15 dicas para engravidar: essenciais, realistas e seguras

Escrito por Tais Romanelli

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O desejo de se ter um ou mais filhos faz parte da vida de muitos casais. E, às vezes, a gestação chega de forma inesperada; mas, em outros casos, o casal consegue planejar o momento em que desejam começar com as tentativas de engravidar. “Quando começam as tentativas, geralmente em torno de seis meses a gestação se consuma. Mas até um ano tentando é considerado normal”, destaca o ginecologista e obstetra Domingos Mantelli. O ideal é que esta fase seja compartilhada igualmente entre o casal, de forma saudável. Caso contrário, crises de ansiedade, cobranças mútuas e outros tipos de desentendimento tendem a prejudicar muito a tentativa de engravidar. Além dessa orientação, confira outras importantes dicas para engravidar.

1. Procurar um médico

Para as mulheres que decidem engravidar, os especialistas são unânimes em dizer: o primeiro passo é procurar um ginecologista/obstetra para fazer um check-up.

Lucila Nagata, ginecologista e coordenadora de Gestação de Alto Risco do Centro de Medicina Fetal do Hospital Santa Lúcia, de Brasília, destaca que é essencial fazer exames preventivos e exames de sangue que incluem as sorologias para infecção como toxoplasmose, citomegalovirus, rubéola, HIV, HTLV, hepatite B e C e sífilis. “Bem como para avaliar a parte de anemia, diabetes ou pressão antes de engravidar”, diz.

O ginecologista e obstetra Mantelli, que também é autor do livro “Gestação: mitos e verdades sob o olhar do obstetra”, acrescenta que, assim como a mulher, seu parceiro também deverá fazer exames de rotina para verificar se está tudo bem.

2. Atualizar o cartão de vacinação

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Carla Martins da Silva, médica especialista em Reprodução Humana e diretora da clínica FertilCare, de Brasília, explica que, antes de suspender o método contraceptivo que está em uso, a mulher deve atualizar o cartão de vacinação do adulto. “Isso porque, algumas vacinas requerem mais de uma dose para completar a imunização; e outras, um tempo de espera de até três meses para engravidar”, orienta.

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“O ideal é mesmo procurar um médico obstetra de sua preferência e já fazer os exames pré-natais antes de engravidar, na tentativa de diagnosticar alguma doença ou deficiência que possa impactar na gravidez ou que possa ser transmitida para o recém-nascido”, reforça Carla.

3. Suspender o método contraceptivo

É essencial então suspender o uso de anticoncepcional ou outro método contraceptivo que o casal tenha adotado. Mas, vale lembrar que isto deve ser feito, preferencialmente, após consulta com o médico ginecologista e obstetra e realização de exames de rotina.

4. Iniciar o uso do ácido fólico

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Lucila explica que o ácido fólico deve começar a ser ingerido antes da gestação. “E deve continuar a ser ingerido durante os três primeiros meses de gestação, por ser comprovadamente uma vitamina (B9) que previne as malformações neurológicas, como anencefalia, mielomeningocele, espinha bífida e outras”, diz.

Mantelli ressalta que o ácido fólico, também conhecido como folato ou vitamina B, tem um papel fundamental durante a gravidez para garantir o bom desenvolvimento fetal e evitar o fechamento precoce do tubo neural. “Sua suplementação deve começar 90 dias antes da concepção e continuar nos três primeiros meses de gestação para prevenir alterações genéticas graves no bebê, risco de pré-eclâmpsia na mãe, além de parto prematuro”, acrescenta.

O ginecologista e obstetra ressalta, porém, que o ácido fólico, apesar de necessário, deve ser receitado pelo médico. “A mulher nunca deve se automedicar e tomar estas substâncias por conta própria e nas dosagens que ela acha melhor. O médico é que vai avaliar cada caso isoladamente para saber a quantidade que deve ser prescrita”, destaca.

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“Isso porque, existem certas condições, como mutações enzimáticas no corpo de algumas mulheres, que impedem a transformação do ácido fólico em folato, que é o que o bebê utiliza. Como consequência, essa substância pode se acumular no organismo da gestante e causar uma série de implicações, tanto para ela quanto para o neném”, orienta Mantelli.

