Dieta da água: descubra prós e contras com explicações de nutricionista

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Em 27.02.20

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Entre muitas dietas difundidas, estão diferentes versões da chamada dieta da água – sendo a mais comum, porém, a que prevê o consumo de pelo menos 2,5 L de água somado a uma redução calórica extrema em alguns dias da semana. Saiba se é segura e esclareça suas dúvidas sobre o consumo de água para o emagrecimento.

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A dieta da água é segura?

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Fernando Castro (CRN 3837), nutricionista e educador físico, destaca que “dieta da água” é mais uma denominação genérica do que uma estratégia alimentar. “Tanto que ao procurar pelo termo, você vai encontrar variações de todos os tipos. Algumas falam apenas em ingestão de água antes das refeições sem mencionar alteração de valor calórico; outras em uma espécie de jejum; algumas da utilização de água quente; outras, da água gelada, e por aí vai”, comenta.

Por isso, diz Castro, é difícil de se analisar qual o grau de segurança da dieta. Porém, se for avaliada a versão da dieta da água que prevê baixíssimo consumo calórico (600 calorias para as mulheres e 500 para homens) associado ao consumo de pelo menos 2,5 L de água ao longo de dois dias (não consecutivos) da semana, há riscos que precisam ser considerados.

“Um alto déficit calórico pode trazer dores de cabeça, desmaio, tontura, hipoglicemia, entre outros problemas, ainda mais quando se faz uma dieta sem nenhum acompanhamento profissional”, esclarece Castro.

Importante destacar que essa versão da dieta da água não considera questões importantes, como estas destacadas pelo nutricionista Fernando Castro:

  • Quanto se come nos outros dias da semana?
  • Qual o gasto calórico total da pessoa que vai fazer a dieta?
  • Quais são os nutrientes que ela vai oferecer ou deixar de oferecer?
  • A pessoa toma alguma medicação?

“Portanto, da maneira simplista como é proposta, acho pouco segura e inócua”, conclui Castro.

A ingestão de água, porém, é muito bem-vinda, conforme destaca Castro. “Traz diversos benefícios ao organismo: hidrata, ajuda a eliminar toxinas, permite um bom funcionamento enzimático, e deve ser realmente mantido. Mas não vai ter nenhuma relação direta com a perda de peso. O seu uso antes das refeições, por exemplo, é uma maneira de fornecer uma saciedade momentânea, levando assim a menor vontade de consumo calórico”, diz.

Importante destacar que dieta da água não deve ser confundida com jejum intermitente, programa alimentar que intercala períodos programados de ausência de alimentação com períodos de ingestão controlada de alimentos.

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“O jejum intermitente é uma estratégia válida. Se é eficiente ou não, deve ser analisada pelo nutricionista levando em consideração a fisiologia, os hábitos do paciente. Acredito que traz alguns benefícios, sim, como leve redução na liberação da insulina, redução de apetite, educação da importância de não entrar em um ciclo de hiper-alimentação, tendo em vista que a maioria das doenças públicas de fundo nutricional no país estão mais ligadas ao excesso de alimentação do que à falta, como obesidade, hipertensão, diabetes, síndrome metabólica”, explica Castro.

Recomendações do nutricionista para um emagrecimento saudável

É fato que dietas radicais não são indicadas. Neste sentido, quais são orientações realmente válidas para um emagrecimento saudável? Confira as dicas do nutricionista Fernando Castro:

  • Procurar profissionais da saúde antes de iniciar qualquer tipo de dieta: médico para acompanhamento do quadro geral, e nutricionista para a formulação da melhor estratégia e dieta a serem utilizadas;
  • Praticar atividade física com constância;
  • Manter o foco na mudança de hábitos (e não em um emagrecimento rápido, “milagroso”);
  • Ter a clareza e a paciência de entender que o emagrecimento vai acontecer de maneira natural, mas que ele deve estar sustentado em um padrão alimentar que fornece os nutrientes necessários e aliados à parte fisiológica do paciente.

