animais e trabalham sentimentos de respeito, autoestima, alegria, tolerância etc.”, destaca.

Porém, uma dúvida bastante comum é: quais são os animais mais “apropriados” para serem criados em casa?

Angélica explica que cães, gatos, pássaros, roedores e até animais silvestres (autorizados pelo IBAMA) podem ser criados em casa. “Mas antes a pessoa precisa pensar se sua casa possui estrutura física e familiar para receber esse animal”, destaca.

A veterinária destaca que não é recomendado ter como animal de estimação aqueles que não são domesticados ou silvestres sem registro e com origem duvidosa.

Giovana Mazzotti, médica veterinária diretora científica da ANCLIVEPA-DF, destaca que a escolha do animal deve se basear no estilo de vida do proprietário, seus gostos e no quanto ele poderá investir financeiramente nos cuidados que esse animal irá distender por toda sua vida.

“Não recomendo, por exemplo, uma pessoa que reside em apartamento e trabalha o dia inteiro comprar um cão Labrador Retriever. Esse animal precisa de muito contato humano e atividade física, o que essa pessoa não poderá proporcionar. Se realmente for um ‘sonho’ ter esse animal, a pessoa deve ter condições financeiras de contratar o serviço de uma ‘escola/creche para cães’, onde esse animal terá atividades e contato com outros animais e pessoas no período de ausência do proprietário”, explica Giovana.

Todos os animais, do hamster ao cavalo, destaca Giovana, requerem cuidados de médicos veterinários por toda a vida, gastos com alimentação, saúde e higiene, além tempo do proprietários para cuidados e convívio social. “A recomendação é que, antes de adquirir um animal, todos que convivem na casa se reúnam para fazer a escolha. Então, consultem um médico veterinário para orientação mais detalhada se esse animal seria o ideal ou não, bem como os cuidados que serão necessários”, diz.

Giovana destaca que muitas pessoas não sabem que devem procurar o médico veterinário ANTES de adquirir o animal (esse serviço é a consulta prévia à adoção). “Essa consulta, talvez, seja a mais importante de todas, pois vai orientar o proprietário quanto à escolha correta do animal, evitando frustrações e abandono. Além disso, nessa consulta o proprietário consegue se planejar para receber esse novo membro da família”, explica.

Além disso, vale ressaltar, são as consultas regulares com o médico veterinário que evitarão que o animal de estimação possa pegar alguma doença e transmitir aos seus donos. Pois, nem todo mundo sabe, mas, infelizmente, existem diversas doenças com caráter zoonóticos (doenças que passam dos animais para o homem). Abaixo você conhece algumas delas e confere, sobretudo, como é simples evitá-las – protegendo seu bichinho de estimação e também a saúde de toda a sua família.

10 doenças transmitidas por animais de estimação e como evitá-las

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1. Micoses

Alguns tipos de fungos são os causadores de micoses, tanto nas pessoas como nos animais, destaca Angélica. Eles podem viver no solo, nas plantas ou na pele. Mesmo sendo facilmente encontrados, só irão causar micoses na presença de condições especiais, como baixa resistência do organismo.

Alguns tipos de micoses que afetam os bichos são transmissíveis ao homem, porém, da mesma maneira que nos animais, a pessoa só será afetada provavelmente se estiver numa condição de baixa resistência.

Como evitar

De acordo com Angélica, a melhor maneira de evitar esse tipo de problema é não deixar que o animal vá para a rua sozinho e assim tenha contato com outros animais que podem estar doentes. “Os passeios devem ser sempre com a supervisão dos proprietários”, destaca.

“Quando o animal apresentar qualquer sinal de doença é fundamental levá-lo o quanto antes ao veterinário para iniciar o tratamento e conferir as orientações para evitar o contágio”, acrescenta a médica veterinária.

Outra dica importante é sempre lavar bem as mãos após brincar com seu animal de estimação.

2. Verminoses

Até mesmo os animais bem cuidados estão expostos à contaminação de vermes. Especialmente os filhotes de cachorros e gatos. Eles podem adquiri-los já na hora do parto ou no momento de mamar (caso a mãe possua esses organismos em seu corpo e não tenha sido tratada adequadamente).

Além disso, os vermes podem ser transmitidos através do ar, da água, dos alimentos e até mesmo dos passeios pelas ruas.

Angélica explica que alguns tipos de verminoses podem contaminar as pessoas que têm contato com animais. Mas dicas simples podem evitar este problema.

