Menopausa: sintomas e dicas para viver essa fase com qualidade de vida

Escrito por Lia Nara Bau

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A menopausa é uma condição natural do organismo feminino pela qual todas as mulheres passam, mais cedo ou mais tarde. Algumas sentem os sintomas e desconfortos com mais intensidade e podem necessitar de tratamento.

No entanto, é uma condição natural que marca o fim do período reprodutivo da mulher e deve ser encarada com naturalidade. Os tratamentos e terapias alternativas visam amenizar os sintomas e, consequentemente, melhorar a qualidade de vida da mulher que passa por essa fase.

O que é menopausa?

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Menopausa é o período que marca o fim da fase reprodutiva da mulher. Se dá também com o encerramento dos ciclos menstruais e, consequentemente, da ovulação.

Isabela Rangel, ginecologista e especialista em Reprodução Assistida, explica que a menopausa é um processo biológico natural. É o tempo que marca o fim de seus ciclos menstruais. Ou seja, é a falência completa dos óvulos. Ela salienta que não existem “estágios de menopausa”, ela é diagnosticada depois de 12 meses sem menstruação e geralmente ocorre entre os 40 e 50 anos.

A fase de transição é conhecida como climatério, que antecede a menopausa. Nesse período o organismo deixa de produzir, de forma lenta e gradativa, os hormônios progesterona e estrogênio.

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Sintomas da menopausa

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Os sintomas da menopausa, contudo, podem aparecer muito antes da última menstruação.

Segundo Isabela, nos meses ou anos que antecedem a menopausa (perimenopausa), a mulher pode apresentar os seguintes sinais e sintomas:

  • Ciclos menstruais irregulares: algumas mulheres começam a ter ciclos irregulares e a menstruação vai espaçando com um intervalo cada vez maior;
  • Secura vaginal: causada pela flutuação dos hormônios, pode ser incômoda e atrapalhar a vida sexual;
  • Ondas de calor e sudorese noturna: um dos sintomas mais típicos dessa fase, os famosos “calorões” podem incomodar bastante;
  • Alterações de humor e insônia: também são causados pelas alterações hormonais;
  • Ganho de peso e metabolismo retardado: está associado ao fator hormonal, à perda de massa muscular, sono inadequado e aumento da resistência à insulina;
  • Queda de cabelo e pele seca: muito comum nessa fase, também pela alteração hormonal;
  • Diminuição ou perda da libido: não é regra, mas muitas mulheres sentem a diminuição da libido na menopausa;
  • Fadiga e mal-estar: as mulheres que sentem fadiga excessiva na menopausa precisam relatar esse sintoma ao médico para o acompanhamento adequado. Isso pode evoluir até para a depressão.

Como saber se estou na menopausa?

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Se você tem mais de 40 anos e apresenta alguns sintomas dentre os já citados, procure o ginecologista para uma avaliação. Os sinais, sintomas e a idade variam de mulher para mulher e, portanto, é preciso uma análise individual que só o seu médico poderá fazer.

Isabela diz que o diagnóstico da menopausa é basicamente clínico, através dos sinais e sintomas citados acima. “Porém, algumas mulheres necessitam realizar exames de dosagens hormonais para descartar outros distúrbios que possam causar a amenorreia, que é a ausência de menstruação.”

Mulheres que foram submetidas à histerectomia (retirada do útero), por vezes, também precisam realizar dosagens hormonais para confirmar a menopausa.

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Convivendo com a menopausa

As mulheres na menopausa podem apresentar uma queda importante na qualidade de vida. Para que os efeitos negativos da deficiência hormonal sejam reduzidos, alguns hábitos devem se tornar prioridade, segundo Isabela. Atividade física regular (musculação, pilates, natação, caminhada, etc), alimentação balanceada e controle do peso corporal são alguns dos pontos de atenção. “Além disso, outras medidas não-farmacológicas podem ser instituídas, como fisioterapia pélvica e ioga”, cita.

Tratamento

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Os tratamentos para menopausa têm em vista melhorar a qualidade de vida da mulher que passa por essa fase.

Segundo Isabela, existem casos em que os medicamentos estão indicados, entre eles: reposição hormonal sistêmica, estrogênio vaginal, antidepressivos, clonidina, suplementação de cálcio e vitamina D.

Entre os tratamentos medicamentosos, temos a terapia de reposição hormonal, aplicação de estrogênio e medicamentos não hormonais.

Terapia de reposição hormonal

A reposição hormonal pode ser feita com estrógeno ou a combinação de estrógeno com progesterona. O ideal é que seja feita entre os 50 e 59 anos e no máximo até 7 anos após surgirem os primeiros sintomas para que o tratamento seja mais seguro.

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Aplicação de estrogênio

A aplicação de estrogênio é utilizada para amenizar a secura vaginal, usado em creme na própria área da vagina.

Medicamentos não hormonais

São indicados para mulheres que não querem ou não podem recorrer à terapia hormonal. Normalmente agem em sintomas específicos, por exemplo, para combater as ondas de calor excessivo.

Menopausa precoce

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Algumas mulheres podem apresentar os sintomas do climatério muito cedo e entrarem na menopausa antes dos 40 anos. É a chamada menopausa precoce.

Ela não é muito comum. De acordo com Isabela, cerca de 1% das mulheres experimentam a menopausa antes dos 40 anos (menopausa prematura ou falência ovariana precoce – FOP).

A FOP pode resultar de insuficiência ovariana primária – quando seus ovários deixam de produzir níveis normais de hormônios reprodutivos – decorrentes de fatores genéticos ou doenças autoimunes, de quimioterapia ou radioterapia, de ooforectomia (retirada dos ovários) bilateral, e outras causas mais raras como infecções (caxumba, varicela, Shigella e malária), deficiência enzimática e modulação intraovárica (defeitos dos receptores de gonadotrofinas).

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