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Amor platônico: por que acontece e como lidar com este sentimento

Ele pode ocorrer em qualquer fase da vida, não só na adolescência, e está relacionado com uma busca pelo o que não se tem

em 27/04/2015

Foto: Getty Images

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Contar os minutos para ver aquela pessoa especial; ficar feliz simplesmente por estar na companhia dela; se despedir e, minutos depois, já estar “morrendo de saudade”; compartilhar planos para o próximo fim de semana e também para o futuro… Há quem diga que amar e ser amado é mesmo uma das melhores sensações!

Porém, quando o amor não é correspondido, a situação costuma ser diferente… Muitas vezes causa sofrimento e pode diminuir a autoestima de uma pessoa.

E, embora não seja o único, o amor platônico é um tipo de amor não correspondido. Ele está associado à ideia de um amor inalcançável, distante, impossível…

A maioria das pessoas já ouviu falar sobre amor platônico, porém, poucas sabem de fato o que ele significa e ainda, grande parte acredita que ele seja um sentimento exclusivo da adolescência.

Ceci Akamatsu, formada em biologia e em diversas modalidades de terapias energéticas e holísticas, terapeuta acquântica, especialista do Personare e autora do livro “Para que o amor aconteça”, comenta que, quando o assunto é amor platônico, geralmente a pessoa se remete à adolescência, época das paixões pelos ídolos ou pela menina ou menino mais popular, pela pessoa mais velha, pelos professores etc. Porém, ele também pode ocorrer em outras fases da vida.

“Geralmente o amor platônico está mais associado às mulheres, porque ainda existe, mesmo que apenas de forma inconsciente, a crença de que é o homem quem deve buscar a mulher. A mulher muitas vezes fica à espera de ser correspondida, enquanto o homem vai buscar de forma ativa a validação de seu amor. Com isso, a mulher acaba criando nesta espera um amor platônico”, explica Ceci. “Mas, sejamos homens ou mulheres, estamos sujeitos aos amores platônicos, em todas as idades. As pessoas com essa atitude mais retraída, menos proativas na vida afetiva, como no caso de timidez, acabam ficando mais sujeitas ao amor platônico”, acrescenta.

Afinal, o que significa amor platônico?

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Ceci explica que o termo amor platônico tem origem na obra “O Banquete”, de Platão, que traz um diálogo filosófico acerca das definições do amor. “Diversas faces do amor são abordadas, porém, é Sócrates quem traz o amor como a busca pelo belo e bom. Essa seria uma busca pelo o que não se tem, por aquilo que falta”, diz.

“Uma vez que se conquista o amor, não se deseja mais, não se ama mais, porém, passa-se a se desejar o que vai vir a ser, ou seja, o amor que ainda não se tem no momento, o que falta. Com isso surge a ideia da busca pelo amor que está sempre além de nosso alcance”, acrescenta a especialista.

O amor platônico está geralmente associado à ideia de um amor inalcançável, impossível. “Essa distância e impossibilidade podem se dar em diferenças de idade, sociais, culturais, por preconceitos, ou simplesmente por uma barreira interna de insegurança e medo de rejeição”, destaca Ceci.

Por que o amor platônico acontece?

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Ceci explica que uma das características do amor platônico é a admiração em relação à pessoa amada. “Colocamos a pessoa em um pedestal para idolatrá-la, sonhando e devaneando sobre como seria a concretização do amor. É um amor idealizado, vivido na ilusão”, diz.

A especialista ressalta que, geralmente, admira-se no outro justamente aquilo que a pessoa gostaria de ter nela mesma. “Ou seja, admiramos aquilo que consideremos estar faltando em nós. Assim, acabamos indo buscar no outro aquilo que não encontramos maneira de fazer emergir dentro de nós mesmos: beleza, alegria, inteligência, riqueza etc.”, destaca.

Quem está mais propenso ao amor platônico?

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Vale lembrar que o amor platônico está mais associado à mulher, devido à crença de que é sempre o homem quem deve buscar a mulher. Nesse sentido, algumas mulheres podem ficar à espera de serem correspondidas, criando nesta espera um amor platônico. Porém, essa está longe de ser uma regra, já que homens também podem viver amores platônicos e qualquer pessoa, em qualquer idade, está sujeita a isso.

Ceci cita alguns fatores que podem acabar desencadeando a tendência aos amores platônicos:

  • Timidez;
  • Medo da rejeição;
  • Antigos traumas, entre outros.

“Porém, sempre encontraremos a raiz dos medos e inseguranças na falta de autoestima e de poder pessoal”, destaca a especialista.