Como evitar

Angélica diz que a maioria das contaminações ocorre devido à falta de higiene, contato com fezes, sem as devidas precauções, ingestão de alimentos contaminados. “As principais medidas para evitar o problema são: higiene e manter seus animais livre de parasitas, a vermifugação periódica evita infestação”, destaca.

3. Doença da Arranhadura do Gato

Giovana explica que esta é uma doença causada por uma bactéria que pode estar presente nas unhas e saliva de gatos. Tal bactéria é transmitida para o gato pela pulga.

Ainda de acordo com Giovana, é uma doença difícil de ser diagnosticada, pois os gatos não apresentam sinais e as pessoas não associam a doença com essa exposição. “Ela causa, nos humanos, desde nenhum sinal clínico, até casos graves que requerem internação e podem levar à morte se não tratados”, diz.

É importante salientar, de acordo com a Mestre em Biologia Animal, que somente animais contaminados são capazes de transmitir a bactéria. “Assim, raramente uma arranhadura causará a doença”, destaca.

Como evitar

Giovana explica que, assim como as demais doenças transmitidas por animais (zoonoses), a melhor forma de evitar é buscar orientações do médico veterinário para saber como cuidar do animal que escolheu como companhia. O que incluiu, por exemplo, tratar adequadamente do gato para evitar que ele tenha pulgas.

4. Raiva

Giovana explica que a Raiva é uma zoonose causada por um vírus, causador de uma doença extremamente letal, muito grave. “É transmitida ao ser humano pelo contato com a saliva do animal contaminado por mordedura, lambidas em feridas, mucosas ou qualquer pequeno arranhão”, diz.

A Mestre em Biologia Animal explica que no Brasil a Raiva está bem controlada nos centros urbanos. “Mas isso só foi possível com a vacinação em massa de cães e gatos (em campanhas do governo e por médicos veterinários particulares)”, diz.

Como evitar

Giovana destaca que a vacina protege muito bem contra a contaminação. “Assim, todos os cães e gatos, independentemente de onde vivem, devem ser vacinados anualmente contra a raiva”, diz.

5. Leptospirose

Giovana diz que a Leptospirose é uma zoonose muito grave transmitida por bactéria presente na água ou alimentos contaminados pela urina de animais doentes. “Nas cidades, o principal disseminador dessa doença é o rato, por isso é tão importante não entrar em contato com água de enchentes”, diz.

A Mestre em Biologia Animal explica que cães contaminados também podem transmitir a doença para outros animais e para os seres humanos.

Como evitar

“Os cães que vivem em áreas de risco devem receber a vacina contra Leptospirose a cada seis meses. Além de ser necessário manter o ambiente limpo e desinfetado, eliminando a presença de ratos”, explica Giovana.

“Caso o animal seja diagnosticado com a doença, o tratamento deve ser iniciado o quanto antes, de forma intensiva, com todos os cuidados para se evitar o contagio dos humanos”, acrescenta a profissional.

6. Tuberculose aviária

Giovana explica que a tuberculose aviária é uma doença infectocontagiosa provocada por uma bactéria que pode sobreviver por longos períodos de tempo em condições adversas. “A ave se infecta quando entra em contato com água, alimentos e fezes contaminadas. Além de aves, porcos e bovinos e seres humanos podem se contaminar”, diz.

Como evitar

Como todas as zoonoses, destaca Giovana, a melhor forma de prevenção é manter o animal que vive em casa saudável. “Para isso, é fundamental que o proprietário de uma ave leve o animal a um médico veterinário capacitado para o atendimento dessa espécie (Médico Veterinário de Animais Silvestres e Selvagens). Na maioria das cidades existem serviços de especialistas, sempre recomendados por terem mais preparo para o atendimento diferenciado de cada espécie”, diz.

7. Coriomeningite linfocítica

Esta é uma doença viral, que acomete ratos e hamsters, que transmitem o vírus pela urina. “Muitas vezes o animal encontra-se bem, como se estivesse saudável, mas está eliminando o vírus pela urina”, diz Giovana.

A profissional explica que esta também é uma zoonose (doença que pode ser transmitida entre os animais e o homem), causando sinais de gripe até meningite.

Como evitar

Giovana ressalta a importância de consultar um médico veterinário antes de adquirir um animal (para maiores informações sobre escolha e cuidados). “E assim que a pessoa adquirir o animal, deve levá-lo para consulta. Muitas vezes serão solicitados exames que podem identificar como está o estado de saúde geral do animal”, diz.

8. Salmonelose

Esta é uma enfermidade causada por bactérias do gênero Salmonella, que acometem diversas espécies de animais e o homem.

