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Parto normal: uma visão realista com tudo que você precisa saber do pré ao pós-parto

É essencial que a mulher conheça os benefícios deste tipo de parto, tanto no que diz respeito à sua recuperação como em relação à saúde do bebê

em 16/09/2016

Foto: Getty Images

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Nos dias de hoje, parece essencial resgatar a importância do parto normal, visto que, no Brasil, mais de 50% dos partos realizados são por cesárea, e ainda existem muitas dúvidas e até mitos sobre o tema.

Existem casos e casos, mas o que toda mulher deveria pensar, em primeiro lugar, é que o parto normal é a melhor opção para ela e para o bebê; ou seja, pelo menos cogitar esta possibilidade e se informar sobre o assunto.

Alberto Guimarães, ginecologista e obstetra, defensor dos conceitos de parto humanizado e criador do Programa Parto Sem Medo, destaca que esse tipo de parto é muito importante no que diz respeito à maturidade do bebê. “É a melhor opção porque ‘não se tira o bebê fora de hora’, evitando causar uma prematuridade”, diz.

Além disso, conforme destaca o ginecologista e obstetra, a mulher tende a ter menos sangramento neste tipo de parto, tem menos infecção, tem mais facilidade em cuidar deste bebê porque não foi submetida a nenhum procedimento cirúrgico, entre outras vantagens.

Mas, então, por que atualmente existe tanto “receio” em relação ao parto normal? Por que o Brasil é o líder em cesáreas? Quais são os principais mitos e verdades que envolvem o assunto? Em quais casos a cesárea é realmente necessária?

Abaixo você entende melhor como ocorre o parto normal e esclarece suas dúvidas sobre o assunto.

Parto normal: do pré-natal ao pós-parto

Para evitar medos e até para “fugir” dos principais mitos que envolvem o assunto, é essencial a gestante entender como o parto normal acontece, conhecendo cada uma de “suas etapas” e se sentindo mais segura em relação à sua escolha.

O pré-natal

Foto: Getty Images

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O pré-natal, de acordo com Guimarães, é fundamental, porque é ali que está a informação, o conhecimento, o compartilhamento de experiências com outras pessoas que já passaram ou que pretendem passar por este caminho. “É o momento que o pessoal da área de saúde pode informar, é ali que se pode pensar na fisiologia do parto, dizer como ele acontece”, diz.

“No pré-natal também se discute sobre planos de parto, para dar uma ideia do que a mulher está buscando, o que ela deseja e o que ela considera limite, então, é o momento oportuno para se aprofundar uma discussão e aprender como superar algumas dificuldades”, acrescenta o ginecologista e obstetra.

Uma das coisas mostradas no pré-natal, destaca Guimarães, são os sinais que mostram que “está chegando a hora”: a perda do tampão mucoso (secreção gelatinosa que ocorre conforme a proximidade do parto) e as contrações uterinas regulares, que caracterizam o trabalho de parto.

Élvio Floresti, ginecologista e obstetra do Centro Médico Floresti, ressalta que o pré-natal é fundamental independentemente do tipo de parto que a gestante terá. “Nele avaliamos se existem doenças pré-existentes ou atuais, tais como viroses tipo rubéola, citomegalovírus, toxoplasmose, HIV e hepatites”, diz.

“Com os exames ultrassonográficos cada vez mais sensíveis, conseguimos praticamente afastar ou confirmar a ocorrência de cromossomopatias, como Síndrome de Down, e verificar se o bebê está se desenvolvendo perfeitamente. Não há surpresas no nascimento se um pré-natal foi bem feito”, acrescenta Floresti.

O parto normal em si

Guimarães aponta que existem algumas etapas: a fase inicial do trabalho de parto demora muito mais tempo; a dilatação do colo (que é por onde o bebê vai sair) é mais lenta. “Então, apesar de ter cólica e ser desconfortável, isso não significa que a criança já esteja saindo”, diz.

A fase ativa do trabalho de parto, quando as contrações ficam mais desconfortáveis, significa que, dali a pouco tempo, a mulher já vai entrar em outro período, o expulsivo, que é quando o bebê vai sair. “Então, o parto não é só focado em quando o bebê já está saindo, ele começa quando os sinais aparecem, quando as contrações começam a ficar mais próximas, e aí as pessoas vão perceber que é preciso ir até a maternidade (se o parto for pensado neste ambiente)”, explica Guimarães.

