Tudo sobre a prolactina

A hiperprolactinemia é uma doença que pode afetar qualquer pessoa, mas principalmente mulheres, podendo causar diversos problemas e até a infertilidade

Por Daniela Azevedo
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Foto: Thinkstock

A prolactina, popularmente conhecida como hormônio do leite, é o hormônio que tem como principal função estimular a produção de leite. Está presente no sangue em pequenas quantidades e sua produção é feita principalmente pela hipófise, uma glândula localizada no sistema nervoso central do cérebro que faz com que a produção desse hormônio aumente durante a gravidez e no período pós-parto para poder alimentar o bebê.

No entanto, fora do período gestacional esse hormônio também pode ser produzido em homens e mulheres e, quando essa produção ocorre em níveis excedentes ao normal, recebe o nome de hiperprolactinemia, um problema que pode interferir nas funções sexuais e reprodutivas e que é responsável por quase 20% dos casos de infertilidade feminina.

Curiosamente, a hiperprolactinemia é uma doença que pode afetar pessoas de ambos os sexos, mas é mais comum em mulheres com idade entre 20 e 50 anos.

A prolactina também é importante para a ovulação, para o desenvolvimento das mamas e para o aleitamento no período gestacional. Fora desse período, ela ajuda a controlar outros tipos de hormônios.

Quais as causas da hiperprolactinemia?

Vários fatores podem contribuir com o aumento dos níveis de prolactina no sangue, sendo os mais comuns a gravidez, o estresse, o excesso de estímulos aos mamilos, doenças da parede torácica, o uso de determinados medicamentos como antidepressivos, antipsicóticos, antienjoo, anti-hipertensivo, além de problemas como o hipotireoidismo, síndrome de ovários policísticos, doenças renais, alterações na molécula da prolactina, e doenças que acometem o sistema nervoso central como traumas, infecções e tumores. Existem também os casos em que a hiperprolactinemia não tem causa conhecida, passando a ser chamada de idiopática.

Quais são os sintomas?

Os sintomas variam de acordo com o sexo e a causa da doença, mas os mais comuns incluem alterações menstruais como ausência da menstruação (amenorréia) ou irregularidade menstrual (oligomenorría), diminuição da fertilidade e dificuldade de engravidar, produção e vazamento de leite fora do período gestacional (galactorréia), secura vaginal, falta de desejo sexual e dificuldades de ereção, osteoporose em ambos os sexos e quando causado por tumores, pode acarretar em dores de cabeça e problemas na visão.

Como é feito o diagnóstico?

Para se detectar a hiperprolactinemia, os médicos observam o histórico do paciente e realizam exames de sangue convencionais que medem a dosagem de prolactina no sangue e, se houver suspeita de tumor, realizam a ressonância magnética na hipófise.

Como é feito o tratamento?

O tratamento depende da causa, mas em todos os casos, mesmo quando há a ocorrência de tumores, o tratamento é feito com uso de medicamentos que normalizam os níveis de prolactina, reduzem o tumor e reestabelecem as funções sexuais e reprodutivas em aproximadamente 80% dos casos.

Nos outros 20% dos casos, quando o tumor não reage ao tratamento medicamentoso, pode ser necessária intervenção cirúrgica ou radioterapia. A cirurgia é feita através do nariz, o que elimina a necessidade de abrir o crânio e a incidência de cicatrizes.

Se você estiver com alguma suspeita ou algum sintoma que se relacione à hiperprolactinemia, procure um médico endocrinologista para esclarecer as suas dúvidas, realizar exames e, se for o caso, iniciar o tratamento. Cuide-se!