Angélica explica que os répteis são os maiores reservatórios da salmonela e podem ocasionalmente transmiti-la aos seres humanos.

Como evitar

Para evitar a contaminação, de acordo com a médica veterinária, alguns cuidados devem ser tomados como lavar as mãos depois de manipular esses animais, não manipular esses animais em ambientes de uso comunitário como banheiro, cozinha. “Além disso, é fundamental que o animal conte com acompanhamento de um veterinário”, diz.

9. Psitacose

Esta é uma doença infecciosa causada por bactérias que infectam geralmente os psitacídeos (papagaios, araras, periquitos etc.), podendo eventualmente infectar o homem quando ele entra em contato com animais portadores ou ainda com secreções dos mesmos.

“A Psitacose pode ser transmitida aos humanos, pois a bactéria que causa essa doença pode ser eliminada pelos animais doentes nas fezes e penas contaminadas pelas secreções”, destaca Angélica.

Como evitar

De acordo com a veterinária, o ambiente em que o animal vive deve ser mantido limpo. “Animais novos ou suspeitos devem ficar de quarentena, devem ser bem alimentados e os cuidados devem ser redobrados durante o tratamento. Mas a cura é discutível, os animais afetados permanecem como reservatórios”, diz.

10. Toxoplasmose

Esta é uma doença infecciosa também conhecida como “doença do gato”. Isso porque, segundo explica Angélica, a Toxoplasmose é causada pelo protozoário toxoplasma gondii que é encontrado principalmente nas fezes do gato.

A médica veterinária explica que a Toxoplasmose raramente causa problemas no indivíduo adulto. “O grande risco está nas mulheres grávidas e pessoas imunossuprimidas. A contaminação é feita de forma fecal-oral, ou seja, deve haver a ingestão do parasita que está nas fezes, então alguns cuidados são necessários”, diz.

Como evitar

Angélica destaca que é preciso evitar contato com as fezes de gato e, se for necessária a manipulação dessas fezes, a higiene é fator imprescindível.

“É fundamental higiene também no preparo dos alimentos e com os utensílios de cozinha, além evitar comer carne mal passada”, destaca.

Cães e gatos podem causar alergias nos humanos?

Foto: Getty Images

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Muitas pessoas acreditam que cães e gatos podem causar alergias nos humanos. Giovana destaca, porém, que eles não causam alergia, pois essa é uma condição imunomediada (uma situação na qual o sistema imune ataca o corpo) do próprio paciente. “O que ocorre é que algumas pessoas alérgicas manifestam os sinais clínicos quando em contato com os animais (pelos, ácaros nos pelos, proteínas da saliva do animal)”, diz.

A Mestre em Biologia Animal destaca que as pessoas alérgicas devem buscar tratamento com Médicos Alergologistas. “O tratamento para alergia em humanos costuma ser longo, mas, se feito corretamente, é bastante eficaz (curando ou estabelecendo melhora das crises)”, diz.

Prevenir sim, abandonar jamais!

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De fato existem algumas doenças que podem ser transmitidas dos animais de estimação para os homens. Porém, isto nunca deverá ser usado como justificativa para abandonar um bicho.

Infelizmente esta já é uma realidade: diariamente inúmeros animais como cachorros e gatos são abandonados à própria sorte, geralmente devido à irresponsabilidade de pessoas que os compraram/adotaram sem pensar nos cuidados que eles exigiriam (custos com alimentação e veterinário, atenção, espaço etc.).

Abandonar um animal, além de ser uma atitude desumana, é crime. Assim como casos de maus tratos. A denúncia é legitimada pelo Art. 32, da Lei Federal nº. 9.605 de 1998 (Lei de Crimes Ambientais). A pena prevista é de detenção de 3 meses a 1 ano e multa.

Giovana Mazzotti lembra que existem doenças com caráter zoonóticos, entretanto, se o animal é saudável, ele não transmite doenças. “Por isso reforça-se a importância do constante acompanhamento pelo médico veterinário, bem como manutenção da higiene, alimentação e bem-estar desses animais”, diz.

Angélica Oliveira de Almeida ressalta que os animais de estimação devem ser acompanhados periodicamente por veterinários, e esses vão orientar quais são os cuidados para a saúde do animal, “desde vacinas, vermífugos, até qual a melhor alimentação, manejo e higiene. Isso mantém a saúde do animal de estimação em dia, bem como a do proprietário”, finaliza.

Dessa forma, cuidando da saúde do animal, não há motivo de preocupação por tê-lo em casa! Você, o bicho de estimação e toda a família estarão protegidos.

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