A “dieta ideal” é aquela personalizada, criada levando em conta as particularidades, os objetivos e as dificuldades de cada pessoa. Por isso é tão importante o acompanhamento de um nutricionista.

Dietas radicais, que preveem grandes restrições e/ou diminuição drástica de calorias, não são sustentáveis e dificilmente oferecem resultados eficazes (a pessoa geralmente perde mais água do que gordura corporal).

Por tudo isso, o primeiro passo para quem deseja perder peso é ter em mente que “não existem milagres” quando o assunto é emagrecimento.

6 dúvidas esclarecidas sobre a relação da água com o emagrecimento

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1. Qual é a importância da ingestão de água somada a uma reeducação alimentar para se conseguir um emagrecimento saudável?

“A água tem aspecto fundamental na manutenção da saúde, ela é a base para um organismo saudável; se lembrarmos que entre 60 a 70 por cento do nosso corpo é água, fica fácil definir sua importância. A ingestão de água ajuda na manutenção da temperatura corporal, filtragem nos rins, chegada de nutrientes nas células, ajuda no controle da pressão arterial, funcionamento das enzimas, funcionamento de intestino e bexiga, entre outras funções”, responde Castro.

“Estando o corpo saudável e fisiologicamente regulado, ele está mais apto a suportar e se adaptar a uma dieta de restrição calórica, necessária para o emagrecimento, que deve ser calculada pelo nutricionista, seja qual for a estratégia utilizada”, acrescenta o nutricionista e educador físico.

2. Tomar água em jejum emagrece?

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“Não há a mínima relação, como já mencionado, o emagrecimento vem da restrição calórica. Pode ser interessante beber água em jejum para facilitar o funcionamento renal, mas esse hábito não apresenta nenhuma relação com emagrecimento”, ressalta Castro.

3. Tomar água morna ou gelada emagrece?

“Não. Alguns estudos mostram que existe alguma diferença na temperatura do líquido ingerido, que o organismo gastaria algumas calorias adicionais para adequar essa temperatura à temperatura corporal. Mas essa quantidade é tão insignificante que não apresenta nenhum impacto real para o emagrecimento”, explica Castro.

4. Tomar água com limão emagrece?

“Não, porque o fato de tomar limão não vai mudar nada no déficit calórico. Essa prática também pode trazer alguns benefícios para a saúde, como a correção da acidez do trato digestivo, mas deve ser feita com cautela, alguns pacientes podem não tolerar bem e isso causar irritação gástrica”, esclarece o nutricionista.

5. Tomar água antes das principais refeições pode ajudar no emagrecimento?

“Pode ajudar, pela momentânea saciedade antes de partir para a refeição que vai efetivamente trazer as calorias. Mas lembre-se que junto com as calorias, vêm os nutrientes que precisamos, e é exatamente por isso que o emagrecimento deve ser planejado e calculado”, responde Castro.

6. Por que não se deve tomar água junto às refeições?

Essa é uma afirmação que não é consensual, conforme explica Castro. “Alguns profissionais adotam e outros não. Eu prefiro que o paciente ingira água junto às refeições, já que ela ajuda no transporte, esvaziamento gástrico, absorção de nutrientes, funcionamento das fibras solúveis. Porém, esse consumo deve ser em pequenas quantidades, já que o excesso pode promover dilatação do estômago nesse momento”, esclarece o nutricionista.

Agora você já sabe que a dieta da água – que prevê o consumo de pelo menos 2,5 L de água somado a uma redução calórica extrema – é infundada e dificilmente trará bons resultados. Aproveite e confira mais dicas de como emagrecer com saúde.

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As informações contidas nesta página têm caráter meramente informativo. Elas não substituem o aconselhamento e acompanhamentos de médicos, nutricionistas, psicólogos, profissionais de educação física e outros especialistas.

Assuntos: Dietas