Mulheres perfeitas

Donas de casa perfeitas ou executivas bem sucedidas - o que as mulheres querem ser?

Atualizado em 12/08/2013 10:28

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Uma executiva bem sucedida sofre um colapso nervoso. Para descansar, seu marido muda com toda a família para uma cidade do interior. Lá ela começa a notar uma estranha coincidência: todas as esposas do local obedecem com grande dedicação aos seus maridos, parecendo felizes com a situação. Todas são iguais e apresentam os mesmos gostos e hábitos.

Quem assistiu ao filme conhece a angústia que a personagem de Nicole Kidman passou. O filme não é novo e este dilema também não. Uma mulher com ambições modernas espremida entre a pressão do mercado e a pressão do seu papel familiar.

Ás vezes tenho a sensação de que as pessoas só se sentem realizadas encaixadas em extremos: ou uma bela dona de casa ou uma excelente mulher de mercado. Já pararam pra pensar que a beleza da cor cinza está na combinação dos elementos preto e branco? Pois a nossa beleza pode estar justamente na combinação de nossos papéis. E se o preto do mundo corporativo pode causar um grande estresse, o branco da vida do lar pode nos causar frustração.

Uma das cenas mais marcantes do filme foi quando a executiva independente oferece ao marido para se tornar uma das mulheres perfeitas que moravam na cidade. Para isso seria necessário passar por um laboratório e se transformar em uma coisa que ela não era, e por amor ao marido, estaria disposta a fazê-lo. Somente esta cena já vale o filme. Por amor, a mulher escolhe ser o que seu marido idealizou que ela seria. E os dois descem para o laboratório para dar início à transformação.

Coisa estranha são os estereótipos, eles existem, mas não agradam a ninguém. Estereótipo é coisa externa, que provoca angústia, sensação de deslocamento e ausência de pertencimento. Diferente da vocação que vem de dentro da alma e nos traz realização e sensação de plenitude. Acredito que a mulher perfeita é aquela que se preocupa mais com a sua vocação e menos em se enquadrar nos estereótipos existentes.

Voltando ao filme, o marido gostou muito do que viu na nova cidade, mulheres domesticadas, uniformizadas, sempre a serviço de seus maridos. Nos primeiros dias a idéia de ter uma esposa assim parecia reforçar sua autoestima e criar uma vida ideal. Só tinha um problema: Para ganhar uma esposa assim, ele teria que perder a sua verdadeira mulher, aquela que o atraiu para a vida a dois e de alguma forma o fez feliz até aquele momento.

Diante do dilema entre o estereótipo da dona de casa perfeita e da executiva bem sucedida ele abre mão dos dois e escolhe simplesmente ter a sua mulher, com todas as qualidades e defeitos. Acredito que este tenha sido realmente um final feliz.