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Doula oferece apoio físico, emocional e informativo à gestante

A OMS e o Ministério da Saúde de vários países reconhecem a profissão e incentivam o apoio da doula no parto

em 12/05/2015

Foto: Getty Images

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A gestação – desde a descoberta até o momento do parto – é uma fase muito importante na vida da mulher. É um período que também exige atenção e cuidados especiais – cuidados estes que se estendem inclusive para o período pós-parto.

É neste contexto que muitas mulheres optam por contratar uma doula – que é, de forma resumida, a mulher que dá suporte físico e emocional à gestante antes, durante e após o parto.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Ministério da Saúde de vários países (como o Brasil) reconhecem a profissão de doula e incentivam o apoio da doula no parto.

O papel da doula é, resumidamente, oferecer conforto, tranquilidade, encorajamento, suporte emocional e físico e também informações à gestante durante esse período de intensas transformações que ela está vivendo.

Há, porém, muitas dúvidas e confusões em torno dessa importante profissão. Muitas mulheres não sabem, por exemplo, o que uma doula faz e o que uma doula não pode fazer. Abaixo, Alaya Dullius de Souza, acupunturista, doula e mãe, esclarece as principais questões acerca do assunto.

O que é uma doula?

Foto: Getty Images

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De acordo com Aláya, a doula é uma figura feminina que preenche a lacuna criada no ambiente hospitalar da presença de uma mulher apoiando outra mulher. “O papel da doula é servir a mulher em trabalho de parto, ela fornece apoio informativo – considerando que o conhecimento e o acesso a boas informações trazem uma forma mais segura e consciente de fazer escolhas -, tirando dúvidas e ajudando a mulher no decorrer do pré-natal a entender seus desejos e o que fazer para alcançá-los”, diz.

Durante o parto, acrescenta Aláya, a doula dá suporte físico e emocional e se faz disponível para a gestante sempre que ela precisar. “É aquele ombro amigo que entende do assunto, que não vai assustar com histórias nem mitos, que vai acolher e explicar, respeitar e abraçar. Enquanto estão todos preocupados com procedimentos técnicos e com o bebê, a doula tem foco na mãe”, explica.

E sendo uma profissional treinada, destaca Aláya, a doula tem um olhar acostumado com o parto. “Isso acalma inclusive os pais presentes, pois ela age como uma guia etapa após etapa, acolhendo as emoções da mulher, sugerindo posições, servindo-a no que ela necessitar – seja uma toalha fria na testa para secar o suor, seja alcançar um copo d’água, ou massagens durante as contrações”, diz.

A doula é como uma “personal trainer de parto”, compara Aláya. “Ela está ali para a mulher, e acredita profundamente na força dessa mulher, e dá força verbal para que ela siga em frente, mesmo quando tudo parece difícil, e tem braços fortes para apoiar a mulher fisicamente”, diz. “É alguém que está ali para o que você precisa, mas com um olhar treinado e atento às etapas do trabalho de parto”, acrescenta.

O que a doula faz X o que ela não faz

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O que uma doula faz:

  • Oferece suporte físico e emocional, se fazendo disponível para a gestante sempre que ela precisar.
  • No momento do parto, especialmente, se mantém presente ao lado da parturiente, oferecendo apoio emocional, encorajamento e tranquilidade. Favorece a manutenção de um ambiente agradável, acolhedor, com silêncio e privacidade.
  • Sugere posições para que a parturiente se sinta mais confortável, oferece ainda outras medidas de conforto físico, como massagens, relaxamentos, técnicas de respiração, banhos.
  • Oferece informações, explicando termos médicos, os procedimentos hospitalares, derrubando mitos acerca do parto etc.
  • Antes do parto, a doula orienta o casal sobre o que esperar do parto e também do pós-parto. Ajuda a gestante a se preparar física e emocionalmente para esses momentos.
  • A doula pode ainda estar presente no pós-parto, auxiliando a mãe no seu contato com o recém-nascido e quanto à amamentação.