5. Controlar a ansiedade

Carla destaca que a ansiedade pode ser sintoma de algum problema físico ou psicológico. “Se em grau elevado, pode levar a alterações hormonais que podem atrapalhar a ovulação e dificultar a concepção”, diz.

Mantelli ressalta que a ansiedade, assim como o estresse, afeta diretamente o funcionamento do hipotálamo, uma região do cérebro que regula o apetite, as emoções e também os hormônios necessários para a liberação dos óvulos.

Lucila exemplifica que, com a ovulação, pode acontecer o mesmo caso de quando a mulher fica muito ansiosa e estressada e sua menstruação acaba atrasando ou se antecipando.

6. Seguir uma alimentação saudável

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Conforme destaca Mantelli, uma alimentação equilibrada e saudável é um ótimo caminho para seguir com uma possível gestação. “Alimentos com vitamina A, leite, ovos, fígado e outros são importantes”, diz.

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Carla explica que a alimentação da mulher deve ser o mais saudável, balanceada e fracionada possível. “Não deve ter excesso de açúcares e gordura. Pelo risco de transmissão da toxoplasmose, a mulher deve evitar carnes cruas ou mal passadas. Deve também evitar alimentos muito processados industrialmente”, orienta.

Lucila ressalta que não existem trabalhos que respaldem sobre os tipos de alimentos que podem ajudar a mulher a engravidar. “A princípio, não tem nada em termos alimentares que esteja proibido ou que tenha que fazer uso para que a gravidez ocorra. O que temos é que, se a mulher não tiver anticorpos para a toxoplasmose, ela deve evitar comer carnes vermelhas mal passadas; além disso, frutas e verduras devem ser sempre bem lavadas ou cozidas. E as frutas devem ser comidas, de preferência, sem a casca, pois são estes alimentos que podem transmitir o Toxoplama gondii, que está presente em fezes de gatos infectados”, destaca.

7. Ter relações no “período correto”

Se o casal for ativo sexualmente e tiver relações de três a quatro vezes na semana, destaca Lucila, não é necessário “programar” a relação para engravidar. “Mas, se esta não é uma rotina do casal, ou caso um deles viaje muito ou more em outra cidade, às vezes, a programação de ficar juntos no período fértil da mulher ajuda nesta questão”, explica a ginecologista e obstetra.

“E o ideal não é ter relações diárias na semana que a mulher estaria fértil, mas, sim, em dias alternados, pois o espermatozoide também tem um período de amadurecimento… E, caso o casal tenha relações todos os dias e se a ovulação só ocorrer mais no final da semana fértil, pode não haver espermatozoides maduros para fecundar os óvulos. E ter relações em dias alternados aumenta esta probabilidade”, orienta Lucila.

Carla explica que o período fértil na mulher é bastante variável. “Quem tem ciclos menstruais regulares, deve ter relações sexuais, visando gravidez, em torno do 12º, 14º e 16º dias do ciclo. Se o casal tem relações sexuais todos os dias, pode ocorrer diminuição do número dos espermatozoides; e se o intervalo for de mais de 5 dias, uma diminuição na qualidade dos espermatozoides”, destaca.

Ainda de acordo com Carla, um casal jovem que tem em média duas a três relações sexuais por semana deve conseguir engravidar em até seis meses.

Mantelli orienta ainda que, na semana que precede a ovulação, como a quantidade de espermatozoides diminui com a frequência das ejaculações, não adianta ter relação todo dia ou mais de uma vez por dia, porque quase não haverá espermatozoides.

8. Evitar fazer duchas pós-coito

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“Algumas mulheres têm o hábito de se lavarem após a relação e, às vezes, fazem isso com a duchinha do banheiro, direcionando o jato de água para as partes íntimas, o que pode, dependendo da força do jato, fazer com que entre água na vagina e esta ‘lave’ as secreções que estariam ricas em espermatozoides”, esclarece a ginecologista e obstetra Lucila.

