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Alimentação viva valoriza a vitalidade presente nos alimentos

Como facilita os processos naturais de desintoxicação, a pessoa encontra maior bem-estar, autoconhecimento e disposição física

em 24/07/2015

Foto: Getty Images

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Ao ouvir falar em alimentação viva, muitas pessoas acabam pensando em um determinado tipo de dieta – que permite certos grupos de alimento e exclui outros. Mas, ela vai muito além disso, tratando-se, na verdade, de um estilo de vida.

Foi nos Estados Unidos, na década de 90, que surgiu o movimento chamado raw food (comida crua). No Brasil, ele vem ganhando cada vez mais adeptos. Mas, ainda assim, a alimentação viva é um tema que gera dúvidas entre as pessoas.

“São consumidos somente alimentos crus?”, “Quem pode aderir à alimentação viva?”, “Quais são os benefícios deste tipo de alimentação?”… Essas são apenas algumas das questões que a maioria das pessoas ainda tem sobre o assunto.

Juliana Malhardes, especialista em Alimentação Viva do Personare, educadora em Alimentação Viva, formada pelo Terrapia, na Escola Nacional de Saúde Pública (Ensp) – Fiocruz, explica que alimentação viva é um estilo de vida que valoriza a vitalidade presente nos alimentos. “Por isso, é baseada em sementes germinadas, brotos e vegetais crus em natural. Essa alimentação deve ser livre de cozimento, processados e derivados de animais”, diz.

Mas, a pergunta que não quer calar é: os seguidores da alimentação viva só consomem alimentos 100% crus?

A verdade é que existem diferentes “níveis” de seguidores. Alguns são, sim, 100% crudívoros (consomem alimentos 100% crus). Outros consomem cerca de 70% dos alimentos crus e 30% cozidos, podendo ser veganos ou, em alguns casos, incluindo ovos e derivados de leite e até peixe na alimentação. Algumas pessoas podem estar ainda em “fase de transição”, dessa forma, incluindo, por exemplo, hábitos como tomar sucos verdes e comer saladas cruas no almoço e jantar.

Além disso, vale ressaltar: a culinária viva “recria pratos”, ou seja, segue o formato de algumas comidas da culinária convencional, mas não usa o cozimento (para não modificar o alimento). É possível fazer pizza, por exemplo, preparada com uma massa de trigo germinado e sal, levemente desidratada. Em vez de queijo, pode-se usar, por exemplo, sabores como rúcula, tomate seco, entre outras opções.

Benefícios da alimentação viva

Foto: Getty Images

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Mas, enfim, por que a alimentação viva tem atraído cada vez mais adeptos? Quais vantagens oferece?

A consideração é que este tipo de alimentação é altamente desintoxicante, o que, consequentemente, traz uma série de benefícios à saúde e ao bem-estar da pessoa.

“Ela facilita os processos naturais de desintoxicação, ou seja, permite que o corpo se organize, sem perder energia com a digestão. Como resultado, o praticante encontra maior bem-estar, clareza mental, alegria de viver, autoconhecimento, serenidade, além de maior vitalidade e entusiasmo para atividades diárias”, explica Juliana.

Dessa forma, podem ser destacados como principais benefícios da alimentação viva:

  • Maior disposição física;
  • Melhor qualidade do sono;
  • Entusiasmo em viver;
  • Redução de apetite para alimentos de difícil digestão;
  • Maior sensação de bem-estar;
  • Melhora do humor;
  • Depois de um tempo é comum que ocorra uma consequente perda de peso (embora este não seja o foco);
  • Diminuição do risco de problemas de pressão arterial, além do risco de doenças crônicas, como diabetes, entre outras.

Para quem é indicada a alimentação viva?

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De acordo com Juliana, a alimentação viva é indicada para todas as pessoas, de qualquer idade. “O importante é germinar corretamente, se alimentar nas quantidades e variações adequadas e se observar. Ouvir seu corpo”, diz.

Juliana acrescenta que não há riscos em seguir a alimentação viva. “O único risco é a pessoa se tornar viciada em bem-estar, querer transformar sua rotina mais intensamente e adotar um estilo de vida mais feliz”, comenta.

Mas a recomendação para a pessoa que tem interesse nesta mudança alimentar, claro, é buscar uma orientação profissional, para que possa fazer uma introdução gradual do alimento vivo na sua dieta cotidiana, respeitando sempre seu corpo. É importante ainda sempre compartilhar os resultados com o médico e/ou nutricionista de confiança.

Alimentação viva: o que é permitido comer?