Aláya destaca que a doula:

  • Não faz procedimentos médicos ou da enfermagem, como exame de toque, aferição da pressão arterial, verificação dos batimentos cardíacos do bebê.
  • Não é papel da doula executar nenhum procedimento técnico nem aplicar nenhum tipo de medicação.
  • A doula também não toma nenhuma decisão pela parturiente, mas acolhe as vontades desta e encoraja a mulher em suas escolhas, auxiliando ela a receber as informações necessárias para fazer escolhas conscientes.
  • A doula não substitui o acompanhante de escolha da parturiente.

As vantagens de ter uma doula para auxiliar a vinda do bebê

A doula oferece suporte físico, emocional e informativo à gestante. E, de acordo com Aláya, as pesquisas têm mostrado que a atuação da doula no parto pode:

  • Diminuir em 50% as taxas de cesárea;
  • Diminuir em 20% a duração do trabalho de parto;
  • Diminuir em 60% os pedidos de anestesia;
  • Diminuir em 40% o uso da oxitocina;
  • Diminuir em 40% o uso de forceps.

“Há uma frase por John Kennell que diz que ‘Se a doula fosse um remédio, seria antiético não receitar’. A presença de uma doula no parto pode tornar a experiência mais satisfatória pra mulher”, ressalta Aláya.

Doula não é parteira

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Esta é uma dúvida bastante comum entre as pessoas: quais são as diferenças entre uma doula e uma parteira? Muita gente ainda confunde as funções.

Porém, elas possuem papéis extremamente diferentes. “A doula não tem nenhuma responsabilidade legal e técnica em relação ao parto. Ela não presta assistência ao parto, ela não é necessariamente um profissional da saúde”, destaca Aláya.

Ela auxilia e apoia a mulher em trabalho de parto, dando apoio físico e emocional. “Podemos dizer que quem ‘faz’ o parto é a própria mulher, pois depende dela e acontece no corpo dela, enquanto a parteira (seja ela uma parteira tradicional, uma enfermeira obstetra, obstetriz ou obstetra) assiste o parto (preservando a saúde da mãe e do bebê), e a doula assiste a mulher (provendo tudo que ela necessita no momento). Enquanto a equipe está ocupada com o monitoramento da mãe e do bebê, as avaliações e o cuidado com a saúde, a doula está ocupada com a mãe”, explica Aláya.

O papel da doula no parto humanizado

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A doula tem papel fundamental no parto humanizado, que é, de forma resumida, um termo que define a volta das práticas humanas, desde o nascimento até a recepção do bebê, e também nos pós-parto… Que vê a mulher como protagonista do seu parto e da sua gestação em geral, sabendo que, como humana, ela tem seus instintos e que o parto é um processo fisiológico e não algo que sempre necessite de intervenções.

Aláya destaca que, antes do parto, a doula orienta a gestante sobre o que esperar, explica como acontece o trabalho de parto, e a prepara para os detalhes dessa jornada. “Explica os procedimentos, auxilia na escolha da equipe, tira dúvidas, como uma guia que dá um ‘mapa’ do caminho, para que a gestante possa preparar sua ‘mochila’ e saber por onde irá pisar”, diz.

Durante o parto, a doula é a pessoa que muitas vezes vai “adivinhar” o que a mulher necessita, acrescenta Aláya. “Ela vai procurar garantir seu bem-estar físico e emocional, seu conforto térmico, sua alimentação e hidratação, e principalmente dar apoio nas posições, sorrisos nas dores, palavras de incentivo, e vai ‘traduzir’ o que está acontecendo, funcionando como uma interface entre os termos médicos e a parturiente”, diz.

A doula vai ainda ambientar o local para que se torne mais aconchegante, destaca Aláya, ou ajudar a mulher a relaxar com respirações e propor medidas não farmacológicas para alívio das dores, seja sugestões de ir ao chuveiro, posturas ou massagens.

“No pós-parto, a doula costuma visitar a família e auxiliar na amamentação e primeiros cuidados com o bebê”, acrescenta Aláya.

Como encontrar uma doula?

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A melhor forma de encontrar uma doula é procurando grupos de apoio à gestação e parto humanizado na sua cidade, conforme explica Aláya. “Geralmente são grupos coordenados por doulas, que conhecem outras doulas. Grupos na internet e alguns sites também reúnem o contato de algumas doulas, experientes ou iniciantes”, diz.