O tempo é muito relativo, já que o trabalho de parto pode levar de 12h até 18h. “Não vamos pensar que na primeira contração podemos acionar o relógio e achar que já começou o trabalho de parto. Porque isso pode ter o espaçamento de até 3 dias e, assim, a mulher não vai dormir achando que o neném vai nascer, e quando ela precisar de força, vai estar cansada, com sono”, comenta Guimarães.

O pós-parto

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Logo após o nascimento do bebê, de acordo com Guimarães, a mulher, teoricamente, já pode levantar, tomar banho sozinha… “E a recuperação é incomparavelmente melhor do que em um parto cirúrgico. É importante lembrar que essa mulher precisa cuidar do bebê, e no parto normal, sem dúvida, ela vai estar em melhores condições físicas e mentais para fazer isso”, diz.

Floresti destaca que o pós-parto dependerá também do fato de ter sido feita ou não a episiotomia (corte na área entre a vagina e o ânus chamada de períneo). “Em casos em que não foi feito este procedimento, em poucas horas a mulher já estará bem, andando tranquilamente e com poucas dores”, diz.

“No caso da realização da episiotomia, fica um pouco mais doloroso. Por isso, recomendamos aguardar um pouco mais para caminhar; geralmente no dia seguinte. Mas, também é bem tranquilo se compararmos com o pós-operatório da cesárea”, acrescenta Floresti.

Relatos em vídeo sobre o parto normal

Nada melhor do que ouvir a história de quem já passou por essa experiência. Confira nos vídeos a seguir alguns relatos interessantes de partos normais reais:

1. Tiago e Gabi

O casal Tiago e Gabi contam tudo sobre o nascimento da primeira filha deles, Manuh.

2. Flavia Calina

Neste vídeo, é possível acompanhar todo o parto de Flavia Calina, enquanto ela vai também relatando suas sensações e expectativas.

3. Raka Minelli

Raka Minelli relata como foi seu parto, os momentos de dor, as expectativas, o momento do nascimento em si e toda a emoção envolvida.

4. Iris Gabrielle

No vídeo, você confere como foi o nascimento do Pedro Arthur, e os primeiros momentos dele com a mamãe.

5. Rê Dourado

Rê Dourado conta como foi seu parto, que foi prematuro de 35 semanas e natural.

6. Nascimento da Luiza

O vídeo mostra a chegada da Luiza, que nasceu de um parto domiciliar humanizado.

Os principais benefícios do parto normal

Foto: Getty Images

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É importante que a mulher esteja atenta às vantagens que o parto normal oferece, não só no que diz respeito à recuperação pós-parto, mas também em relação à saúde do bebê e ao vínculo entre mãe e filho.

Em relação aos benefícios para o bebê, Guimarães destaca: o bebê tem a chance muito maior de nascer maduro, de o pulmão estar funcionando bem e de ser amamentado.

“No parto normal, se deixarmos para cortar o cordão tardiamente, vai uma quantidade de sangue da placenta para o bebê, isso faz com que ele tenha menos chance de ter anemia na fase inicial”, explica Guimarães.

Para o bebê, o parto normal é também a possibilidade de ter contato pele a pele mais rapidamente com a mãe. “Porque o lugar dele é exatamente no colo dela, não em um berço”, diz o obstetra.

Para a mãe, fora a “sensação de vitória” que tem pelo fato de conseguir completar esse ciclo, que é parir, ela tem geralmente menor possibilidade de sangramento e infecção. “No parto normal não se compromete o útero, então, aumenta-se muito mais a chance de outro parto normal; e também se evita as complicações de quando se faz uma cesárea sem necessidade. Ou seja, a mulher tem muito a ganhar também no parto normal”, diz.

Vale lembrar que a recuperação é muito mais rápida e tranquila após o parto normal, e a mulher costuma recuperar seu peso mais facilmente.

11 dúvidas sobre parto normal esclarecidas

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Abaixo, os médicos respondem às principais questões que envolvem este tipo de parto, ajudando a desconstruir mitos, e propiciando às mulheres uma visão realista do que o parto normal realmente significa.