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Juliana diz que a culinária viva é muito rica e saborosa. “Entendemos que comer é um ato afetivo, social e amoroso, de forma que recriar pratos e formas conhecidos acessa nosso emocional, de forma que aprendemos gradualmente a amar novos alimentos, pratos e receitas, que apesar de deliciosos, nos dão um prazer além do instantâneo. Os praticantes aprendem a valorizar o prazer que vem depois”, destaca.

“Leites de amêndoas, crackers desidratados de linhaça, macarrão de legumes em fios com molhos de sementes germinadas, chocolates de cacau 100%, tortas, docinhos, salgadinhos desidratados, além de pratos amornados, quase quentinhos, como risotos e ‘massas’ à base de legumes são alguns exemplos de alimentos consumidos dentro da culinária viva”, acrescenta a educadora em Alimentação Viva.

Vale lembrar que alimentação viva não é uma dieta a ser seguida, dessa forma, não é correto falar em “proibição de alimentos”. Porém, a consideração é que existe uma “consciência alimentar” e, a partir do momento em que a pessoa reconhece quais são os alimentos que fazem bem à sua saúde, tende a deixar de consumir aqueles que não fazem o mesmo.

“Seguimos uma tabela de germinação, onde conhecemos as sementes que podem ser consumidas germinadas. É importante conhecer as sementes e só germinar as que são indicadas. Não comemos os legumes e vegetais que não podem ser consumidos crus, como, por exemplo, taioba, feijão preto e branco e outras”, destaca Juliana.

Boa parte dos praticantes da alimentação viva é vegetariana ou vegana, mas esta não é exatamente uma “regra a ser seguida”. Alguns seguidores comem 70% dos alimentos crus e 30% dos alimentos cozidos, podendo, em alguns casos, incluir peixe de boa qualidade e ovos na dieta, por exemplo. Outros comem os alimentos 100% crus.

Mas, de uma forma geral, a ideia é incluir na alimentação aquilo que a natureza oferece de forma integral, dessa forma: alimentos refinados, pães, massas, farinhas, leite, derivados de leite, açúcar e carnes não são indicados.

Receitas da culinária viva

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Abaixo você confere alguns exemplos de receitas que fazem parte da alimentação viva:

1. Amêndoa Germinada: a educadora em Alimentação Viva Juliana Malhardes explica como deve ser feito o processo de germinação da amêndoa e dá dicas de como ela pode ser consumida.

2. Suco de girassol germinado com abóbora: a receita é feita com sementes de girassol germinado, maçã, abóbora, gengibre e gotas de limão.

3. Suco alternativo: a receita leva amendoim, maçãs, água de coco, gengibre, entre outros ingredientes.

4. Suco de folhas com girassol germinado: o suco é feito com sementes de girassol, maçãs, couve, chicória, hortelã, pepino, e não leva água.

5. Leite Vegetal de Amêndoas Germinadas: a receita leva amêndoas, água filtrada e tâmaras secas. Pode ser usada para fazer depois uma “vitamina de frutas ao leite de amêndoas germinadas”.

6. Vitamina de cacau com girassol descascado germinado: dica saborosa para um lanche da manhã, a receita é feita com girassol, cacau nibs, óleo de coco, entre outros ingredientes.

7. Cracker de Linhaça Dourada Germinada Desidratado: boa dica para servir como base para sanduíches e canapés, além de acompanhamento para sopas.

8. Sopa de Girassol Germinado com Abóbora Moranga: boa dica para os dias mais frios ou, simplesmente, para quem adora uma sopa.

9. Creme de Amêndoas Germinadas: a receita leva apenas amêndoas germinadas, alecrim fresco, limão, azeite e sal.

10. Pudim de semente de linhaça germinada com banana: sugestão para quem adora um docinho.

11. Creme de banana com canela e castanhas do Pará: dica para quem adora doces e, especialmente, para os dias mais frios.

12. Bolinhas com pepitas de cacau cru: receita rápida de fazer e que fica como dica para um snack no meio da manhã ou da tarde, depois de um treino ou como uma opção de sobremesa.

13. Batido Matinal Vivo: é feito com bananas, peras, figos frescos, mirtilos, entre outros ingredientes.

14. Macarrão de pupunha com molho de Funghi Porcini: com o palmito Pupunha fatiado consegue-se o aspecto de um macarrão bem fininho. Confira a receita.

15. Creme de mamão: os benefícios do mamão aliados às propriedades da aveia e sementes de linhaça tornam esta sobremesa muito nutritiva.

Agora você já conhece um pouco mais sobre alimentação viva. Mas, caso tenha interesse em aderir a este estilo de vida/alimentação, busque orientação profissional, para que possa se informar melhor e fazer uma introdução gradual e segura do alimento vivo na sua dieta atual.

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