Artrose: médico fala das causas, sintomas, prevenção e tratamentos

Com algumas medidas simples é possível conviver bem com o problema e evitar que ele se agrave

Escrito por Mariana Bueno

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A Artrose – nome pelo qual é mais conhecida a Osteoartrite, segundo a Sociedade Brasileira de Reumatologia – é uma doença que acomete as articulações.

Suas causas ainda são desconhecidas. O que se sabe é que o problema é mais comum em mulheres, especialmente a partir dos 50 anos de idade, e que afeta principalmente os joelhos, coluna lombar e cervical, quadril e algumas das juntas das mãos.

Além disso, há alguns fatores que podem fazer com que algumas pessoas tenham uma predisposição maior a desenvolver o quadro ou até mesmo de agravá-lo.

O médico reumatologista Francisco Airton Castro da Rocha, coordenador da Comissão de Osteoartrite da Sociedade Brasileira de Reumatologia, explica com mais detalhes os sintomas e tratamentos para lidar com a osteoartrite.

Causas e fatores de risco da artrose

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De acordo com o médico, não se sabe especificamente porque as mulheres são mais predispostas a terem o problema. “Não há causa definida. Mas a sobrecarga das juntas pelo excesso de peso, particularmente em juntas que suportam carga e têm muita mobilidade, como joelhos e as da coluna lombar, são fatores predisponentes”, explica.

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Como já dito, o surgimento da artrose costuma acontecer a partir dos 50 anos. “Talvez por conta da sobrecarga ao longo dos anos”, diz o médico. O sedentarismo e a obesidade podem aumentar as chances de desenvolvimento da artrose e ainda, agravar o quadro da doença.

Quais os sintomas da artrose?

O sintoma mais frequente é a dor nas juntas. Pode haver, também, aumento do volume das articulações e bloqueio das articulações.

Francisco explica que isso pode chegar a dificultar alguns movimentos ou mesmo a incapacitar que sejam feitos. Ele afirma, ainda, que a artrose costuma ter caráter progressivo.

Por isso, caso haja algum desses sintomas, é importante procurar um médico o quanto antes, para que o problema seja identificado. “O reumatologista é o médico que mais atende pessoas com osteoartrite e cuida por longo tempo. Mas, como o número de ortopedistas é bem maior, esses também atendem grande número de pacientes. Os clínicos gerais também auxiliam muitos”, diz.

Como é feito o diagnóstico?

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Quando o médico é consultado, o diagnóstico pode ser feito na própria consulta, pois é bem simples e não costuma ser necessário fazer radiografia.

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O histórico clínico do paciente, a avaliação de alguns reflexos, habilidade de se movimentar e força muscular, em geral, costumam ser suficientes. “Essa doença muitas vezes é negligenciada e não ajuda em nada considerá-la como sem cura ou degenerativa . A rigor, nenhuma doença crônica, isto é, de longa duração, tem cura e a Osteoartrite é uma delas. Mas, na maioria dos casos, é sempre possível aliviar os sintomas, melhorar a qualidade de vida e, eventualmente, prevenir ou retardar sua progressão”, afirma o reumatologista Francisco.

Tratamentos possíveis

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Ainda de acordo com o profissional, uma vez que o diagnóstico é feito, é preciso começar os tratamentos, que podem ser divididos em dois tipos: os farmacológicos e os não-farmacológicos, como ele explica a seguir.

Farmacológicos

São os remédios, que podem ser receitados pelos médicos com o objetivo de aliviar a dor. Os mais comuns são os de ação rápida, como os analgésicos e anti-inflamatórios. Em casos mais graves, pode ser necessário realizar uma cirurgia para colocação de próteses.

Não-Farmacológicos

São aqueles que não envolvem remédios, mas que são tão importantes quanto. “Começam pela orientação para adequação do peso, prática de exercícios, orientação para uso de órteses (bengalas, sapatos, andadores, palmilhas), uso de meios físicos (compressas frias ou quentes) para alívio da dor, exercícios de fortalecimento muscular, alongamentos, exercícios na água, sempre buscando evitar sobrecarregar a(s) junta(s) afetada(s)”, explica.

Dicas para conviver com a artrose

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Segundo o especialista, além dos tratamentos já citados, há medidas simples que também ajudam. Segundo ele, quando se busca praticar atividade física e adequar o peso e, em casos específicos, orientação médica para aliviar as dores e evitar atividades que geram sobrecargas às articulações, é possível conviver bem com a artrose, além de promover uma melhoria na saúde como um todo.

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Medidas preventivas

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O médico ainda afirma que essas mesmas atividades que ajudam no tratamento ou na melhor convivência com o problema, são, também, medidas que podem prevenir o aparecimento da artrose. “Um grupo de pesquisa da Escandinávia confirmou que praticar exercícios, ter boa alimentação e evitar algumas atividades físicas em alguns grupos de pessoas poderiam reduzir em muito a incidência de osteoartrite dos joelhos. É possível que isso também possa ser feito para outras articulações”, diz.

Francisco orienta que essas medicas devem ser estimuladas desde a infância. “Assim como escovamos dentes diariamente e nos habituamos a fazer isso pós cada refeição, ou pelo menos deveríamos, é razoável que todos tenham maior atenção ao sistema músculo-esquelético, pois isso nos ajuda a prevenir problemas ósteo-articulares”, finaliza.

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