Parto humanizado: a retomada do protagonismo da gestante

Esse não é um tipo de parto, mas sim um conceito que inclui, entre outros pontos, o respeito à capacidade de a mulher parir

Escrito por Tais Romanelli
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Você sabia que o Brasil é o campeão de cesáreas no mundo? Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) mostram que 52% dos partos realizados no país são cesáreas – porcentagem bem acima da média mundial (que é de 18%) e da recomendação da OMS, que é de apenas 15%.

A questão é que, embora a cesárea possa salvar vidas em alguns casos, ela é muitas vezes realizada sem necessidade médica, o que expõe mulheres e seus bebês a riscos de saúde (a curto e longo prazo).

De acordo com a OMS, a cesariana só deve ser utilizada quando o parto natural representa um risco para a mãe ou para o bebê.

É especialmente neste contexto que tem se falado muito ultimamente em parto humanizado. O termo está na boca de muitos médicos, enfermeiros, hospitais, mulheres grávidas etc., mas nem sempre é interpretado da melhor maneira.

Isso porque, antes de qualquer coisa, é necessário entender que parto humanizado não é um tipo de parto (como é a cesárea ou o parto normal). Muita gente pensa (erroneamente) que parto humanizado é aquele definido por detalhes externos, como, por exemplo, uso da água na banheira, intensidade da luz, presença do parceiro etc. Porém, na verdade, não existem regras, a humanização do parto é um conceito (especialmente acerca da restituição do protagonismo da mulher no momento do nascimento do seu bebê).

Afinal, o que é parto humanizado?

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Para Andrea Amaral de Almeida Prado, psicóloga, mãe de três filhos e co-fundadora do site Amigas do Parto, o termo parto humanizado nem sempre é interpretado da melhor maneira. “Em geral, ao meu ver, refere-se a um parto que é tratado como um processo fisiológico normal… Este tipo de parto respeita a hora do bebê nascer, respeita a capacidade de a mulher parir (desde que esteja tudo bem com ela) e assim oferece muitos benefícios à mãe e ao bebê”, comenta.

Andrea destaca que, em sua opinião, o melhor parto é “onde a mulher confia nos que estão à sua volta, se sente respeitada neste momento e onde as intervenções são feitas somente à medida em que são necessárias”.

Sim, às vezes a cesárea é necessária, acrescenta Andrea. “A OMS fala que 15% a 20% seria o ideal. Então não era pra ser mais do que isso. Seria uma minoria de casos e não a maioria”, comenta. “Vale lembrar que dados mostram que o parto normal é mais seguro que a cesárea. Mais infelizmente vivemos num país onde se faz muita cesárea”, diz.

Débora Romanelli Lopes, fisioterapeuta, doula e mãe de três filhos, reforça que parto humanizado não é um tipo de parto, e sim um termo que define a volta das práticas humanas, desde o nascimento até a recepção do bebê, e pós-parto. “Humanizar o parto é devolver o protagonismo da mulher, é lembrar que a mulher como humana tem seus instintos e que o parto é um processo fisiológico e não algo que sempre necessite de intervenções”, destaca.

Aláya Dullius, acupunturista, doula e educadora perinatal, lembra que o conceito central do parto humanizado gira em torno da restituição do protagonismo da mulher. “Ela deve ter acesso a informações verdadeiras e de qualidade, ser respeitada em sua individualidade enquanto sujeito emocional e cultural, e não deve ser feito nada com o corpo dela sem seu completo consentimento”, diz.

No parto humanizado, acrescenta Aláya, o profissional responsável pelo atendimento é um guia do processo. “Ele trabalha em parceria com a mulher e respeita as escolhas e vontades dela dentro do possível, orientando as decisões e não simplesmente impondo protocolos (muitas vezes desatualizados). Esse profissional compreende que o parto é um evento fisiológico e natural e que a maior parte das mulheres (cerca de 85%) conseguirão parir sem nenhuma ou quase nenhuma intervenção, é um profissional que acredita na força e capacidade da mulher de dar à luz ao seu próprio filho e que não a diminui de forma alguma nem a aliena do processo e das decisões”, destaca.

Ainda de acordo com Aláya, no parto humanizado, a mulher costuma ser atendida por uma equipe multiprofissional, e esses profissionais estão alinhados com o que há de mais recente e atualizado em termos de evidência científica no atendimento obstétrico.

Como costuma ser feito um parto humanizado?

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Vale lembrar que não existe uma “receita pronta”, que humanizar o parto não é seguir um conjunto de regras. A premissa é que cada caso é um caso, cada mulher deve ser respeitada nas suas particularidades.

