Bem-estar

Primeira vez: como iniciar sua vida sexual de forma saudável

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Atualizado em 14.07.22

As primeiras vezes podem ser assustadoras. Seja o primeiro dia de aula, o primeiro beijo ou a primeira vez fazendo sexo. Isso acontece porque, segundo a psicóloga e sexóloga Fernanda Cassim, experiências desconhecidas tiram o ser humano de sua zona de conforto e causam medo.

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Mas não se preocupe, a melhor forma de relaxar e aproveitar o momento é trabalhando o autoconhecimento e buscando informação, seja de uma profissional, em sites confiáveis ou trocando experiências com amigas que já passaram por isso. Para te ajudar, Cassim fala sobre as 11 dúvidas mais comuns que as mulheres têm sobre a primeira vez. Acompanhe!

1. Dói na primeira vez?

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A dor é um dos principais medos na hora do sexo. Perder a virgindade é, geralmente, um assunto entendido dentro do padrão hétero e cisgênero. Por isso, quando se fala na primeira vez em que há uma penetração pênis-vagina, a sexóloga explica que pode ou não haver dor, dependendo de alguns aspectos.

“De forma geral, como o canal vaginal não foi explorado anteriormente, é natural que haja um pouquinho de incômodo”, informa Cassim. Porém, para além do fator fisiológico, a dor e o desconforto dependem do nível de relaxamento, tranquilidade e de autoconhecimento. “Então, há questões fisiológicas e questões emocionais envolvidas para sabermos se vai doer ou não”, finaliza a sexóloga.

2. Como devo me preparar?

Antes de qualquer coisa, a psicóloga esclarece que, muito além de romper o hímen, a primeira vez precisa ser entendida como o momento em que a mulher decide dar entrada para uma vida sexual “ativa, madura, de prazer e de autorrealização”. Assim, informação é a palavra-chave para essa preparação.

Em sua fala, Cassim deixa claro a importância de uma preparação emocional, muito mais que física. Por isso, algumas práticas, como ler sobre o assunto, se possível, buscar um amparo na terapia e trocar experiências com mulheres que já viveram isso são fundamentais para uma boa iniciação sexual.

Por fim, é essencial confiar e se sentir confortável com a outra pessoa. Converse e seja sincera, pois também é preciso saber “o quanto o outro está à vontade para fazer parte desse momento importante”, finaliza Cassim.

3. É normal não conseguir fazer sexo na primeira vez?

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“Sim, muito normal!”, diz logo de cara a psicóloga, então, continua com um exemplo: “imagina que isso é uma experiência nunca vivida anteriormente, no caso de alguém que não teve traumas ou não sofreu abusos. Então, pense em quando você vai a um parque de diversões para andar de montanha-russa pela primeira vez. Às vezes, você desiste. Porque é uma experiência nova, traz algo do desconhecido”.

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Por isso, não se preocupe, medo, vergonha e apreensão são sentimentos normais em primeiras vezes, sejam elas sexuais ou não, e se você ainda não está pronta para superá-los, tente acolhê-los com carinho e não se sinta culpada. “Talvez seja mais saudável você não fazer se não se sentir completamente à vontade”, explica Cassim.

Sobre as mulheres que sofreram abusos ao longo da vida, sejam eles sexuais, emocionais ou outro tipo de violência, a psicóloga alerta que, para pessoas com essa bagagem, o sexo pode ser visto como um gatilho e a entrada para uma vida sexual ativa pode se tornar mais difícil ainda. Por isso, a profissional aconselha buscar auxílio psicológico especializado.

4. O que acontece depois? O corpo muda?

De acordo com Cassim, a informação de que o corpo muda devido à atividade sexual é um dos maiores mitos em relação ao assunto. “Existe muito tabu e muita desinformação, né? Uma coisa não tem nada a ver com a outra”.

Segundo a psicóloga, essa associação ocorre porque, como a primeira vez geralmente acontece na fase da adolescência, o corpo naturalmente está mudando. “E, nessa altura, muita gente liga isso às relações sexuais”, finaliza a profissional.

Além das mudanças naturais do corpo, um outro fator que reforça essa ideia é o uso de anticoncepcionais. “Como você tem uma vida sexual ativa, agora você pode estar tomando anticoncepcionais e isso vai interferir no corpo. Então, na verdade, o corpo muda muito, porém, mais por outras questões que envolvem atividade sexual do que pela atividade sexual propriamente dita”, explica a sexóloga.

5. Pode sangrar?

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Conforme Cassim, a perda da virgindade vai muito além do rompimento do hímen – uma estrutura da vagina que normalmente causa o sangramento. Porém, muitas pessoas ainda entendem a primeira vez como o momento em que uma mulher experiencia uma penetração, nesse caso, “sim, pode sangrar, mas isso não é uma regra”, pontua a sexóloga.

A profissional explica haver diversos tipos de hímen, como o complacente, que não rompe da primeira vez. E até mesmo mulheres que rompem a estrutura, mas não apresentam sangramento. “Até porque o hímen não é, como se imagina, uma membrana completa. Ele já tem as suas fissuras e seus buracos”, explica Cassim.