1. Quanto tempo pode durar o parto?

Pode durar algumas horas, de 12 a 18h, de acordo com Alberto Guimarães. “Quando essa demora acontece, temos que estimular a pessoa, lembrar que no trabalho de parto a gente tem contração, a contração é como uma onda, ela vem, incomoda e passa, não é algo que se estende durante as 12h. No trabalho de parto, se a mulher embarca nas sensações, ela entra na ‘partolândia’, que é quando ela fica em um estágio especial de consciência, fica ‘meio fora do ar’, e tira esse referencial de dor que muita gente imagina que vai ser uma dor insuportável, e entra em uma experiência mais focada para o nascimento”, diz.

2. É correto dizer que o parto normal dói muito?

Para Guimarães, a dor do trabalho de parto não pode ser entendida e traduzida como um sofrimento ou uma situação em que a pessoa “não vai dar conta”.

“A dor pode ser desafiadora, sim, mas eu tenho visto na nossa experiência do ‘Parto sem Medo’ que muitas mulheres não pedem analgesia apesar da anestesista estar à disposição. Isso mostra que a dor e o desconforto existem, mas que, se eles chegarem a um ponto em que sejam intoleráveis, tem a analgesia e, assim, não se precisa fugir do parto normal”, diz Guimarães.

“Essa questão de que dói muito é extremamente relativa, inclusive temos experiências em que não relatam essa dor toda, e tem gente que no começo já pediu ajuda, e nós temos que respeitar isso”, acrescenta o ginecologista e obstetra.

3. Para evitar dores, o parto normal pode ser feito com anestesia?

Sim. De acordo com Élvio Floresti, durante o trabalho de parto, o médico, após avaliar a dilatação e insinuação do polo cefálico, já pode indicar o uso da anestesia. “Sendo assim, a anestesia pode ser feita com uma peridural contínua, ainda na fase de dilatação do colo, fazendo com que as dores praticamente cessem, mas que as contrações uterinas continuem em atividade, conduzindo ao parto normal”, diz.

“A anestesia de um parto pode ser feita já com a dilatação completa, e nesses casos, é escolhido entre a peridural ou raquianestesia, dependendo da posição do bebê, dilatação, insinuação, etc. Muitas vezes, principalmente quando é feito por plantonistas, a anestesia é feita apenas local, no momento da retirada do bebê”, acrescenta Floresti.

4. Existem medidas que ajudam a mulher a sentir menos dor na hora do parto normal?

Para Floresti, em um pré-natal bem feito, será explicado como será o momento do parto, e a mulher já chegará mais tranquila e com conhecimento de como será o andamento de tudo.

“Podem ser feitos ainda o uso de massagens, banheiras quentes, bolas, contratação de doulas, enfim… várias coisas com o intuito de trazer mais tranquilidade para a mãe nesse momento tão desejado. E sem falar que a dor definitiva pode ser eliminada com anestesia, se necessário”, destaca Floresti.

5. É possível se preparar e estimular o parto normal durante a gravidez?

Sim e isso deve ser feito, de acordo com Floresti. “A mulher sempre deve ser estimulada para poder vir a ter um parto normal. No início do pré-natal, já vamos orientando quais exercícios estimulam a região da bacia, vagina, qual o movimento da respiração, etc.”, diz.

“Existem cursos de pré-natais ministrados pelos principais hospitais de São Paulo, por exemplo. Assim, o desejo da mulher de ter um parto normal e um bom acompanhamento são fórmulas bem simples, que geralmente culminam na ocorrência do parto normal”, destaca Floresti.

6. É verdade que o parto normal alarga o canal vaginal?

“Para a passagem do bebê, se distende a musculatura, e eu diria que pode alargar, sim, e o canal tem que alargar senão o neném não vai passar”, responde Guimarães.

“Entretanto, é importante saber que existem uma série de cuidados, exercícios e providências a tomar para que essa musculatura distenda e alargue para a passagem do bebê… Mas, depois que passar o bebê, e com os hormônios diminuindo, com essa nova consciência corporal, e com os exercícios que existem, essa mulher continue tendo uma vagina e uma vulva com musculatura, que poderá atuar e ser utilizada na questão sexual, sem prejuízo. Não existe isso de querer operar para não alargar o canal vaginal, até porque o peso do útero no assoalho pélvico já pode dar uma distendida no músculo, e assim a incontinência urinária também pode ocorrer em quem fez cesárea”, destaca Guimarães.