Ceci explica que o amor próprio traz o senso de autovalorização, a capacidade de enxergar e assumir a si mesmo, tanto quanto aos aspectos positivos como aos negativos. “Geralmente relacionamos a autoestima ao se achar bonito, mas é muito mais do que isso. A aceitação dos próprios defeitos e pontos fracos é fundamental para uma alta autoestima. O poder pessoal está intimamente ligado à autoestima, pois é representado pela nossa força e perseverança, pela nossa capacidade de nos manter firmes em nossa verdade, mesmo que isso vá contra as circunstâncias e o mundo lá fora”, diz.

Um amor platônico pode ser prejudicial?

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Mas, afinal, existe algum problema em desejar um “amor impossível”?

Ceci explica que, se a pessoa deixa de viver a vida e as relações afetivas para se alimentar de amores platônicos, isso pode ser um sinal de que ela está fugindo dos desafios do amor na vida real. “Pode representar uma resistência em se desfazer do conceito do amor perfeito e idealizado, e em viver o amor real, cheio de desafios”, diz.

No mundo virtual, de acordo com a especialista, é possível observar muitos desses amores platônicos, que apesar de correspondidos e parecerem ser possíveis na vida real, são vivenciados de maneira ilusória. “Criamos ilusões que ficam muito próximas da realidade, por estarem no limiar entre o real e ilusão. São ilusões disfarçadas de realidade, que alimentam um falso preenchimento de amor. Ou seja, são também amores vividos na ilusão e que guardam seu ‘quê’ de platonismo”, acrescenta.

Neste contexto, Ceci destaca que a pessoa pode avaliar se é um caso pontual de amor platônico ou se ela vive a maior parte do tempo nos amores platônicos. “No segundo caso, pode sim ser de grande ajuda buscar auxílio terapêutico, para ajudar a fortalecer poder pessoal e autoestima, e assim começar a viver de maneira mais real e menos idealizada”, explica.

Relatos de quem já viveu amores platônicos

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Beatriz Silva Mantoni, 28 anos, publicitária, conta que por muitos anos viveu amores platônicos. “Na época, é claro, eu não me dava conta disso, embora algumas amigas tenham tentado me alertar. Eu só me interessava por pessoas claramente ‘inalcançáveis’ e fugia totalmente de relacionamentos ‘reais’, ou seja, se ficava sabendo que determinado garoto se interessava por mim, eu dizia para mim mesma que não podia me envolver com ele porque gostava mesmo do outro que era ‘inalcançável’”, comenta.

Beatriz diz que, hoje, enxerga com muita clareza os motivos que a levavam a desenvolver esses amores platônicos. “Eu era extremamente insegura, principalmente com minha aparência. Não acreditava que algum garoto pudesse se interessar por mim por muito tempo… Então era bem mais fácil inventar amores impossíveis, para não ter que lidar diretamente com uma possível rejeição”, explica.

“Demorei para entender tudo isso, posso dizer que até meus 23 anos vivi amores platônicos, mas hoje vejo tudo como experiência… Vivo um relacionamento real, me sinto muito segura e não espero nunca mais me alimentar novamente com um amor platônico”, acrescenta Beatriz.

Kelli Sanches, 30 anos, professora, relata que também viveu alguns amores platônicos. “Quando tinha meus 14, 15 anos, só me interessava por homens bem mais velhos, que nem sabiam que eu existia. Depois de alguns anos comecei a me relacionar (à distância) com garotos pela internet, que nunca cheguei a conhecer… Demorei para conhecer alguém por quem eu me interessasse de verdade e com quem pudesse viver um namoro também de verdade”, conta.

Como evitar amores platônicos

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Olhar para dentro de si mesma e responder a algumas questões podem ajudar você a perceber se, por acaso, tem se atraído por amores platônicos: “Você já se apaixonou mais de uma vez por pessoas inalcançáveis?”; “Você acredita que seja muito difícil se relacionar com outra pessoa?”; “A admiração que você tem pela pessoa por quem está apaixonada faz você ignorar outras características não tão positivas assim dela?” etc.

“Se estivermos sempre nos observando, buscando fortalecer nossa autoestima e poder pessoal, buscando dentro de nós aquilo que vai nos preencher e nos satisfazer, isso nos ajuda a não procurar tudo isso no mundo externo e no ser amado. Com isso, diminuímos as chances de criamos um amor platônico”, finaliza a especialista Ceci.

Afinal, o melhor de tudo é o amor compartilhado. O relacionamento que passa por bons e também por maus momentos, mas que, acima de tudo, se mantém no plano real.

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