6. Quando devo ter minha primeira vez?

A primeira e mais importante informação que você precisa saber é: a primeira vez deve acontecer apenas quando você quiser e se sentir pronta. “Ela não deve acontecer por pressão externa, por curiosidade, porque o parceiro ou a parceira quer ou porque as amigas já fizeram”, pontua Cassim.

Segundo a psicóloga, a entrada para uma vida sexual ativa é um momento totalmente individual e subjetivo. É ideal que aconteça de uma maneira tranquila, sem culpa, sem medo e após estar bem informada.

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E por que tomar tanto cuidado com esse momento? A sexóloga explica que, “muitas meninas, quando tem a primeira vez sem ter essa tranquilidade, acabam tendo relações traumáticas que não trazem prazer”.

Cassim diz compreender que talvez ninguém nunca estará 100% pronta para enfrentar o desconhecido e reforça que o medo é um sentimento normal perante situações novas. Entretanto, mulheres e meninas não devem se preocupar com a primeira vez a partir de regras e imposições externas. Escute seu corpo, suas vontades e respeite eles.

7. Prevenções

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Se você sente que está preparada para iniciar sua vida sexual, não pule este tópico! Só é possível explorar bem a sua sexualidade se o sexo for seguro. A principal forma de prevenção é o preservativo, a famosa camisinha, “podendo ser o masculino ou feminino, que é um pouco mais difícil de achar”, explica a psicóloga.

A camisinha é a forma mais segura de evitar IST’s (infecções sexualmente transmissíveis). Seja na sua primeira vez ou na milésima vez que você terá relações com um parceiro(a), o uso é indispensável, pois evita infecções, como gonorreia, herpes genital, sífilis, hepatites virais B e C, infecção pelo HIV, infecção pelo HPV, entre outros problemas de saúde.

Caso você busque uma outra maneira de se prevenir contra gravidez, a sexóloga lista alguns métodos contraceptivos, como “o anticoncepcional, adesivos hormonais ou o chip hormonal, conhecido como Implanon”. Ela também indica associar dois métodos de proteção, como a camisinha e outro dos citados acima, garantindo, assim, a eficácia para evitar a gravidez indesejada.

8. É preciso ter penetração na primeira vez?

Não! Simples assim. Cassim, mais uma vez frisa a ideia de que perder a virgindade é dar início a uma vida sexual ativa, saudável e prazerosa. A noção de uma primeira vez com penetração é concebida dentro de uma visão hétero e cisnormativa, excluindo outras possibilidades de relações, como casais lésbicos, casais heterossexuais com uma menina cis e um menino trans, as múltiplas formas de casal LGBTQIA+, bem como mulheres que não sentem prazer na penetração.

Quando você toma a decisão de iniciar sua vida sexual com parceiros e explorar sua sexualidade, independentemente da forma escolhida, pronto, você terá sua primeira vez!

9. A importância do autoconhecimento e masturbação

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De acordo com a sexóloga, a premissa básica para um bom relacionamento com o outro é se conhecer em primeiro lugar. Por isso, a importância da masturbação. Essa, quando feita de forma saudável, “é a atividade em que a pessoa pode entrar em contato com pontos prazerosos do seu corpo, conhecer aquilo que lhe dá prazer, saber indicar como seu corpo reage a cada toque e a cada estímulo”, diz Cassim.

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A profissional levanta um ponto importante: como comunicar para o outro se você não sabe o que gosta? Cassim garante que iniciar a vida sexual conhecendo seu corpo facilita a comunicação e, consequentemente, você se “sentirá à vontade e entregue em uma relação a dois”.

10. Cuidado e afeto com o corpo

Para finalizar, a sexóloga afirma que “só podemos gozar plenamente se for de forma segura, cuidando do nosso corpo e do corpo do outro com afeto”. Busque ser compreensiva consigo, com quem você quer que faça parte da sua iniciação sexual e com todos os medos e inseguranças inerentes ao momento.

Não deixe de buscar uma ajuda especializada, seja com uma terapeuta, na escola, com seus pais ou responsáveis, caso você sinta que suas dúvidas ainda não foram sanadas. A melhor forma de ter sua primeira vez é com informação e apoio!

11. Importância de realizar exames

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Independentemente da sua sexualidade, a psicóloga ressalta a importância de fazer exames periódicos. “Cuidemos da nossa saúde íntima, façamos o exame do papanicolau regularmente”. Os meninos também devem “fazer exames periódicos para avisar suas parceiras sobre estarem bem com sua saúde sexual”, alerta Cassim.

O Sistema de Saúde Único brasileiro (SUS) oferece exames de IST’s de forma gratuita em Unidades Básica de Saúde (UBS) e em Centros de Testagem e Aconselhamento (CTA) por todo o país. Confira a unidade mais próxima da sua casa e não deixe de realizar anualmente essa checagem. Além disso, não tenha medo de exigir esse cuidado do seu parceiro também!

Como Cassim explicou no texto, a informação é a chave para uma primeira vez tranquila e segura. Para continuar se informando, leia sobre o clitóris, órgão do prazer feminino.

Buscando descobrir o que amo e escrevendo alguns textos no caminho :) Formada em Comunicação e Multimeios (UEM) e graduanda em Serviço Social (UEL).