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Dicas de Mulher Dicas de Comportamento

Mulheres gulosas

O desafio de fazer parte de uma geração de mulheres que querem absolutamente tudo, mas acabam se esquecendo de reconhecer suas limitações

em 26/07/2011

Calma meninas! Hoje não vou falar de dietas, distúrbios alimentares ou alimentação saudável… Este é assunto para as outras colunas.

Gostaria de compartilhar com vocês uma característica que tenho: Sou uma mulher gulosa! Confesso que também como muito, mas não é este o caso. Eu quero tudo! Tenho fome de muitas coisas, e sinto saudades das coisas que ainda não vivi. Quero viver maravilhosas experiências profissionais, familiares, espirituais, existenciais. Mas será que vai dar tempo? Preciso correr.

Adélia Prado, já madura disse: ”Não quero faca nem queijo, quero fome!”. O sábio Rubem Alves diz que para uma boa velhice o melhor remédio é a fome. A saciedade paralisa, a fome nos move em direção ao alimento. A grande pergunta para a mulher de hoje é: Você tem fome de quê?

Talvez a resposta seja: tenho fome de filhos, de uma carreira de sucesso, de uma formação brilhante, de um belo corpo, um belo amor, um belo salário, um belo carro, uma bela casa. Fome de falar mais de uma língua, conhecer o mundo, cuidar do mundo e de até salvar o mundo… E de felicidade, sim, sempre a felicidade. Ah! E se der tempo também tenho fome de um hobby, cultivar minhas amizades, fazer novas amizades. Ufa…

Mas também tenho outro sentimento: Sinto que sempre estou um passo atrás do que o mercado exige, do que o padrão estético de beleza exige, do que a sociedade exige, do que a família exige e não sei lá mais quem exige.

Descubro então que existe uma diferença entre a fome e a gula. A fome é uma necessidade individual que parte de dentro do seu ser, ela te move ao encontro do que você realmente ama e precisa para viver; já a gula é fruto da cultura do exagero induzida por estímulos externos.

A fome é gostosa e saudável, a gula é destrutiva. O mundo está diante de nós como um banquete, e o cardápio é infinito. Parece que nos acostumamos a transpor as limitações e conseguir quase tudo. Mas este é um jogo perigoso. Precisamos identificar se o que buscamos é algo movido por nossa fome, ou é fruto da gula que o mundo moderno nos apresentou.

Somos uma geração de mulheres ambiciosas. A geração anterior queimou os sutiãs. A nossa decidiu querer tudo o que o sutiã queimado nos trouxe e ainda usá-lo com brilhantes para guardar parte de um corpo escultural que acorda cedo para trabalhar.

Como se isso não bastasse (e não basta), no final do dia queremos ser mães presentes que, entre uma aula e outra de MBAs e demais qualificações, precisam brincar e interagir com seus filhos e familiares.

Somos a geração das mulheres gulosas. Queremos tudo, tudo mesmo. Não dá pra deixar pra depois. É por isso que 67% das mulheres brasileiras declararam em recente pesquisa que estão estressadas (acho que as demais estavam deprimidas demais para responder o questionário).

Queremos absolutamente tudo, olhamos para o mundo e queremos devorá-lo. Só nos esquecemos de olhar para dentro de nós e reconhecer que existem limitações. Talvez esteja na hora de trocar a letrinha E pelas letras OU. E encontrar felicidade nas escolhas feitas.

O mito da mulher bem sucedida precisa ser revisto. A mulher bem sucedida não é aquela que tem tudo, é aquela que conhece a fome da sua alma e busca saciá-la. As demais são gulosas, vítimas de um padrão inatingível que sempre causará frustração e vergonha.

Pablo Neruda, poeta do mar, tinha vontade de engolir o mar. Assim é muito bom, É quando amamos realmente algo, queremos comer, colocar pra dentro de nós e assim nos tornar um só. Fome que alimenta!

A gula é fruto da nossa cobiça, vindo de um estímulo externo que sempre que engolimos o objeto cobiçado, ao invés de nos deixar saciada, nos deixa ainda mais vazia e descontente.

Tenho um desafio: Quero deixar de ser uma mulher gulosa e passar a ser uma mulher faminta! Quero buscar o alimento certo e me saciar das coisas que realmente amo, e não das que estão na vitrine da vida me dizendo que devo adquiri-las.

Quem sabe desta forma a expressão “mulher bem sucedida” adquira outro preço, não faça vítimas pelo caminho; e quem sabe a jornada para se chegar a tal título seja tão ou até mais gostosa que a própria chegada.

Eu te desafio a pensar: Você é uma mulher faminta ou gulosa? Você tem fome de quê?

Monica Hauck

é colunista do Dicas de Mulher e especialista em Carreira

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