A maioria das pessoas contrata a doula por indicação, o velho “boca a boca”, acrescenta Aláya.

“Muitas doulas começam atuando de forma voluntária, para ganhar experiência, seja auxiliando amigas ou voluntariando em hospitais públicos. Cada doula irá atuar à sua própria maneira e ter seus ‘pacotes’ de atendimento (as visitas e encontros pré e pós-parto, o atendimento no parto), o importante é encontrar uma com quem você tenha afinidade e sinta confiança, afinal ela estará lá para você em um momento fundamental na sua vida”, destaca Aláya.

Ainda de acordo com a profissional, os valores variam de R$500 a R$2.000, dependendo da região do país, da experiência da doula e do que ela agrega em seu atendimento.

Quem pode se tornar uma doula?

Aláya destaca que qualquer mulher com um profundo desejo de ajudar outras mulheres, e total confiança na fisiologia do parto, de que é possível para as mulheres parirem de forma transformadora, pode se tornar uma doula.

“Para se tornar doula é importante compreender que a gestante é a protagonista de seu parto, e nós somos apenas coadjuvantes dispostas a nos entregar a uma ação de profundo cuidado e carinho, que pode levar poucas horas, ou muitas, que pode exigir que fiquemos acordadas a madrugada inteira, nos molhemos no chuveiro e sejamos testadas física e emocionalmente”, destaca Aláya.

Uma doula não precisa ser necessariamente uma ativista, mas ela não deve aceitar em seu íntimo as injustiças e tudo de errado e violento que ela vê no sistema obstétrico vigente, ressalta Aláya. “O compromisso da doula é com a mulher, e apenas com esta”, diz.

A doula explica que existem cursos de doulas em diversas cidades brasileiras, e eles dão um preparo inicial, mas a mulher deve procurar também estudar muito por ela mesma, e buscar estar sempre se atualizando.

“No final das contas, a doula é apenas uma serva, mas até para isso é preciso saber servir bem, e isso inclui respeitar as decisões da mulher mesmo quando elas não são as que você tomaria para si, e inclui saber explicar os fatos mesmo quando estes podem desagradar a gestante, pois o que queremos é ajudar as mulheres a fazerem suas próprias escolhas de forma consciente”, finaliza Aláya.

Declarações de quem já contou com auxílio da doula

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Cecília Nassin, advogada, 35 anos, conta que decidiu que queria uma doula para o seu primeiro parto, logo no início da gestação, quando começou a se interessar mais pelo parto natural. “Pesquisei e já tinha trocado e-mails com algumas doulas, mas quando conheci pessoalmente uma delas, tive a certeza da minha escolha… Ela era uma pessoa ótima”, diz.

Cecília conta que ela e a doula se falavam quase que diariamente durante a gestação, ou por telefone, ou por mensagem, além dos encontros (pessoalmente). “Ela foi importante em todas as fases, mas principalmente na ‘fase final’, quando eu estava me sentido muito ansiosa. Ela, porém, me acalmou demais”, diz.

“No dia do parto, então, sem comentários… Minha doula me ajudou em todos os sentidos, foi meu ‘porto seguro’. Ela me ajudou para que todas as minhas vontades fossem respeitadas. Só tenho que agradecer por tê-la ao meu lado, e guardo ótimas lembranças da minha gestação e também do meu parto”, conta Cecília.

Amanda Furlan, educadora física, 32 anos, conta que sempre se interessou pela profissão de doula e não tinha dúvidas de que queria o acompanhamento de uma quando fosse ter o seu bebê. “Minha doula que, na verdade, já era também uma amiga minha, foi fundamental para mim. Tirou todas minhas dúvidas, me acalmou quando necessário… Era encantador o quanto ela entendia do assunto, o quanto me passava tranquilidade. Tanto que, no momento do parto, acho que nem estava muito ansiosa, com medo. E ela esteve ali ao meu lado o tempo todo, foi muito bom”, relata.

Agora você já conhece mais sobre a profissão de doula, sabe o que ela pode ou não fazer e, sobretudo, como ela pode fazer a diferença durante toda a gestação e, especialmente, no momento do parto.

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