9. Não usar lubrificantes vaginais antes das relações

Esta também é uma dica importante para quem deseja engravidar. “O gel lubrificante, que é usado por algumas mulheres para diminuir o atrito ou desconforto na hora da relação (caso a mulher não seja bem lubrificada naturalmente) pode alterar o pH e o muco natural vaginal, atrapalhando também a mobilidade do espermatozoide, dificultando a fecundação”, orienta Lucila.

10. Parar de fumar

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Tão essencial quanto suspender o método contraceptivo é a mulher que deseja engravidar deixar de fumar (se for o caso). Hábito, aliás, que deve ser mantido durante a gestação, conforme destaca a ginecologista Lucila.

Não é segredo para ninguém que o cigarro faz mal para a saúde como um todo, porém, para mulheres que desejam engravidar, o hábito de fumar tem ainda o agravante de prejudicar a fertilidade e poder afetar o bebê antes mesmo de ele ser concebido.

11. Evitar bebida alcoólica

É importante que a mulher que deseja engravidar evite tomar bebidas alcoólicas, hábito que deve se estender durante toda a gravidez. Isso porque, não existe uma quantidade de bebida alcoólica considerada “segura”, então, o melhor é evitar.

Água com gás, sucos de frutas naturais, drinques sem álcool são boas alternativas… E o hábito de tomar essas bebidas ao invés de bebidas alcoólicas pode ser cultivado a partir do momento que o casal decide que deseja engravidar.

12. Dormir bem

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Embora este seja um hábito que muita gente não dê valor, ele é muito importante especialmente para mulheres que desejam engravidar.

Carla destaca que, dormir bem, representa melhor qualidade de saúde. “Vários hormônios que regulam a saúde reprodutiva são liberados enquanto dormimos. Dormir mal leva ao aumento do estresse, o que libera várias substâncias oxidativas que prejudicam a qualidade de óvulos e espermatozoides”, explica.

Para se ter melhor ideia dos benefícios de se dormir bem, durante o sono, destaca Carla, o corpo diminui a produção de cortisol e adrenalina, ajudando a diminuir o estresse, a controlar o apetite e a melhorar o humor.

13. Praticar atividade física regularmente

A ginecologista e obstetra Carla explica que a atividade física contribui para o bom funcionamento dos órgãos reprodutivos. “Além disso, diminui a ansiedade, a depressão e o estresse, melhorando o humor e a autoestima. Proporciona também o controle do peso, o que contribui para melhor equilíbrio hormonal e ovulações regulares e de melhor qualidade”, destaca.

14. Não postergar o plano de engravidar

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“Não postergue a gravidez por muito tempo! Até 30 anos poucas mulheres terão problema para engravidar ou problemas durante a gestação”, orienta Carla.

“Após os 35 anos, as chances de gravidez diminuem bastante e talvez haja necessidade de consultar um especialista em reprodução assistida”, acrescenta a ginecologista e obstetra.

15. Não se sentir pressionada (a engravidar) e nem pressionar

O casal que deseja engravidar deve, sobretudo, cuidar da relação. A mulher nunca deve se sentir pressionada pelo parceiro, pela família, por amigos ou pela sociedade como um todo a engravidar. Da mesma forma, a mulher não deve pressionar seu parceiro.

É muito importante que a decisão de engravidar seja compartilhada pelo homem e pela mulher. E que ambos estejam preparados para o período de tentativas – que, em alguns casos, pode ser maior do que eles esperavam.

A relação sexual não deve passar a ser apenas “instrumento” para engravidar; deve continuar sendo um meio de prazer, de entrega e de fortalecimento da união para o casal.

Outro cuidado essencial é não enxergar na gravidez a “solução” para problemas do casal. Decidir engravidar (e, consequentemente, ter filhos) exige maturidade, parceria e amor.

Um ponto interessante a ser destacado é que muitas pessoas que estão buscando dicas pra engravidar acreditam que determinadas posições sexuais podem facilitar a fecundação. Porém, não existe nenhuma comprovação neste sentido.

“Ejaculados na vagina, os espermatozoides possuem motilidade própria e, à medida que vão percorrendo útero e trompas, vão sendo atraídos ao óvulo e sendo capacitados para realizar a fecundação. Diferentes posições sexuais não têm influência sobre a movimentação dos espermatozoides”, conclui Carla Maria Martins.

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