Mas, de forma geral, Aláya, fala sobre pontos fundamentais acerca da preparação, momento do parto e pós-parto.

  • Pré-natal: É importante haver um bom pré-natal, de modo que haja segurança nas tomadas de decisões e possa-se determinar a condução correta do atendimento. “A mulher que busca um atendimento humanizado sabe da importância de um bom acompanhamento da gestação”, destaca a doula.
  • Exames e consultas: Um profissional humanizado não costuma pedir exames desnecessários (o excesso de exames sem necessidade, que só aumentam a ansiedade das mulheres, tem sido uma prática comum no Brasil), mas sabe avaliar quando um caso necessita de maior investigação.
  • Preparação da gestante: Muitas mulheres sentem que estão se preparando para um parto humanizado ao fazer yoga ou alguma atividade do tipo (que é ótima para gestação), porém isso não basta para garantir um parto normal respeitoso. “A preparação principal está na busca de informação, de grupos de apoio, de doulas e da escolha de um profissional alinhado com as evidências”, acrescenta Aláya.
  • Pós-parto: O pós-parto de quem teve um parto humanizado não é necessariamente diferente de outro pós-parto, porém, é mais comum que essas mulheres, por já estarem em um movimento questionador e buscando informações diferenciadas, estejam mais engajadas em amamentar e muitas vezes façam escolhas que fogem do senso comum no que diz respeito à criação dos bebês.

As vantagens de um parto humanizado

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Andrea explica que, num parto que seja feito da forma mais natural possível, sem ou com o mínimo de intervenções, a mulher acaba se sentido parte do processo. “Está mais presente, participa do nascimento do bebê – que é um momento muito importante para ela. Isso favorece o vínculo mãe e bebê. É um bom começo para a relação mãe e filho(a)”, diz.

Para Aláya, as vantagens do parto humanizado são:

  1. É levar para o resto da vida, em cada aniversário do seu filho(a) a lembrança de um dia que foi especial, sem sofrimento, cercado de amor e respeito.
  2. É dar o melhor de si, e buscar o melhor para o seu bebê; é se submeter a menos riscos e ter mais benefícios.
  3. É ter mais chance de um nascimento saudável, um bebê respeitado e trazido ao mundo cercado de carinho.
  4. É não ter seu corpo submetido a dores desnecessárias e procedimentos invasivos, e a confiança de que ofereceu o melhor (e que garante mais saúde) para seu filho e para si mesma.

“Qual seria a vantagem de um parto NÃO humanizado? Nenhuma! Todo parto deveria ser humanizado, não deveríamos ter que lidar com a violência nesse momento tão especial e delicado. Todo parto deveria ser atualizado, com profissionais que visam a saúde, e estão bem fundamentados em suas práticas. Todo parto deveria ser celebrado com amor, e respeito à autonomia e individualidade de cada mulher”, acrescenta Aláya.

Relatos de quem teve um parto humanizado

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Débora Romanelli Lopes conta que, por mais que tenha nascido de uma cesariana, instintivamente sempre soube que as mulheres eram capazes de parir seus próprios filhos. “Durante minha primeira gestação busquei muita informação sobre o parto, e fui me deparando com a dura realidade brasileira, que os médicos não sabiam mais atender um parto natural. Pesquisando muito vi que eram raros os obstetras que sabiam o que era assistir uma mulher parindo e fui atrás, depois de passar por 8 médicos, decidi que iria mesmo era me empoderar e ter como ajuda uma doula, que foi essencial na minha escolha”, destaca.

Débora, que é mãe de três, fala das diferenças no nascimento dos filhos. Conta que, durante a gestação, participou de encontros com sua doula. “Ela instruiu tanto eu como meu marido quanto ao que poderia ou não ocorrer, quais eram os meu direitos na sala de parto e hospital, que eu podia falar ‘não’ aos procedimentos de rotinas, que o parto era MEU, e de mais ninguém, que nada sem meu consentimento poderia ser feito. Com 35 semanas de gestação nasceu minha primeira filha, num parto natural hospitalar muito rápido, após muita luta para conseguirmos o que queríamos”, diz.

Ela relata que, assim que chegou ao hospital, após avisar o plantonista que não iria ficar deitada na maca e que ele não iria fazer nenhuma anestesia e nenhum corte, escutou que ele não sabia fazer o parto deste jeito. “Foi uma luta, escutei que minha filha ia cair no chão se eu não sentasse, fui impedida de beber água quando solicitei e escutei gritos por parte da enfermagem. Minha filha nasceu, ficou um pouco comigo, mas foi levada para ser atendida pelo neonatologista por ter nascido prematura (nada que não pudesse ser feito no meu colo)”, diz.

