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Ginecologista explica os principais tipos de clareamento íntimo

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Atualizado em 05.08.22

O escurecimento da região genital é comum, acontece por diversos motivos e não prejudica a saúde íntima. Entretanto, por razões estéticas, muitas mulheres estão recorrendo aos métodos de clareamento íntimo. A ginecologista e obstetra Dra. Nádia Pavarini (CRM 132077), da clínica Pantheon, explicou as principais técnicas e as potenciais contraindicações do procedimento. Acompanhe a matéria!

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O que é o clareamento íntimo

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Segundo a Dra. Nádia Pavarini, o clareamento íntimo é realizado por motivos estéticos. Alguns fatores, “como depilação, atrito com a roupa íntima, esportes de montaria ou bicicleta, uso constante de calças jeans ou apertadas etc.”, irritam a região interna da coxa, as virilhas e a vulva. Dessa forma, “o organismo responde com a pigmentação, ou seja, o escurecimento” da pele.

O escurecimento não dói e muito menos afeta a saúde íntima. Em algumas mulheres, ele acontece levemente e não incomoda. Em outras, porém, a pigmentação acentuada “pode gerar timidez, receio em usar maiô ou biquíni, entre outros incômodos”.

Como é feito o clareamento íntimo

De acordo com a ginecologista, o clareamento íntimo “consiste na aplicação de diversas técnicas para reverter a hiperpigmentação da vulva, virilhas e porção interna da coxa”. É importante esclarecer que o objetivo do procedimento é melhorar a pigmentação – “o que não necessariamente significa voltar ao tom de pele natural. Além disso, os fatores que desencadeiam a hiperpigmentação não vão deixar de existir”, ou seja, com o tempo, é preciso fazer manutenção ou retratamento.

Tipos de clareamento íntimo

A ginecologista explica que “existem diversas técnicas para o clareamento íntimo, que vão desde cremes clareadores até o laser. A indicação é feita pelo médico a depender do tipo de pele (fototipo) e do grau de hiperpigmentação”. A profissional elencou os principais métodos e explicou como cada um funciona. Veja a seguir:

Cremes clareadores

Segundo a Dra. Nádia Pavarini, os cremes clareadores podem ser manipulados conforme prescrição médica ou comprados prontos em farmácias. “A aplicação é diária, de uma a duas vezes ao dia, de acordo com o composto utilizado. Geralmente são indicados para casos iniciais ou como manutenção após os demais tratamentos”.

É válido informar que os efeitos dos cremes variam conforme cada caso. Por isso, apesar de serem vendidos em farmácias, é preciso usá-los sob orientação médica. Ainda, algumas substâncias presentes nesses produtos podem causar reações adversas.

Peelings químicos

Os peelings respondem bem ao clareamento da região íntima, especialmente em peles claras, e custam em média R$ 500 por sessão. Segundo a especialista, “eles são agentes químicos aplicados diretamente sobre a pele da vulva e demais regiões, promovendo a destruição da camada mais superficial (e mais escura) da pele”. Após o procedimento, “é esperado que aconteça uma descamação em 7 dias, assim como nos peelings faciais”.

A ginecologista informa que “geralmente é necessária mais de uma aplicação e as sessões devem ser realizadas com intervalo de 30 dias em média”. Além disso, ela alerta que os peelings “devem ser utilizados com bastante critério em tons de pele mais escuros (fototipos 3, 4 e 5), pois estão mais sujeitas ao efeito rebote (melhora inicial, seguida de um escurecimento mais intenso).

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Como nenhuma pessoa é igual a outra, algumas mulheres podem obter ótimos resultados com “uma sessão de peeling enquanto outras precisam de 3 sessões de laser. O resultado é individual”. Sobre os cuidados, “se houver ardência pós-peeling, esperar o processo esfriar para ter relação sexual”. Ademais, “hidratantes ou loções calmantes podem ser prescritas para ajudar em uma reparação mais rápida”, esclarece a profissional.

Laser

O laser atua de maneira mecânica para a renovação celular e possui um efeito mais controlado do que o peeling. “A profundidade que ele atinge pode ser ajustada conforme os parâmetros da máquina”, explica a especialista. Após o procedimento, “a camada mais superficial da pele descama (o chamado “efeito peeling”) para ser substituída por uma camada mais nova e mais próxima do tom de pele habitual”.

A médica complementa dizendo que “essa tecnologia tem um potencial de clareamento maior do que o peeling, trazendo resultados mais rápidos. O número de sessões depende do quão pigmentada a pele está e do resultado após a primeira aplicação”. O intervalo entre elas é mensal e o valor varia de R$ 1.800 a R$ 2.500 por sessão.

Também é comum a associação de técnicas para potencializar os resultados. “Por exemplo, o laser com o peeling na mesma aplicação ou microagulhamento com peeling para melhorar a penetração do medicamento”. Sobre os cuidados pós-laser, “é recomendado abstinência sexual por 7 dias”. Assim como no procedimento de peeling, o profissional pode prescrever hidratantes ou loções calmantes para ajudar no processo de recuperação.

Clareamento íntimo caseiro

Já para realizar o clareamento íntimo caseiro, a especialista comenta que “podem ser utilizados esfoliantes próprios para a região íntima. Eles atuarão na proposta de remover mecanicamente a camada mais superficial e mais escura da pele”. Entretanto, “deve-se ter cuidado com a intensidade da aplicação para não provocar lesões e ferimentos, pois a inflamação é um fator que gera o escurecimento da pele”.

Quanto às contraindicações, de forma geral, a Dra. Nádia Pavarini alerta que o clareamento não deve ser realizado “em vigência de infecção ou lesão genital, câncer em atividade ou durante a gestação”. Além disso, “mulheres que possuem herpes precisam utilizar medicação preventiva antes e após os procedimentos. Portanto, é importante avisar o profissional que fará tratamento”.

A mulher sofre constantemente com pressões estéticas, mas é fundamental enfatizar que não existe um padrão de beleza nem mesmo para a vulva. O órgão genital feminino pode ter diferentes tamanhos, formatos e variações de pele e tons. O mais importante é sempre estar atenta a sua saúde. Sendo assim, informe-se sobre a importância de realizar os exames ginecológicos e cuide-se com carinho!

Formada em Letras e pós-graduada em Jornalismo Digital. Apaixonada por livros, plantas e animais. Ama viajar e pesquisar sobre outras culturas. Escreve sobre diversos assuntos, especialmente sobre saúde, bem-estar, beleza e comportamento.