Com quem devo deixar a criança após a licença maternidade?

A mãe deve considerar os prós e os contras de cada opção

Por Gisele Macedo Sá
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Foto: Thinkstock

Este certamente é um dilema na vida de 10 entre 10 mães. Acabou o período de licença maternidade e ela terá que voltar a trabalhar, mas antes disso, precisa definir quem ficará responsável pelos cuidados com a criança enquanto a mãe estiver fora. As opções são muitas: avós, babás particulares, creches e escolas, etc. Porém antes de tomar esta decisão a mãe precisa levar em consideração diversos fatores, como desenvolvimento da criança, afeto pelo cuidador e também o valor disponível no orçamento familiar para os custos da escolha.

A pediatra e Presidente do Departamento Científico de Saúde Escolar da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), Maria de Lourdes Fonseca Vieira explica que é importante a mulher considerar na hora da escolha fatores como os prós e os contras de cada opção e o seu próprio contexto sociocultural. “A melhor opção é aquela que deixe a mãe tranquila, levando em conta a qualidade da atenção e a segurança da criança, a fim de que ela cresça saudável e desenvolva todo seu potencial biopsicossocial”, complementa a especialista. É fundamental que a criança esteja com alguém que supra suas necessidades básicas de alimentação, higiene, sono e afeto.

Cuidados com avós ou parentes

Deixar a criança sob os cuidados de uma avó ou de um parente próximo certamente confere a mãe muita segurança. Uma pessoa da família está ligada afetivamente com esta criança e isso ajuda neste processo de transição. “O bebê acredita que ele e sua mãe são um ser único, daí a importância de colocar a criança em contato com alguém que lhe tenha afeto, para substituir sua mãe que está no trabalho”, explica a pediatra.

Outra vantagem dessa escolha é que os valores a serem transmitidos para a criança são iguais ou ao menos muito parecidos com os dos pais da criança. Além disso, a avó traz consigo uma bagagem de experiências que também deixam a mãe mais tranquila quando está longe.

Um dos contras desta escolha pode ser o ciúme da mãe para com a cuidadora. Muitas vezes a mulher acredita que pode estar perdendo seu lugar de representação para esta criança. Para resolver este conflito é preciso muito diálogo e que a criança também entenda o papel de cada uma.

É importante que os pais deixem esclarecidos para a avó ou parente todas as regras dos cuidados. Isso confere maior autonomia aos pais e garante também um padrão de comportamento. A criança vai entender que as coisas não mudam quando estão com os avós ou com os pais.

Babá em casa

Com os cuidados de uma babá em casa a criança tem diversas vantagens, como o fato de estar em seu próprio ambiente e também a diminuição do risco de pegar doenças como infecções respiratórias e de pele, comuns às crianças que convivem em um ambiente com muitas pessoas. Além disso, ela terá a atenção toda voltada só para seu filho, diferente do que acontece em uma creche, por exemplo.

Mas é importante ponderar na escolha de uma profissional. “O ideal será que a babá seja saudável, simpática, dinâmica, com escolaridade, experiência com lactentes e conhecimentos básicos de prevenção de acidentes e de primeiros socorros”, alerta Maria de Lourdes. Os pais devem fazer uma escolha criteriosa para evitar trocar de profissional diversas vezes, pois isso pode confundir e prejudicar a criança, já que ela também constrói laços afetivos com a babá.

As desvantagens deste caso podem ser os custos altos e também o fato de a babá ser uma estranha na família. Muitas vezes ela tem valores diferentes dos estabelecidos pelos pais e certamente ela passará isso para a criança. Mais uma vez o diálogo e regras bem estabelecidas pela família serão de alto valor para que este processo funcione da melhor forma possível. A pediatra alerta ainda para outro ponto. “Quando a babá fica com a criança em casa perde-se a oportunidade de socialização muito rica nesta faixa”, explica.

Escolinha ou creche

A escolha desta opção é vantajosa para o desenvolvimento neuropsicomotor da criança. “Ao conviver com outras crianças, ela aprende mais rápido. A linguagem, principalmente, se desenvolve bastante nesta fase”, explica a pediatra. Além de poder contar com desenvolvimento a creche ou escola é um ambiente profissional e voltado exclusivamente para os cuidados com a criança, ou seja, eles estão preparados para qualquer dificuldade com a educação e no trato com os bebês.

A creche pode ter outra vantagem que é o valor, pois costuma ser mais barato para os pais do que contratar uma boa babá particular.

Mas é de suma importância conhecer muito bem o ambiente escolhido. A pediatra Maria de Lourdes indica que os pais conhecem pelo menos três locais e levem em consideração alguns aspectos como: os recursos humanos e cuidadores, a formação, experiência e cursos; a infraestrutura física para identificar se é um ambiente seguro com relação a degraus, escadas, rampas, móveis, brinquedos, parquinho, fraldário, adequação dos banheiros, pias e cozinha; observar a higiene na hora da alimentação, os produtos utilizados, os utensílios, onde e quem prepara a comida alimentos.

Veja também como a instituição resolve os problemas de acidentes e por fim avalie a proximidade da escolinha do local de trabalho ou de familiares que possam dar suporte, quando for necessária a presença de alguém.

Uma das desvantagens desta opção pode ser o fato dos cuidadores não terem a atenção voltada só para o seu filho. Se a criança tiver dificuldades de conviver em grupo isto pode ser prejudicial para ela. Além disso, a criança fica mais exposta a outros ambientes e isso pode acarretar em aumento de doenças.