No dia seguinte, conta Débora, a enfermagem levou a bebê para passar pelo pediatra. “Avisei que ela não havia mamado naquela hora, fui informada que a trariam de volta logo, mas após algumas horas me ligaram que haviam medido a glicemia e que ela estava hipoglicêmica, pronto! Logo a colocaram no soro glicosado e mesmo com os peitos cheios, escutei do pediatra que nenhuma mãe tem leite quando o bebê nasce”, relata.

Um ano e meio depois, Débora teve seu segundo parto e resolveu mudar de hospital e de equipe, para tentar um atendimento melhor. “Tive meu segundo filho em pé na banheira somente com meu marido pois não deu tempo do médico que estava numa cirurgia ao lado chegar. Com a recepção do bebê, questionei como era o atendimento de rotina dos bebês e após constatar que o pediatra plantonista aspira todos os bebês (mesmo com o meu que já estava mamando) decidimos ligar para o neonatologista humanizado que logo chegou e o atendeu com todo o carinho possível… Contato pele a pele em todos os exames, pesagem envolto em cobertor, banho de balde… Tudo menos estressante para o bebê, além da não remoção da mãe da sala enquanto amamentava o bebê. A presença dele foi essencial”, destaca.

Após dois anos, Débora teve seu terceiro filho. “Resolvi que não colocaria mais o pé em um hospital. Contratamos uma equipe de enfermeiras obstetras e planejamos nosso parto domiciliar. Ela iria nascer em casa, com os irmãos e familiares. E foi assim: ligamos para a equipe, elas chegaram, eu já no chuveiro aliviando as contrações enquanto elas montavam todos os equipamentos, caso precisassem… Após alguns minutos, nasceu nossa mais nova pequena em casa, no chuveiro, com a presença dos irmãos, amparada pelo pai”, diz.

“Ela foi amamentada, não foi separada da mãe, foi acarinhada por todos, foi pesada após estar confortável, não foi aspirada… E eu sabia que qualquer intervenção que fosse feita, eu sabia que seria preciso, eu confiava na minha equipe, eu sabia que elas lutavam pelo mesmo que eu”, ressalta Débora.

Parto humanizado em vídeo

Nos vídeos abaixo é possível conferir exemplos de partos humanizados. Vale ressaltar que as cenas mostram momentos íntimos das mulheres e de toda a família. Há exibição de sangue, portanto, não são vídeos recomendados a pessoas que se consideram sensíveis a isso.

O nascimento da Valentina

O nascimento do Eduardo em parto domiciliar

O nascimento do Gabriel em parto na água

Principais dúvidas sobre parto humanizado

Apesar de estar ganhando cada vez mais atenção ultimamente, ainda há muita dúvida em torno do chamado parto humanizado, especialmente pelo fato de o termo não dizer respeito a um tipo de parto e, sim, a um conceito – que naturalmente pode gerar diferentes interpretações.

Pensando nisso, abaixo as profissionais tentam esclarecer as principais dúvidas em torno do assunto:

1. Um parto humanizado pode ser feito tanto em casa quanto no hospital?

Aláya Dullius: O que determina a humanização de um parto é a condução deste, e não o local, portanto ele pode ocorrer tanto em casa quanto no hospital. Se houver respeito à autonomia da mulher, tratamento acolhedor e não violento, e atendimento atualizado por parte do profissional, pode-se dizer via de regra que o parto foi humanizado. Um parto humanizado não precisa ser em casa, não precisa ser na banheira ou ter música e luz de velas, ele diz respeito principalmente a permitir que a mulher possa parir da melhor forma possível para ela e que nenhuma intervenção seja feita no corpo dela sem que haja real necessidade e sem que ela compreenda e aceite. No parto humanizado há confiança e diálogo entre a gestante e o profissional que a atende.

2. Todo parto normal é humanizado?

Aláya Dullius: Infelizmente, no Brasil, a maioria dos partos normais é cercado de violência obstétrica, isto é, agressões verbais, e emocionais (caras feias para a mulher, repreensões ao comportamento dela, tratá-la como se fosse um objeto, ignorar seus desejos, medos e dúvidas, isolá-la, não permitir acompanhante) e também agressões físicas na forma de impedir que a mulher tenha liberdade de movimentação: obrigá-la a ficar em uma posição que não é a mais confortável para ela, e executar no corpo dela ações invasivas e dolorosas sendo estas obsoletas e inadequadas em termos de melhores práticas de acordo com a evidência científica, como empurrar sua barriga ou cortar seu períneo. Um parto normal pode ser humanizado ou ser extremamente violento. O movimento pelo parto humanizado busca que as mulheres sejam respeitadas em um dos momentos mais importantes de suas vidas, não é o parto normal de qualquer jeito.

