Cálculo renal: conheça as causas, sintomas e tratamentos

Escrito por Lia Nara Bau

Foto: iStock

O cálculo renal, popularmente conhecido como pedras nos rins, pode provocar fortes dores e rápida intervenção médica. As pedrinhas que obstruem o sistema urinário podem ser extremamente dolorosas ou você pode passar muito tempo ileso a elas, até que surge uma crise renal.

A médica nefrologista Cibele Saad Rodrigues explica que o cálculo renal ou litíase renal são pequenas “pedras” compostas de matéria mineral ou orgânica que atrapalham o fluxo de urina quando são formados e percorrem as vias urinárias (ureteres, bexiga e uretra).

Além disso, Cibele salienta que o intenso calor de verão, associado ao aumento da transpiração e a falta da ingestão adequada de água, podem gerar sérios riscos para o surgimento de pedra nos rins.

Tipos de cálculo renal

Foto: iStock

Há diferentes tipos de cálculo renal, que variam conforme a sua formação. Como os rins funcionam como grandes filtros no nosso organismo, eles retêm diversos elementos, como cálcio, ácido úrico e oxalato, por exemplo. Quando eles surgem em grande quantidade e há pouca água para dissolvê-los, eles cristalizam e se tornam os cálculos.

Existem quatro tipos de cálculo: cálcio, ácido úrico, estruvita e cistina.

Leia também: Gastrite: causas, sintomas, fatores de risco e tratamento

Cálcio

Os cálculos formados por cálcio correspondem a cerca de 80% dos casos de pedrinhas nos rins.

Ocorrem por alguma disfunção no organismo, como a absorção excessiva de cálcio pelo intestino. São mais comuns em homens do que em mulheres, na maioria das vezes com pacientes entre 20 e 30 anos.

Ácido úrico

Formam-se em pessoas com nível alto de ácido úrico. São mais comuns em homens e suas causas vão desde o tipo de dieta até fatores genéticos.

Estruvita

É o tipo mais raro de cálculo renal e acomete principalmente as mulheres. Está associado à bactéria Proteus mirabillis, que altera o Ph da urina e agrega partículas de magnésio, fosfato e amônia. É o único cálculo que não é doloroso e, portanto, potencialmente perigoso, pois, como o problema não é identificado, pode afetar seriamente os rins.

Cistina

É um dos tipos menos comum, sendo decorrente de uma doença rara, quando há muita cistina – um tipo de aminoácido – na urina.

Leia também: Cirurgia bariátrica: indicações, riscos e pós-operatório

Causas

Foto: iStock

As causas que dão origem aos cálculos renais são as mais variadas. As pedras são formadas quando a urina apresenta quantidades maiores que o normal de determinadas substâncias, como cálcio e ácido úrico, por exemplo. Essas substâncias podem formar pequenos cristais que depois podem se aglutinar e formar as pedras.

Alguns fatores, contudo, são considerados de risco, pois contribuem para o surgimento das pedras nos rins.

Fatores de risco

  • Histórico familiar: se alguém da sua família tem ou já teve cálculo renal, há muitas chances de você também desenvolver.
  • Idade: adultos acima dos 40 anos são mais propensos a ter pedras nos rins, no entanto, pode ocorrer em qualquer idade.
  • Sexo: homens são mais suscetíveis a desenvolver cálculo renal.
  • Dieta: beber pouca água e dietas ricas em proteína, sal e açúcar também são fatores de risco.
  • Obesidade: pessoas com sobrepeso podem apresentar cálculos.
  • Doenças do trato digestivo: doenças como inflamação gastrointestinal e diarreia crônica também podem levar à formação das pedras.

Sintomas do cálculo renal

Foto: iStock

Os cálculos renais podem ser extremamente dolorosos e o principal sintoma é a dor que pode ocorrer quando eles se movimentam para saírem do rim.

A nefrologista Cibele explica que, geralmente, os cálculos, quando se deslocam na via urinária, causam dor em cólica de forte intensidade, podendo ser acompanhada de náuseas e vômitos. Pode também causar hematúria (sangue na urina) e infecção urinária associada. Quando são pequenos, geralmente são eliminados durante a micção.

Diagnóstico

Foto: iStock

Geralmente o diagnóstico é realizado no momento de uma crise de dor pelo clínico da unidade de emergência, que tratará com hidratação e sintomáticos: remédios para dor (analgésicos e anti-inflamatórios) injetáveis e para melhorar as náuseas e vômitos. “Neste atendimento é importante que seja verificado o exame da urina e um ultrassom renal e de vias urinárias seja pedido para garantir que não exista obstrução da via urinária, que se presente, indica a necessidade de intervenção pelo urologista, principalmente se o cálculo tiver mais de 1 cm”, esclarece Cibele.

Leia também: Isso é o que acontece com o seu corpo quando você bebe apenas água por 30 dias

O correto é que todo paciente portador de cálculo seja investigado quanto a possíveis causas metabólicas, o que deve ser conduzido por um nefrologista ou urologista após cessada a crise aguda. Vários exames de sangue e de urina são obrigatórios para o diagnóstico, prevenção, tratamento e acompanhamento do paciente.

Tratamentos para o cálculo renal

O tipo de tratamento irá depender do tamanho e localização das pedras e também dos sintomas apresentados.

  • Pedras pequenas: quando as pedras são pequenas e não há muitos sintomas, normalmente o indicado é beber muita água para expelí-las pela urina e analgésicos para dor, se necessário.
  • Pedras grandes: se as pedras são grandes, elas não podem ser expelidas naturalmente, sendo necessários procedimentos invasivos. Pode ser feita uma cirurgia para a retirada das pedras, uma ureteroscopia – que é a inserção de um tubo na uretra para retirar as pedras – ou um tratamento com choques para quebrar as pedras e facilitar a excreção.
  • Prevenção

    Foto: iStock

    A melhor forma de prevenir o cálculo renal é através de uma dieta saudável e equilibrada.

    Cibele frisa que o tratamento e a prevenção incluem para todos uma dieta pobre em sal e proteínas de origem animal; ingestão de quantidade adequada de líquidos para que a pessoa urine por volta de dois litros ao dia; atividade física regular e combate à obesidade. A partir dos exames, para cada diagnóstico será prescrita uma dieta apropriada e medicamentos. “Não é recomendável a automedicação e nem há uma “receita de bolo” que sirva para todos indistintamente isso porque, para cada distúrbio metabólico, a dieta e o tratamento são muito diferentes”, finaliza.

    Leia também: 5 remédios caseiros para diminuir o ácido úrico e evitar problemas renais

Para você