7. Grávida de gêmeos pode ter parto normal?

Pode, mas existem algumas situações: “a grávida gemelar tende a dar a luz antes das 40 semanas, então essa questão da prematuridade é algo a se considerar, além disso, a posição dos bebês também é importante para pensar na via de parto”, explica Guimarães.

“Geralmente, para se pensar no parto normal, o primeiro precisa estar de cabeça para baixo, o cefálico. A diferença do peso entre eles também é importante, é interessante observar se o primeiro tem o peso igual ou maior que o segundo, essa diferença não pode ser muito grande. Mesmo que o bebê esteja sentado e se pense em uma cesariana, dá para esperar que a mãe entre em trabalho de parto. Não é apenas porque é gemelar que se deve tentar ‘simplificar as coisas’”, destaca Guimarães.

8. É verdade que “mulheres muito pequenas” ou com quadris estreitos não poderão ter parto normal?

Não. “Novamente entramos na questão da prova do trabalho de parto. Muitas vezes imaginamos ‘ah, que mulher pequena’ ou ‘que mulher magrinha’, e na verdade quando ela entra em trabalho de parto, contrai bem, dilata bem a bacia, e essa mulher que, aparentemente era magrinha e fraquinha, tem um parto normal”, comenta Guimarães.

9. Em quais casos o parto normal é indicado e em quais casos não é indicado?

Toda mulher que está grávida devia pensar que ela é uma candidata ao parto normal, de acordo com Guimarães. “Vivenciar a gestação de maneira saudável, pensando em uma experiência extraordinariamente boa, pensar em tudo de bom que aconteceu nesta gravidez para aumentar o nosso cabedal de experiências e vivências, ajuda para que essa mãe esteja mais preparada com esse bebê e pela questão da própria família que está nascendo ali”, comenta.

“É muito raro que não seja indicado este tipo de parto, a não ser que o bebê esteja em uma posição transversa, porque quando entra em trabalho nesta posição, o bebê não consegue nascer e ele vai precisar de uma cesárea”, explica Guimarães.

“Outro caso é quando existe a placenta prévia, centro ou total, muitas vezes resultado de uma mulher que já teve cesárea. Essa placenta fica embaixo, ali na entrada do colo do útero e tampa o colo, se formos querer dilatar esse colo, a placenta vai descolar e só vamos ter sangue e será necessário operar, essa é uma situação que é necessária pensar em uma cesárea”, destaca Guimarães.

“Eu sempre acho importante o trabalho de parto, porque ele é como uma prova, que aponta quem é apta para o parto normal e quem precisa de uma cesárea”, acrescenta o ginecologista e obstetra.

10. Como costuma ser a recuperação após o parto normal?

Após o parto, a recuperação costuma ser, de maneira geral, boa. “A mãe tem um levantar mais precoce, consegue lidar mais facilmente com seus cuidados pessoais e higiene. É importante lembrar que essa questão do pós-parto traz outra situação que é a questão do amamentar, e para isso ela tem que estar bem, segura, confiante, porque ela vai atender a uma outra demanda enorme, e que vai exigir que ela ‘esteja inteira’. Essa recuperação então é uma possibilidade a mais de a amamentação ser bem sucedida”, destaca Guimarães.

11. A mulher que tem parto normal recupera mais rapidamente seu peso após a gravidez?

Para Floresti, a recuperação do peso após o parto não depende tanto do tipo de parto, e sim da mulher. “Se ela amamenta, é mais rápido. E, como o parto cesárea é mais doloroso, principalmente nos primeiros dias onde a mulher fica mais de repouso e perdendo menos calorias, a recuperação do peso é um pouco mais acelerada no parto normal, mas não é tão significativo”, diz.

Por fim, vale lembrar: o mais importante de tudo é a mulher considerar todas as possibilidades, se informar sobre os diferentes tipos de parto, para, assim, tomar sua própria decisão. E, segura sobre suas escolhas, naturalmente se sentirá mais tranquila durante toda a gestação e no momento do parto em si.

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