3. Uma cesárea pode ser humanizada?

Aláya Dullius: Humanização do parto pressupõe protagonismo da mulher, pressupõe que ela tenha voz ativa nas ações e escolhas sobre si e seu corpo; e também pressupõe respeito à ciência. Assim, uma mulher pode, mesmo com acesso a todas as informações, escolher para si uma cesárea, porém, uma cesárea feita sem necessidade médica real, com todos os riscos inerentes a essa ação, não pode ser considerada uma ação humanizada. Em uma cesárea, a mulher é passiva nas ações, ela não toma parte nos acontecimentos, ela é submetida a procedimentos dos quais não tem controle. Uma cesárea pode ser respeitosa quando feita com indicação, pode ser necessária, pode ser amorosa e humana. Há procedimentos que o profissional pode fazer para minimizar os danos da cesárea, como permitir que a mãe tenha contato imediato com o bebê, ou baixar as luzes na hora do nascimento, mas uma cesárea não é um parto humanizado. Uma cesárea feita fora do trabalho de parto, agendada, não é humanizada, é contra a ciência e submete a mãe e o bebê a maiores riscos. É importante lembrar que humanização não tem relação com ser meramente carinhoso com a gestante, mas respeitar as indicações com base em uma medicina atualizada e científica. Quando necessária (cerca de 15% das vezes) e bem indicada, ela pode ser respeitosa, e salvar uma vida.

4. No parto humanizado, que profissionais participam/podem participar do processo?

Aláya Dullius: No caso de gestações de baixo risco (ou risco habitual), é possível que o parto seja acompanhado por enfermeiras obstetras ou obstetrizes. Esse é o modelo de assistência na Austrália e em vários países europeus. Quando a gestação se torna de risco ou o parto pede intervenções mais invasivas, é importante que haja um médico obstetra. Em partos naturais, tanto obstetras quanto enfermeiras obstetras e obstetrizes estão capacitados para efetuar o atendimento. Além disso, a presença de uma doula auxilia muito na diminuição da dor e na satisfação da mulher com seu parto.

5. No parto humanizado é feito corte no períneo?

Andrea Amaral de Almeida Prado: Existem evidências que este corte só deve ser feito em raros casos específicos. Então, é claro, num parto humanizado será feito raramente. Evidências científicas mostram que este procedimento não deveria ser rotina. Num parto visto como um processo natural, fisiológico, a mulher pode assumir diferentes posições na hora do parto, ajudando a prevenir assim qualquer dano ao períneo.

6. Parto humanizado é menos dolorido?

Andrea Amaral de Almeida Prado: A dor é muito relativa e depende de vários fatores. Dor não é igual a sofrimento e existem vários recursos para lidar com a dor das contrações durante um parto natural. As contrações do trabalho de parto não são contínuas, então, a mulher tem como descansar nos intervalos. Sentir-se apoiada, se movimentar sem restrições, usar o chuveiro e a banheira são alguns recursos simples que podem ser usados. Por outro lado, o parto normal em alguns hospitais pode ser vivido como extremamente doloroso pela restrição de movimentos e uso rotineiro de soro que acelera o trabalho de parto.

Penso que a dor das contrações, cuja intensidade pode variar muito dependendo da mulher, pode ser suportada se o ambiente é acolhedor, com pessoas que apoiam, se a mulher confia no processo.

7. Aplica-se anestesia no parto humanizado?

Andrea Amaral de Almeida Prado: Vale lembrar que parto humanizado não é um tipo de parto. Em alguns partos mais demorados a anestesia pode ser bem-vinda, assim como outras intervenções quando necessárias. Quando se acredita que o parto é um processo fisiológico normal, no entanto, não se parte do princípio que a anestesia é necessária, pois para muitas mulheres poder viver intensamente todo o processo de nascimento de um filho é um grande presente e existem outros recursos para amenizar a dor durante o trabalho de parto.

Grupos de apoio e discussão sobre parto humanizado

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Interessou-se pelo assunto e gostaria de conversar com mais pessoas sobre parto humanizado? Os grupos de discussão/apoio no Facebook podem ser boa opção. Confira algumas sugestões abaixo:

Agora, provavelmente você já esclareceu suas principais dúvidas sobre parto humanizado. Ele prevê, de forma geral, que a mulher tenha liberdade para dar luz ao seu bebê da maneira que achar a melhor (desde que esteja tudo bem com sua saúde e com a saúde do bebê) e, sobretudo, que ela participe e seja respeitada como “personagem principal” no momento do parto.

Assuntos: Gravidez

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