Bem-estar

Ovários Policísticos: ginecologista explica tudo sobre a síndrome

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Atualizado em 14.06.23

Quando falamos em ovários policísticos, pensamos em dois tipos de situações: primeiro quando há presença de cistos nos ovários, ou seja, quando a mulher possui cistos grandes e que não causam alterações hormonais. A segunda é a Síndrome dos Ovários Policísticos, que ocorre quando a paciente apresenta diversos cistos pequenos e que causam alterações em seus hormônios.

A Síndrome dos Ovários Policísticos é uma das disfunções endócrinas mais comuns em mulheres. “Sua prevalência varia de 6% a 16% dependendo da população estudada e do critério diagnóstico empregado”, explica a ginecologista Aline Marques, do Hospital e Maternidade Santa Joana (SP).

Normalmente, as mulheres que possuem esse quadro possuem anovulação crônica (não ovulam e tem problemas de infertilidade) e aumento da ação dos hormônios masculinos (hiperandrogenismo), mas algumas delas podem, sim, ter ciclos regulares.

O que causa a Síndrome dos Ovários Policísticos?

Não existe um consenso sobre as causas da Síndrome dos Ovários Policísticos, mas Marques cita alguns fatores relacionados à sua aparição, como:

  • Predisposição genética;
  • Fatores metabólicos, como o excesso de peso;
  • Distúrbios endócrinos hereditários, como a resistência à insulina e o diabetes tipo II;
  • Fatores ambientais, como dieta e atividade física.

Por isso, além de trazer diversos outros benefícios, cuidar do seu estilo de vida é muito importante também na prevenção e controle da Síndrome.

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Sintomas de Ovários Policísticos

Os sintomas da Síndrome dos Ovários Policísticos podem variar de mulher para mulher, de modo que nem todas as afetadas apresentam um quadro exatamente igual. Porém, há sintomas que são clássicos e os principais deles são:

  • Anovulação ou ciclos menstruais irregulares (maiores do que 35 dias ou menores do que 21 dias);
  • Aumento dos pelos em áreas específicas, como peito e rosto;
  • Aumento da oleosidade da pele de todo corpo, além da presença de acne;
  • Queda de cabelo frontal e central (alopecia hiperandrogênica).

Em longo prazo, esse quadro ainda pode trazer algumas alterações metabólicas, como:

  • Acúmulo de gordura visceral (obesidade abdominal);
  • Acantose nigricante (formação de manchas escuras e aveludadas em dobras do corpo);
  • Esteatose hepática não alcoólica (acúmulo de gordura no fígado não relacionado ao consumo de álcool);
  • Diabetes tipo II;
  • Dislipidemia (alterações no colesterol e triglicérides);
  • Disfunção endotelial (hipertensão arterial e doença cardiovascular).

Tais alterações metabólicas inclusive trazem uma dúvida muito comum, que é sobre a relação entre a SOP e o ganho de peso/obesidade. A ginecologista Aline Marques, consultada pelo Dicas de Mulher, explica mais a esse respeito no próximo tópico.

Ter Síndrome dos Ovários Policísticos engorda?

Não é totalmente comprovado pela ciência que haja uma relação direta entre a Síndrome dos Ovários Policísticos e a obesidade. “No entanto, nota-se que parte das pacientes ganha peso com facilidade e tem dificuldade para emagrecer, mesmo melhorando os hábitos e o estilo de vida”, explica Marques.

Ela aponta que não se sabe ao certo qual quadro ocasiona o outro, mas o mais bem aceito é que a obesidade seja uma consequência da SOP, já que as pacientes com a síndrome apresentam alterações no tecido adiposo. “Nesse grupo, há aumento da adipogênese (formação de gordura), diminuição da lipólise (quebra das gorduras), distribuição alterada do tecido adiposo no corpo com maior concentração de gordura visceral, redução do tecido adiposo marrom e maior resistência à insulina”, enumera a especialista.

Como diagnosticar

Marques explica que a Síndrome dos Ovários Policísticos é geralmente diagnosticada por exclusão. Ela pode ser confundida com outras causas de anovulação e hiperandrogenismo, como:

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  • Disfunção da tireoide;
  • Hiperprolactinemia;
  • Tumor ovariano ou da suprarrenal;
  • Efeitos de esteroides pela síntese da suprarrenal;
  • Síndrome de Cushing;
  • Uso de substâncias androgênicas (esteroides anabolizantes).

