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O que os filhos aprendem com o relacionamento dos pais?

Relações conjugais atribuladas podem prejudicar o desenvolvimento social das crianças

em 29/09/2014

Foto: Thinkstock

Se você e seu marido costumam discutir na frente das crianças, comecem a se policiar para evitar esse tipo de atitude. Crianças criadas em ambientes em que há muitas discussões entre o casal tendem a encarar os relacionamentos como fundamentalmente estressantes e têm grandes chances de enfrentar problemas em seus próprios relacionamentos, quando adultas.

De acordo com Lidia Weber, pós-doutora em desenvolvimento familiar e professora da UFPR, o relacionamento dos pais tem tanta influência no desenvolvimento das crianças que essa relação tem sido tema de inúmeras pesquisas ao redor do mundo, nos últimos anos.

“Sabemos, com certeza, que não basta ter ótimas práticas educativas. Os pais também devem ter bom relacionamento entre eles. Uma abordagem integrativa e interdisciplinar inclui três relações de influências mútuas em uma família: mãe-filhos, pai-filhos e relação conjugal”, diz Lidia.

A opinião da especialista vem de encontro à ideia de que a melhor forma de transmitir um valor é através do exemplo – as crianças estão atentas, o tempo todo, ao tipo de comportamento mantido pelos pais, principalmente. Depois, elas tomam para si esses padrões comportamentais e os adaptam às suas próprias vidas. Ditar uma regra, por tanto, não é tão eficiente quanto demonstrar que os pais seguem aquela regra.

As brigas conjugais têm influência não apenas na associação que a criança faz entre casamento e discussões, mas também na forma como os pais se relacionam com seus próprios filhos. Quanto mais tranquilo for o relacionamento do casal, melhor será seu relacionamento com as crianças.

Segundo a pesquisa realizada por Lidia com cerca de 40 crianças, quanto mais frequentes as brigas conjugais, mais frequentes os castigos físicos aplicados aos filhos. Além disso as crianças têm mais problemas em se relacionar socialmente e maiores dificuldades no setor das amizades.

É comum, também, que a criança se sinta culpada pelo relacionamento conturbado entre os pais. Como ela não entende a motivação da briga, pode vir a acreditar que essa motivação está relacionada a ela. Procure afastar esses pensamentos da mente da criança, deixando sempre claro que ela não tem culpa de nada e, principalmente, evitando envolvê-la na discussão. Pedir aos filhos que tomem partido ou dêem opinião colabora para que eles se sintam culpados pela falha no casamento dos pais.

Mas o que fazer quando uma discussão sai do controle e os filhos estão por perto? Em geral, depois de passada a briga, o correto é sentar com a criança e conversar sobre o que aconteceu, deixando claro que ela não teve nada a ver com o ocorrido e pedindo desculpas pelo seu comportamento durante o atrito. Também é importante permitir que a criança acompanhe a resolução do problema: isso vai ensinar a ela que discussões são normais, mas é preciso solucioná-las.

Fazer seu filho entender que é saudável e natural discordar algumas vezes é fundamental para que ele saiba solucionar situações de conflito em suas relações interpessoais ao longo da vida. Da mesma forma que a criança absorve a influência negativa do relacionamento dos pais, também pode absorver influências positivas, cabe a vocês orientá-la nesse sentido, mostrando o quanto vocês se amam e os bons aspectos da vida a dois.

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