Você é vitima de violência silenciosa?

Acusações frequentes podem denunciar um comportamento abusador

Escrito por Luciana Kotaka

Foto: Thinkstock

As agressões só são reconhecidas quando estas são aparentes, pois a grande maioria das pessoas tende a menosprezar as agressões emocionais.

Segundo o Wikipédia, violência é um comportamento que causa intencionalmente dano ou intimidação moral a outra pessoa, ser vivo ou dano a quaisquer objetos. Tal comportamento pode invadir a autonomia, integridade física ou psicológica e mesmo a vida de outro.

É frequente ouvirmos relatos de situações onde o parceiro menospreza e ou intimida o companheiro, mas normalmente essas situações são vistas somente como ciúmes, controle e de alguma forma não tem o mesmo peso de quando ouvimos dizer que alguém foi espancado.

Porém, a violência psicológica é muito frequente, onde o violador sempre atua com intenção de destruir a autoestima do outro. Isso vai acontecendo de forma insidiosa, com ataques verbais destituindo frequentemente, até que obtenha controle doentio sobre o parceiro.

Como essa agressão muitas vezes acontece de forma sutil, o outro não tem a percepção do que está acontecendo, sendo frequente o agressor responsabilizar o parceiro de erros e comportamentos inexistentes, onde o agredido acaba tomando para si uma culpa por nunca agir corretamente, mesmo que a agressão não faça sentido.

Com a autoestima rebaixada, acaba perdendo o referencial próprio, chegando acreditar que o erro está em si mesmo, como se tivesse menos valor que o agressor.

O agressor na verdade sente uma necessidade de mostrar para outras pessoas que ele sim é a vítima, desqualificando o companheiro e se colocando como um ser desvalorizado e desprezado, quando na verdade ele desempenha esse papel, sempre manipulando situações.

Podemos citar o exemplo de uma mulher que sempre chamou a atenção de outros homens por sua beleza e após o casamento o marido começa a apontar defeitos em seu corpo e rosto, criticando as roupas que usa, justamente com o intuito que ela se sinta feia, atingindo a autoestima da companheira.

Desta forma, a parceira passa a usar roupas que desvalorizam seu corpo e o marido fica satisfeito por outros homens não a olharem, e que ela mesma não se sinta confiante a respeito de si mesma.

Engana-se quem acredita que esse tipo de violência aconteça somente com as mulheres. Já existem estudos que mostram que homens também são vítimas de suas parceiras.

O levantamento do Ministério da Saúde feito em 2008 e 2009 mostra que 20,8% das notificações de violência doméstica sofridas por homens são do tipo psicológico. O mesmo levantamento mostra que a agressão psicológica sofrida por mulheres é motivo de 49,5% das notificações, quase se igualando ao índice da violência física, 52%.

Desta forma fica clara a importância de identificar quando o relacionamento entre o casal está adoecido e procurar tomar providências efetivas, pois os filhos acabam internalizando esse padrão de casamento como padrão, sofrendo consequências como baixa autoestima, tristeza e insegurança.

Outro problema que também ocorre na família são as situações em que o pai ou a mãe diz ao filho “você é burro” ou ainda “você não sabe de nada” caracterizando a violência silenciosa, a qual, por sua vez, pode ter um impacto negativo forte na autoestima da criança.

Diminuir o outro usando as palavras é uma forma de violência e não deve ser ignorada e muito menos incentivada. Se você sofre com esse problema nas suas relações, não hesite em procurar ajuda com um psicólogo.

Assuntos: Bem-Estar

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