O diagnóstico deve ser feito por um médico, que pedirá exames de sangue e imagem para excluir as hipóteses acima. Depois, serão aplicados os Critérios de Rotterdam, que verificam:

  • Alterações dos ciclos menstruais;
  • Hiperandrogenismo clínico;
  • Morfologia ovariana policística à ultrassonografia.

É muito importante que o diagnóstico seja feito com cautela, já que o tratamento da SOP nem sempre é simples. Então, no caso de dúvidas, vale consultar uma segunda opinião médica para validação da SOP.

Tratamentos

O tratamento da Síndrome dos Ovários Policísticos é multidisciplinar. Nesse sentido, é muito importante adotar mudanças de hábitos de vida, como:

  • Realização de pelo menos 150 minutos de exercícios aeróbicos por semana.
  • Adesão a uma dieta balanceada, preferivelmente com redução do consumo de carboidratos.

Esses hábitos podem ajudar na redução de peso. “Sabe-se que a perda de, no mínimo, 5% de peso promove melhora importante no padrão ovulatório e metabólico dessas mulheres, diminuindo a resistência à insulina e o excesso de produção androgênica”, reforça Marques.

Pode ser necessário ainda o acompanhamento psicológico para redução do estresse, ansiedade ou mesmo depressão que podem acompanhar pacientes com baixa autoestima.

Caso essas medidas não sejam suficientes, o médico pode entrar com medicações para o emagrecimento. Caso a paciente apresente associação do quadro à resistência insulínica, são usados medicamentos como: metformina, pioglitazona e mio-inositol.

A Síndrome dos Ovários Policísticos tem cura?

Infelizmente, essa síndrome é considerada uma doença crônica, ou seja, a paciente viverá com ela ao longo de toda sua vida. “É importante destacar que o uso de anticoncepcionais não irá curar o quadro. Ele irá apenas mascarar os sintomas. O tratamento vem de todas as outras medidas dietéticas e de atividades aeróbicas que a paciente realiza. O anticoncepcional pode ser um aliado para regularizar o ciclo e oferecer contracepção, porém, sozinho, não irá ‘curar’ a Síndrome dos Ovários Policísticos”, reforça Marques.

Posso engravidar com Síndrome dos Ovários Policísticos?

Como a Síndrome dos Ovários Policísticos causa a anovulação, ou seja, a não produção de óvulos pelos ovários, ela realmente pode trazer dificuldade de engravidar à paciente. Mas Marques reforça a importância da adoção de hábitos de vida saudáveis e redução do peso para melhora desse prognóstico. “Já foi comprovado que a perda de 5% do peso corporal aumenta significativamente a taxa de fertilidade por regularizar as funções ovulatórias”, anima-se a ginecologista.

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Caso mesmo assim a paciente tenha dificuldades em engravidar, há técnicas de indução de ovulação que podem ajudar dentro de ciclos de reprodução assistida com um médico especializado no tema. Se esse for o seu caso, procure um(a) médico(a) de confiança e faça o tratamento de acordo com o proposto. Ele pode aumentar muito a probabilidade de uma gravidez.

Saiba mais sobre a Síndrome dos Ovários Policísticos

Para aprofundar ainda mais seus conhecimentos a respeito da SOP, assista aos vídeos abaixo, selecionados para cobrir o que há de principal sobre o tema.

A SOP de acordo com o Dr. Drauzio Varella

Neste vídeo curtinho, o Dr. Drauzio Varella explica a relação entre a Síndrome do Ovário Policístico, glicemia e espinhas.

A diferença entre a Síndrome dos Ovários Policísticos e a presença de cistos no ovário

Em mais um vídeo bastante breve, o Dr. Igor Padovesi diferencia a SOP da simples presença de cistos nos ovários, e explica o que deve ser observado pelos médicos quando percebem a existência de cistos nos ovários de uma paciente.

Gravidez com a Síndrome dos Ovários Policísticos

Nesse vídeo do canal “Almanaque dos pais”, é possível saber um pouco mais sobre a possibilidade de gravidez de mulheres portadoras de SOP. O vídeo é bastante otimista e oferece caminhos para as tentantes.

Lembre-se sempre que ter hábitos saudáveis é importante não só para controle da SOP como de diversas outras condições e doenças. Então, alimente-se bem, pratique exercícios físicos regulares, hidrate-se e tente se manter num estado psicológico sereno, realizando atividades que ajudem a controlar os níveis de estresse. O resultado será visível.

As informações contidas nesta página têm caráter meramente informativo. Elas não substituem o aconselhamento e acompanhamentos de médicos, nutricionistas, psicólogos, profissionais de educação física e outros especialistas.