Cozinhar com banha de porco é mais saudável? Médico esclarece

Vista como um ingrediente muito prejudicial à saúde cardiovascular, a banha de porco pode ser uma alternativa mais saudável do que alguns óleos vegetais

Escrito por Raquel Praconi Pinzon

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Por muitos anos, as gorduras animais foram encaradas como vilãs da alimentação saudável, de forma que preparar alguma fritura com banha de porco passou a ser praticamente um sinônimo de desenvolver doenças cardiovasculares.

Contudo, de acordo com o Dr. Dayan Siebra, médico vascular e ortomolecular, isso não é verdade. Conforme ele explica, o uso da banha de porco na cozinha é muito mais recomendável do que o uso dos óleos vegetais.

Banha de porco: mocinha, vilã e mocinha novamente

Até o início do século XX, a banha de porco era muito presente na alimentação humana, pois era um produto mais disponível e barato do que os óleos vegetais.

Segundo o Dr. Siebra, apesar da predominância dessa gordura animal, nossos antepassados não tinham tantos problemas relacionados ao colesterol e ao sistema cardiovascular quanto nós temos hoje, o que leva a um questionamento sobre a real influência da banha de porco nessas doenças.

Contudo, com o avanço da produção industrial, os óleos vegetais se tornaram produtos mais acessíveis financeiramente e facilmente encontrados.

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Somando isso com uma grande campanha para propagar os supostos benefícios desses produtos, esses óleos substituíram quase totalmente a banha de porco, conforme explica o médico, e assim ela se tornou uma vilã, junto com outras gorduras animais.

Conforme exposto pelo médico, não existem relatos de infarto nos Estados Unidos até 1911, quando se utilizava apenas a banha de porco – foi a partir dessa época que os óleos vegetais começaram a entrar na alimentação do país. Em 1930, porém, já havia 300 registros de infarto agudo do miocárdio, problema que ultrapassou os 30 mil casos em 1960.

A partir dessa informação, o Dr. Siebra afirma que faz quase 60 anos que “falsos especialistas” têm tentando convencer o mundo de que a gordura animal, especialmente a banha de porco, faz mal à saúde, enquanto os óleos vegetais seriam excelentes substitutos.

Essa troca, porém, não seria tão recomendável assim. Segundo o médico, quando são aquecidos em altas temperaturas (como aquelas necessárias para fritar os alimentos), os óleos vegetais liberam substâncias tóxicas que podem levar ao surgimento de diversos tipos de câncer – algo que a banha de porco não faz ou pelo menos faz em menor quantidade.

Benefícios da banha de porco

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Além de se manter estável quando aquecida a altas temperaturas e liberar menos substâncias tóxicas, a banha de porco oferece outros benefícios apontados pelo Dr. Siebra:

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1. Protege o coração

As gorduras saturadas oferecem riscos à saúde cardiovascular apenas quando sua quantidade é muito diferente da quantidade de gorduras insaturadas. No caso da banha de porco, a composição das gorduras é de 40% e 45% respectivamente, o que representa um excelente equilíbrio.

Além disso, o alto teor de gorduras insaturadas ajuda na prevenção das doenças cardiovasculares por contribuir com a regulação dos níveis de triglicerídeos e colesterol, aumentando o “bom” (HDL) e diminuindo o ruim (“LDL”) – o que evita a formação de placas de gordura nos vasos sanguíneos.

2. Atinge a temperatura de fritura mais rapidamente

Como a banha de porco chega à temperatura ideal para fritar os alimentos mais rápido do que os óleos vegetais, é possível diminuir tanto o tempo de preparo quanto o consumo de gás, conforme explica o Dr. Siebra.

3. Tem um valor nutricional mais interessante

A banha de porco oferece nutrientes como as vitaminas do complexo B, C e D, além de minerais como cálcio, fósforo e ferro.

Inclusive, essa gordura perde apenas para o óleo de fígado de bacalhau quando se trata do teor de vitamina D, o que faz dela um excelente auxiliar para a absorção de cálcio pelo organismo.

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4. Ajuda a combater a depressão

Por ser rica em ácidos oleicos do tipo ômega 3, a banha de porco é uma gordura que pode atuar no combate à depressão.

As explicações mais prováveis para isso são os efeitos de proteção dos neurônios, estabilização do humor e redução de processos inflamatórios que esses ácidos graxos apresentam.

Afinal, a banha de porco é melhor para cozinhar?

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Você já sabe que, quando são submetidos a altas temperaturas, os óleos e as gorduras passam por uma alteração em sua estrutura molecular (processo de oxidação) e dão origem a substâncias perigosas. Um exemplo dessas substâncias são os aldeídos, que mesmo em pequenas quantidades já oferecem riscos de doenças cardíacas e câncer.

De acordo com um estudo feito pela BBC, os óleos mais ricos em gorduras poli-insaturadas, como o óleo de milho e o de girassol, são os que mais produzem aldeídos.

Enquanto isso, gorduras e óleos ricos em gorduras saturadas e monoinsaturadas, como é o caso da banha de porco, dão origem a uma quantidade muito menor desses compostos. Dessa forma, essa gordura é uma boa alternativa para preparar nossos alimentos, conforme o Dr. Siebra defende.

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Porém, ainda segundo o estudo da BBC, a melhor opção para preparar frituras é o azeite de oliva, que tem apenas 10% de gorduras poli-insaturadas, 14% saturadas e 76% monoinsaturadas, liberando ainda menos substâncias tóxicas.

De qualquer maneira, vale a pena lembrar que mesmo a banha de porco e o azeite de oliva são ingredientes muito calóricos e que as frituras, se consumidas em excesso, causam prejuízos à nossa saúde. Portanto, mesmo dando preferência a alimentos preparados com essas gorduras, é necessário consumi-los com moderação.

Assuntos: Alimentação

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